Seu filho precisa sentir tédio, ócio e frustração para ser um adulto seguro e funcional
É sabendo lidar sozinhos com esses sentimentos que eles aprendem sobre criatividade, autonomia e autorregulação emocional

Hoje eu quero falar sobre a importância do tédio, do ócio e da frustração na infância. Principalmente nas infâncias atuais, onde tudo é superestimulado e as expectativas são sempre grandiosas — um fenômeno alimentado pelas redes sociais.
Meu filho de 6 anos já me falou algumas vezes que estava entediado. Como pode? Ele tem tudo! Faz inglês, futebol, tênis, natação. Tem amigos legais, viaja e sempre está aprendendo coisas novas... Como assim, tédio?
Foi aí que entendi que ele precisava urgentemente aprender que nem sempre ele vai fazer coisas incríveis. Aliás, a vida, na verdade, é assim: fazemos um monte de coisas chatas que nos permitem fazer coisas legais.
De acordo com Ana Carolina Dávila Sodré, psicóloga clínica especializada em família, infância, adolescência e trauma, a frustração traz a criança para esse mundo real. Se a criança é gratificada toda hora diante do seu desejo, ela não consegue se desenvolver de forma segura e avançar para as próximas etapas.
“Se você não frustra a criança, você não lhe dá a chance de entender o mundo e a realidade. E, se ela não entende o mundo e a realidade, ela nunca vai poder ter autonomia e crescer”, explica Ana Carolina.
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Os amigos tédio e ócio
O ócio (tempo livre sem nenhuma tarefa dirigida) não é perda de tempo. Assim como o tédio, que faz as crianças buscarem por algo novo, ele é um espaço de desenvolvimento profundo.
É nesse espaço que elas liberam a criatividade, por exemplo. Inventam brincadeiras, criam histórias, transformam objetos comuns em brinquedos e exercitam a imaginação simbólica.
Quando não há alguém organizando tudo, a criança precisa decidir o que fazer. Isso fortalece sua autonomia emocional. Ela precisa lidar com sua própria frustração sem mediadores.
Aprender a tolerar o desconforto, esperar, lidar com o silêncio e desacelerar são ferramentas para a vida.
Hiperestimulação x frustração
Crianças superestimuladas tendem a ficar mais irritadas, ter menos foco e depender de entretenimento externo. Quando não estão nesse looping de estímulos, se sentem frustradas.
Na psicanálise, frustração é o estado de um indivíduo quando impedido por outro ou por si mesmo de atingir satisfação.
Oferecer oportunidade para a criança desenvolver suas próprias ferramentas e, assim, lidar com esses sentimentos, vai ajudá-la a se tornar um adulto seguro e funcional.
Como permitir na prática?
- Primeiro: não sinta culpa quando o seu filho diz “tô com tédio.” Ele precisa saber lidar com isso;
- Não preencha todos os horários, crie espaços de “puro nada”;
- Resistia à vontade de oferecer uma solução imediata;
- Jamais ofereça celular como alternativa;
- Disponibilize materiais simples (papel, caixa, massinha, panos, sucata).
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