Esqueça o namoro: agora é a vez dos cont(r)atinhos
Pesquisa aponta que os relacionamentos tradicionais já eram e que as relações beta passaram a definir os desejos afetivos
Blog da DB|Do R7 e Deborah Bresser

Sabe aquela conversinha de encontrar a metade da laranja, ou de que os opostos de atraem, e o maior medo era ficar pra titia? Esqueça.
Nada será como antes nas relações afetivas depois do advento dos aplicativos de paquera e das redes sociais.
É o que garante o novo estudo realizado pela Consumoteca Lab, segundo o qual já estamos todos vivendo sob a égide das Relações Beta.

Ao olhar para as relaçõs afetivas, os pesquisadores conseguiram analisar de que forma as novas plataformas estão gerando novas formas de marcar posição no mundo e regular a autoestima.
Acreditem: os contatinhos, crushes e @rrobas são capazes de explicar e traduzir o mundo atual.
De acordo com a pesquisa, as Relações Beta criam contratos invisiveis. "A gente aperta o botão do li e aceito antes mesmo de as regras serem escritas". E isso é feito por causa da principal engrenagem que move este mundo: o desejo de ser desejado. E de fazer parte do todo.
"Relações beta são relações experimentais, que brotam da nossa necessidade de se sentir alguém no mundo, de ser impactante, de pertencer a algo. O desejo de ser desejado leva a uma enorme necessidade de controle sobre o self nas redes sociais."

Ser desejado e querer pertencer não é nenhuma novidade. O que muda é a forma como estamos fazendo isso. No mundo virtual, cria-se uma persona para cada situação. Um perfil no Linkedin não será igual ao do Instagram. É preciso gerenciar a imagem em diferentes plataformas. Levando isso para o contexto afetivo, surgem os cont(r)atinhos.
"O cont(r)atinho é uma das relações beta do mundo atual. São relacionamentos que ficam entre conhecer alguém e efetivamente namorar, lugar nebuloso onde antes haviam os "ficantes", qualquer coisa sem importância. Os contratinhos, por sua vez, tomam tempo, energia, trazem alegrias e tristezas e, por serem relações que normalmente não se nomeiam, não há um fim ou um início estabelecidos. E surgem das seguintes tensões: vontade de experimentar tudo em um mundo de muita oferta, a cobrança por selfies desejáveis e uma nova visão sobre o que seria intimidade".

Para as relações beta, caprichar na foto do perfil ou nas postagens do Instagram é fundamental. Assistir Netflix juntinho é o auge da intimidade.
Na contrução do self, em que as imagens são protagonistas, o mais importante é a estética proposta pelo lifestyle de cada perfil. Mostrar o rosto é fundamental, mas fotos de viagens, de hobbies, em situações cômicas, foto sensual, animais, no espelho, em fetas, praticando esportes, que indique o gosto musical lideram as que mais chamam a atenção.
Diz a pesquisa que "as relações beta são sustentadas por interações multiplaformas. O jogo está na conversa, no meme, no gif enviado. Antes do inbox, é preciso se interessar pela imagem do outro, pelos gostos e afinidades. A busca é por pessoas que construam uma fantasia editada". É fato: o mach evolui para a conversa no app, daí para fuçar nas outras redes sociais, pula para o whatsapp até chegar no date. É bom ressaltar que 1 a cada 4 pessoas desiste na primeira conversa se ela não for boa.

Um dos pontos mais frágeis das relações beta é o medo do papel de trouxa.
"Como não existem acordos estabelecidos, ninguém sabe qual a sua responsabilidade afetiva emrelação ao outro. Isso é um prato cheio para desalinhamentos entre expectativas e frustrações".
Ao menor sinal de desinteresse, retribua. Suma! Essa é a mecânica nas Relações Beta.

Mas uma Relação Beta tem futuro? De acordo com a pesquisa, uma Relação Beta pode, sim, evoluir de um cont(r)atrinho para um contrato com deveres e obrigações.
Vale ressaltar que gostos e afinidades parecidos são fundamentais para que isso ocorra. Nada de opostos se atraem.
Quando perguntados sobre os atributos que esperam de um parceiro, 55% disseram companheirismo. Até a fidelidade perdeu, e ficou em segundo lugar, com 54%. A paixão, quem diria, angariou só 7% da preferências. "Entra em cena um jogo de trocas e entregas. Não à toa que companheirismo e fidelidade — características que faltam nas relações beta — se tornam os principais valores, ficando à frente da paixão e da compatibilidade sexual".

