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Papo de Paciente

Eles esperavam a morte, mas ela escolheu viver

Morre a influenciadora Isabel Veloso, aos 19 anos, após tratamento contra linfoma de Hodgkin

Papo de Paciente|Marcela VarasquimOpens in new window

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Isabel com o marido e o filho Reprodução/Instagram @isabelveloso

A vida de Isabel Veloso foi acompanhada por muitos que pareciam apenas aguardar o seu fim.

A visibilidade nacional veio quando a jovem paranaense deu entrevista a um podcast de grande repercussão. Ali, chamou atenção não apenas pela história, mas pela maturidade e pela coragem incomuns para alguém tão jovem, em tratamento paliativo contra um linfoma de Hodgkin.


Impactados pela lucidez e pela forma como falava da própria condição, outros pacientes oncológicos, e também seguidores que nunca haviam enfrentado a doença, passaram a acompanhar sua rotina, suas reflexões e suas escolhas.

Pouca gente, no entanto, compreende o que de fato significa um tratamento paliativo. Não se trata de “esperar a morte”, mas de viver com dignidade diante de uma doença considerada sem cura. Com os avanços da ciência, muitos pacientes vivem anos, às vezes décadas, sob cuidados paliativos. E nada é mais legítimo do que desejar e buscar uma vida bonita, possível, verdadeira.


Isabel parecia viver assim.

Escolheu ultrapassar as barreiras da dor e criar, para si, uma existência digna. Casou-se. Tornou-se mãe.


E foi justamente isso que despertou uma onda de comentários cruéis.

Quem desejava testemunhar um milagre, nos comentários, sentiu-se enganado quando o suposto milagre veio. “Ela não estava morrendo?”, chegaram a questionar. O perfil de Isabel nas redes sociais transformou-se, muitas vezes, em um espaço de descarte do pior que a humanidade pode ser. Parte do público passou a acusá-la de se promover com a doença ou até de fingir gravidade, como se felicidade e sofrimento fossem incompatíveis.


Talvez Isabel fosse apenas uma jovem que viu a morte de perto cedo demais. E, diante de uma das maiores dores possíveis, teve a humanidade de honrar a vida que lhe restava. Mas poucos estão, de fato, preparados para assistir à felicidade do outro sem bravejar. Ou acusá-lo de impostor.

Em agosto de 2024, ao anunciar a gravidez de um menino, Isabel recebeu a equipe do Domingo Espetacular em Cascavel. A repórter Paola Vianna conta:

“Na época, ela não estava muito disposta a dar entrevista, mas encontrou na reportagem uma oportunidade de dizer o que sentia. Isabel foi criticada até por estar bonita durante a quimioterapia. As pessoas questionavam até por que ela não morria. Conversamos muito naquele dia. Para mim, ela disse que não se importava com os comentários e que não precisava dar explicações a ninguém, porque conhecia o próprio caráter.”

Isabel respondeu às acusações vivendo. E certamente seu legado foi ainda maior do que a maturidade diante do enfrentamento de um câncer. Ela foi apedrejada, mas nunca aceitou ser ferida.

Obrigada, Isabel!

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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