Casa Valduga mira a Ásia e reforça estratégia internacional dos espumantes brasileiros
Após missão por Japão, China e Singapura, vinícola gaúcha identifica oportunidades, mas destaca desafios na construção da imagem do Brasil como produtor de vinhos
Após missão por Japão, China e Singapura, vinícola gaúcha identifica oportunidades, mas destaca desafios na construção da imagem do Brasil como produtor de vinhos

Fundada no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, a Casa Valduga é hoje um dos nomes mais representativos do vinho brasileiro, especialmente quando o assuntos são espumantes. Com forte tradição familiar e foco em qualidade, a vinícola construiu sua reputação apostando no método tradicional e em uma linha que vai de rótulos mais acessíveis a cuvées de longa maturação, como o 130 Blanc de Blancs.
Essa trajetória, consolidada no mercado interno e já bem estabelecida em alguns países, entra agora em uma nova fase: a expansão estratégica para a Ásia. A movimentação não é por acaso. Após uma recente missão por Japão, China e Singapura, a percepção foi clara, há espaço para o vinho brasileiro, mas ele ainda precisa ser explicado.
“Os mercados asiáticos têm uma abertura muito grande para novidades, mas, ao mesmo tempo, são extremamente exigentes, tanto em qualidade quanto em apresentação”, afirma Luisa Valduga, responsável pelo desenvolvimento internacional da vinícola. “O que mais me chamou atenção foi a facilidade com que reconhecem autenticidade. Quando existe uma história verdadeira por trás do produto, isso é rapidamente valorizado.”
Três mercados, três realidades
Apesar de frequentemente tratados como um bloco, os países asiáticos apresentam comportamentos muito distintos.

Singapura, por exemplo, funciona como um hub internacional. Com forte dependência de importação e um mercado dinâmico, tende a ser mais aberto à entrada de novos produtos. Já o Japão opera em outra lógica, ali, o nível de exigência é elevado, especialmente no que diz respeito à apresentação. Embalagem, posicionamento e consistência são fatores determinantes.
Na China, o desafio ganha outra dimensão. Trata-se de um mercado com forte ligação com tradição, mas também com necessidade de volume. “É preciso construir uma narrativa que dialogue com aquilo que eles já valorizam”, explica Luisa.
Espumantes abrem portas
Se há um ponto de convergência entre esses mercados, ele está nos espumantes. O Brasil, maior produtor desse estilo na América Latina, encontra aí sua principal porta de entrada.
Os rótulos da Casa Valduga tiveram excelente aceitação, tanto entre consumidores mais jovens, que preferem vinhos leves e com leve doçura, como os Moscatéis, quanto entre perfis mais técnicos, que se interessam por cuvées mais complexas.
Mesmo assim, o caminho não está consolidado. “Ainda existe um trabalho importante de educação de mercado, não só na Ásia, mas no mundo todo”, afirma. Segundo ela, a ausência de uma atuação coordenada entre produtores brasileiros dificulta a construção de uma categoria forte no exterior.
Um país ainda em descoberta
O desafio vai além da comercialização. Trata-se, sobretudo, de percepção.
“Com exceção da América Latina, o Brasil ainda não é amplamente reconhecido como um país produtor de vinhos”, diz Luisa. “Existe um espaço enorme para construir essa imagem.”
Essa fase de descoberta também foi sentida durante a missão. A barreira da linguagem, especialmente ao comunicar conceitos mais profundos de identidade e origem, apareceu como um dos principais obstáculos. Ainda assim, a clareza de posicionamento da Casa Valduga, e também da Ponto Nero, outra marca do grupo, ajudou a facilitar o diálogo.
Além disso, mercados como Japão e Singapura demonstraram abertura para rótulos de maior valor agregado, como o 130 Blanc de Blancs e o Maria Valduga, indicando que há espaço para uma estratégia mais ampla, que não se limite apenas à entrada por produtos mais simples.
Presença física segue essencial
Em um mundo cada vez mais digital, a lógica asiática ainda valoriza o contato direto. Degustações, visitas e eventos continuam sendo fundamentais para estabelecer relações comerciais.
“A confiança e o relacionamento pessoal têm um peso muito grande. O digital apoia, mas não substitui”, resume.
Estratégia de longo prazo
Hoje, a Casa Valduga mantém presença consolidada na Europa e avança de forma consistente na América do Norte. A Ásia, no entanto, passa a ocupar um papel central nos próximos anos.
Japão, Coreia do Sul, China e Singapura estão entre os mercados prioritários, sempre com uma abordagem seletiva e adaptada a cada realidade. Parcerias locais, nesse contexto, deixam de ser uma opção e passam a ser uma necessidade.
O desafio e a oportunidade
Para Luisa Valduga, o maior desafio do vinho brasileiro no exterior é também sua maior oportunidade: construir uma categoria.
“Precisamos de consistência, presença contínua e um esforço coletivo do setor”, afirma. “Mas temos um produto competitivo, identidade própria e uma história autêntica. Isso é exatamente o que o mercado internacional busca.”
O interesse existe. A curiosidade também. Agora, o próximo passo é transformar essa atenção em posicionamento duradouro.
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