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O que as eleições revelam sobre o vírus que somos?

Como as escolhas políticas revelam nossas inseguranças e padrões de perfeição

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Famílias enfrentam conflitos durante o período eleitoral, com membros discordando sobre escolhas de candidatos.
  • A dinâmica de querer que familiares pensem e ajam como nós é comparada a um vírus que busca replicar-se em outros.
  • O desejo de ser perfeito e ter razão é visto como tóxico, limitando a individualidade do outro.
  • Reconhecer e aceitar as diferenças é essencial para manter relações saudáveis, especialmente em tempos de eleição.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Como a busca pela perfeição pode afetar nossas relações pessoais Imagem gerada por IA/ChatGPT

Faltam poucos dias para o segundo turno, e muita família já nem se fala. O pai não aceita que o filho vote diferente. A irmã bloqueou o irmão no WhatsApp. O almoço de domingo virou campo de batalha.

Por que dói tanto quando alguém da nossa família escolhe outro candidato? Porque, no fundo, a gente queria que ele votasse como nós. Que pensasse como nós. Que fosse uma cópia nossa.

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E é aí que entra o vírus. Essa dinâmica não aparece só na eleição. Ela explica uma coisa ainda mais antiga: por que a gente quer tanto ser perfeito e ter razão.

O vírus

Um vírus não tem vida própria. Ele entra numa célula e obriga essa célula a fazer cópias dele. A célula para de ser ela mesma. Passa a trabalhar para o vírus. Nós fazemos a mesma coisa com quem amamos.

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O padrão perfeito

Cada um de nós carrega na cabeça um padrão de como as coisas devem ser. Um modelo do que é certo. E, no fundo, a gente acha que esse padrão é perfeito. Que nós somos perfeitos. Que nós temos razão.

Um pai pode ter aprendido que filho tem que ser aluno excelente. Isso não é um sonho para o filho. É o padrão do pai. É a carga genética dele, entre aspas.

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O pai não quer um filho perfeito. O perfeito é ele, o pai. O que ele quer é que o filho represente esse pai perfeito. Que leve as ideias dele adiante.

Então ele leva o seu padrão até o filho. Mostra. Ensina. Aconselha. Cobra. O filho tem que absorver. Tem que reproduzir o pai. Igual à célula invadida pelo vírus.

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Para que serve ser perfeito e ter razão

Aqui está o ponto central.

A perfeição é o valor que eu me dou para poder ser dono do outro. Se eu sou perfeito, se eu tenho razão, o outro tem a obrigação de ser como eu. De me reproduzir. De me representar.

Quanto mais perfeito eu me acho, quanto mais razão eu acho que tenho, mais o outro tem que ser do jeito que eu quero.

O preço

E tem uma conta nisso.

Eu dou ao outro o meu melhor. Meu conselho. Meu exemplo. Minha perfeição. E cobro de volta. O pagamento é ele me representar.

Quando o filho não segue o meu padrão, ele não está pagando o preço que eu cobrei. Fica me devendo.

A perda

Se ele me representa, ele é meu. Minha posse está garantida. Se ele não me representa, eu sinto que perdi. E essa perda dói. Vira mágoa. Vira briga. Vira cobrança.

Às vezes, sem perceber, o filho que não segue o meu padrão vira quase um inimigo dentro de casa.

Por que isso é tóxico

Querer ser perfeito e ter razão dentro de uma relação é tóxico.

Quanto mais perfeito eu quero ser, quanto mais razão eu quero ter, menos espaço o outro tem para ser ele mesmo. O outro não nasceu para ser cópia minha. Ele não é uma célula para eu me reproduzir dentro dele.

O que fazer

O primeiro passo é enxergar.

Perceber quando eu estou exigindo que o outro seja eu. Quando o meu conselho é, na verdade, uma cobrança. Quando a minha decepção é, na verdade, uma perda de posse.

Não passamos de vírus enquanto não enxergamos isso. Quando enxergamos, podemos largar. E deixar o outro ser quem ele é.

Domingo, cada um vai votar em quem quiser. Inclusive o seu filho, o seu pai, o seu irmão. O voto dele não é uma traição. É só a prova de que ele não é uma cópia sua.

E, na segunda-feira, seja qual for o resultado, o almoço de família ainda pode acontecer.

Aceita que dói menos.

Veja o vídeo do Dr. Isaac abaixo

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