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Deolira Glicéria é reconhecida como a mulher mais longeva do Brasil aos 121 anos

Certificada pelo RankBrasil, idosa de Itaperuna busca homologação no Guinness World Records

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Créditos/Reprodução Internet Vanity Brasil

Moradora de Itaperuna, no Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, Deolira Glicéria Pedro da Silva foi reconhecida oficialmente como a mulher mais longeva do Brasil. Com 121 anos completados em março, ela recebeu o certificado do RankBrasil, sistema responsável pela homologação de recordes nacionais.

O médico geriatra Juair de Abreu Pereira, que acompanha Deolira, reúne documentos para tentar homologar o feito no Guinness World Records. Segundo o médico, o processo na organização internacional está paralisado, mas a certificação nacional pode ajudar na retomada. Atualmente, o título mundial pertence à britânica Ethel Caterham, de 116 anos.


A principal dificuldade para a comprovação da idade é que boa parte dos documentos originais de Deolira foi perdida em enchentes no município de Porciúncula, onde nasceu e viveu até se mudar para Itaperuna, há cinco anos. Uma grande inundação em 1977 destruiu os papéis da casa onde morava. Para reconstruir os registros emitidos a partir daquela data, a família recorreu a cartórios e contou com a ajuda da Arquidiocese de Campos para validar a certidão de batismo.

Em entrevista à Inter TV, a auditora do RankBrasil, Cristina Cadari, destacou que a história da idosa vai além dos números por atravessar gerações. Para conceder a certificação, a entidade exigiu a certidão de nascimento atualizada e o último extrato do benefício do INSS. O recorde brasileiro anterior pertencia à paranaense Maria Olívia da Silva, falecida em 2010, aos 130 anos.


Os critérios do Guinness exigem estritamente documentos originais. Caso consiga a validação internacional, Deolira estará próxima do recorde de Jeanne Calment. A francesa morreu em 1997, aos 122 anos e 164 dias, sendo reconhecida como a pessoa mais longeva da história, tendo enfrentado e superado denúncias não comprovadas de fraude documental na época.

A escassez de registros na vida de Deolira também se deve ao seu histórico pessoal. Ela passou a maior parte do tempo trabalhando na lavoura ao lado do marido e dos sete filhos — dos quais três estão vivos —, mantendo-se distante de eventos sociais e serviços públicos. Entraves documentais são comuns entre supercentenários, a exemplo da mineira Maria do Carmo Gerônimo, que declarou ter morrido aos 129 anos e 121 dias no ano de 2000, mas não tinha papéis formais por ter nascido escrava em 1871.

Deolira nascida em 10 de março de 1905, durante o governo do presidente Rodrigues Alves. Seu nascimento antecede marcos como o voo do 14 Bis, o primeiro Campeonato Carioca e a invenção da televisão. Quando a Primeira Guerra Mundial começou, a idosa já contava com nove anos de idade.

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