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O que tem na comida do seu filho? Veja alerta de agrotóxicos em alimentos infantis

Ler os rótulos do que está disponível no mercado e buscar uma alimentação mais fresca é regra de ouro

É de comer|Camé MoraesOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A pesquisa do Idec revelou a presença de agrotóxicos em ultraprocessados infantis, como fórmulas e cereais.
  • Não há regulamentação da Anvisa para resíduos de agrotóxicos em produtos ultraprocessados.
  • O consumo precoce desses produtos está associado a problemas de saúde como cáries e obesidade.
  • Recomenda-se evitar ultraprocessados até os 2 anos e priorizar alimentos in natura para crianças.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Idec alerta para composição de alimentos indicados para primeira infância Imagem gerada por IA/Gemini

Se você é mãe, pai ou cuidador, sabe que a introdução alimentar e a nutrição nos primeiros anos de vida são cercadas de dúvidas, medos e, infelizmente, muito marketing. Nas prateleiras dos supermercados, embalagens coloridas e promessas de “crescimento forte” e “vitaminas” tentam nos convencer de que estamos fazendo a melhor escolha para os nossos pequenos. Mas será que é de comer mesmo?

A quarta edição da pesquisa “Tem Veneno Nesse Pacote”, realizada pelo Idec (Instituto de Defesa de Consumidores), lançou uma luz nada confortável (tá mais para um holofote de sala de interrogatório) sobre o que realmente estamos oferecendo às crianças na primeira infância.


O foco do estudo foram os ultraprocessados destinados a bebês (até 11 meses e 29 dias) e crianças pequenas (de um a seis anos).

Confira sempre a composição dos alimentos infantis no rótulo ND Mais

O resultado? Um coquetel de substâncias que não deveriam passar nem perto da mamadeira ou do pratinho dos nossos filhos.


O Idec enviou para o laboratório 12 amostras de produtos amplamente consumidos por crianças: fórmulas infantis, compostos lácteos, cereais e engrossantes.

Veja os achados

  • 5 dos 12 produtos analisados apresentaram resíduos de agrotóxicos.
  • Os engrossantes foram os campeões de contaminação, apresentando o maior número de resíduos (10 substâncias diferentes no total).
  • Pela primeira vez nesse tipo de pesquisa, foram encontrados resíduos de sanitizantes (produtos de limpeza industrial) e até de fármacos veterinários, como o fipronil (um inseticida e antiparasitário), em fórmulas de seguimento e compostos lácteos.

Os “campeões” do veneno

  1. Mingau de Multicereais (1 marca): 7 substâncias detectadas.
  2. Cereal Infantil de Milho (1 marca) : 3 substâncias.
  3. Composto Lácteo (2 marcas): 2 substâncias.

Veja as marcas no pdf do estudo.


Tudo isso dentro da lei. Vale ressaltar que não existe um limite máximo de resíduos de agrotóxicos estabelecido pela Anvisa para produtos ultraprocessados. Ou seja, enquanto alimentos in natura como a maçã são monitorados, o pó do mingau do seu bebê está num “vácuo regulatório” sem parâmetros de segurança.

O perigo duplo dos ultraprocessados

Além da contaminação silenciosa, o estudo reforça um problema nutricional crônico. Os compostos lácteos, cereais e engrossantes não são necessários para uma alimentação saudável e, na verdade, trazem malefícios. Eles são ultraprocessados: formulações industriais feitas com ingredientes baratos, desenhados para substituir refeições tradicionais.


O consumo precoce desses produtos está associado ao aumento de cáries, excesso de peso, risco de doenças crônicas e até pior desempenho cognitivo nas crianças. A indústria se aproveita da vulnerabilidade e da falta de tempo das famílias (especialmente das mães, que enfrentam uma licença maternidade curta de apenas 120 dias) para vender uma “praticidade” que cobra um preço altíssimo na saúde.

tem veneno nesse pacote
Manual do IDEC traz alerta para famílias Idec/Divulgação

Como ler os rótulos e blindar a alimentação do seu filho

Diante desse cenário, a informação é a nossa maior aliada. Aqui estão os cuidados práticos que você deve adotar no dia a dia:

1. Siga a regra de ouro: SE POSSÍVEL, zero ultraprocessados até os 2 anos. O Ministério da Saúde e o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos são claros: a amamentação deve ser exclusiva até os seis meses e complementada até os dois anos ou mais. Produtos ultraprocessados não devem ser ofertados até os dois anos de idade. As fórmulas infantis são a única exceção, pois devem ser usadas na ausência do leite materno, mas sempre com prescrição de um médico ou nutricionista. Sabemos muito bem que existem mães que não conseguem/podem amamentar por motivos diversos e nesse caso a criança precisa se alimentar adequadamente com fórmulas indicadas.

2. Cuidado com a “estratégia dos números” A indústria usa táticas de fidelização sequenciando produtos (etapas 1, 2, 3, etc.). Eles fazem isso para que um produto introduzido precocemente continue sendo comprado por anos, criando dependência de sabor e de marca. Não caia nessa armadilha!

3. Leia a lista de ingredientes com lupa A embalagem frontal mente, mas a lista de ingredientes revela a verdade. Se o produto tem ingredientes de uso industrial — como extratos, amido modificado, gordura hidrogenada — ou aditivos com função cosmética (corantes, aromatizantes, emulsificantes e adoçantes), ele é um ultraprocessado.

4. Composto lácteo NÃO é leite Muitas famílias são enganadas achando que estão comprando leite em pó para reforçar a nutrição, mas compostos lácteos são misturas ultraprocessadas, frequentemente cheias de açúcar e aditivos.

Descasque mais, desembale menos

A verdadeira segurança alimentar para as nossas crianças está na comida de verdade. Alimentos in natura (frescos, obtidos da natureza) e minimamente processados (que passaram por processos simples como limpeza ou secagem, sem adição de ingredientes) devem ser a base da introdução alimentar.

Sabemos que o dia a dia é corrido e o sistema muitas vezes joga contra os pais. Mas cada fruta oferecida, cada refeição caseira preparada e cada pacote deixado na prateleira do mercado é um ato de amor e de proteção à saúde presente e futura da sua criança.

Não deixe o marketing ditar o que vai para o pratinho do seu filho. Comida de verdade é o melhor investimento que podemos fazer.

Quer saber mais? Me siga no meu insta o @ehdecomer e Para conhecer a pesquisa completa do Idec e entender mais sobre o que estamos colocando na mesa, acesse idec.org.br/veneno-no-pacote.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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