11 anos após adolescente partir em excursão suspeito surge
11 anos após a adolescente Victoria Natalini ter partido em uma excursão da escola, o suspeito foi descoberto.
Bebê Mamãe|Do R7

Onze anos depois da adolescente Victoria Natalini ter partido durante uma excursão de sua escola particular por Itatiba, interior de São Paulo, uma reviravolta surgiu. O suspeito de ter tirado a vida da jovem de 17 anos foi descoberto.
Victoria Natalini estudava no colégio particular Waldorf Rudolf Steiner na capital paulista. Em setembro de 2015 ela participava de uma excursão escolar com outros 33 colegas de classe. O grupo estava na fazenda Pereiras em Itatiba no 5º e penúltimo dia da excursão.
O objetivo era fazer estudos práticos sobre matemática e topografia. Os estudantes iriam fazer um mapeamento detalhado da propriedade rural. Os alunos então foram divididos em grupos, cada grupo precisava fazer o mapeamento de uma determinada área da fazenda para depois informar os professores.
Por volta de 14:30, Victória falou aos colegas que precisava usar o banheiro e então voltou para a sede da propriedade, no que seria uma caminhada de 800 metros. A adolescente nunca chegou na sede da fazenda. Sua ausência foi percebida apenas duas horas depois, pelos colegas. Estes avisaram os dois professores que acompanhavam a turma.
“Questionaram ela não ter retornado e os professores não sabiam. Até onde consta no inquérito, dois professores estavam na casa da fazenda quando minha filha desapareceu. Uma tomando banho e o outro auxiliando alunos que estavam fazendo cálculos. Quer dizer, ela ficou duas horas sem que ninguém se desse conta do desaparecimento dela! Então mais um fato que demonstra que não existia controle nenhum, monitoramento nenhum, que pelo menos que fosse bem feito”, disse João Carlos Natalini, pai de Victoria para a RecordTV.
A adolescente foi encontrada sem vida no dia seguinte. Ela foi achada no meio da mata após o próprio pai da vítima ter acionado um helicóptero da Polícia Militar. Inicialmente, as primeiras investigações policiais constataram que não havia lesão aparente ou qualquer indício de que a jovem havia sido vítima de um crime. O caso chegou a ser arquivado!
Pai da adolescente contratou peritos particulares
O pai da adolescente Victoria Natalini não aceitou esta versão da polícia. “Nós não compramos isso porque minha filha era extremamente saudável, ela fazia exercícios três vezes por semana, natação duas vezes por semana, tinha uma alimentação extremamente saudável, não tinha nenhum tipo de doença”, explicou o pai para a RecordTV.
Os peritos particulares contratados pelo pai de Victoria descobriram que na verdade ela foi asfixiada por alguém. “Existiam marcas no rosto, essas marcas no rosto deixavam hematomas, existiam escoriações como se ela tivesse sido arrastada. Existiam petéquias no pulmão que saíram no laudo, quando a pessoa tá querendo respirar de qualquer forma, então causa-se petéquias”, disse o pai.
Ele continuou: “Um ferimento na língua, que também é comum quando a pessoa tenta respirar. Eles mostraram que existiam manchas, hematomas tanto de um lado quanto do outro. Significa que o corpo foi colocado de um lado em determinado momento, passou algumas horas depois foi colocado do outro lado”.
A pressão familiar fez com que o caso fosse transferido da polícia de Itatiba para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo. No ano seguinte, em 2016, um novo laudo da polícia apontou uma outra narrativa do caso: Victória morreu por asfixia mecânica, por sufocação direta, muito provavelmente causada por alguém que tapou sua boca e seu nariz com as mãos.
Suspeito é descoberto 11 anos após a adolescente partir
O DHPP voltou a investigar o caso da adolescente Victória Natalini e no ano passado os policiais retornaram para a fazenda onde ela foi encontrada sem vida. E então duas irmãs denunciaram o homem Francisco Raimundo da Silva para os policiais. As irmãs afirmaram terem sido abusadas por ele na mesma época que Victoria foi achada sem vida. Francisco chegou a ser investigado na época do crime, mas foi descartado por falta de provas.
Ele foi detido em Itatiba na última sexta-feira (18). “Quando as irmãs relataram foi instaurado o inquérito de crimes s***ais e ai feita toda a investigação nós chegamos no Francisco como autor. E acreditamos que tem mais vítimas na região pelo comportamento que foi narrado para nós por várias pessoas da região”, disse Ivalda Aleixo, Diretora do DHPP, para a RecordTV.
A diretora do DHPP continuou: “Ele (Francisco) é um abusador, isso tá muito claro para a gente na investigação. Então sim, a Victória Natalini não foi morte natural, alguém causou a morte dela. Então, é isso que nós reabrimos esse caso para tentar chegar na autoria, ele (Francisco) continua sendo um dos suspeitos, mas é um dos suspeitos”.
O pai de Victoria relatou que Francisco sempre foi um suspeito da família. “É, ele sempre foi um suspeito nosso”, disse. O pai João Carlos ainda apontou que o álibi de Francisco é fraco. “Foi informado que ele estava em uma consulta médica, mas na verdade é um álibi que não se sustenta porque não se demonstrou que ele estava presente no local”.
O pai de Victoria contou o que a nova descoberta representa para a família. “Para a minha família, nós entendemos que pode ser o início do fim de uma jornada muito dolorosa, de 11 anos, onde a gente suou e chorou muito. Acredito que inclusive depois dessa prisão devam surgir outras para fazerem denúncia. Aliás, eu peço por isso. Na medida do que for possível, quem se sentir encorajado, que ajude a tirar uma pessoa suspeita de uma coisa tão séria, de sair de circulação”. As investigações do caso continuam e o suspeito segue detido.



















