Pais exibem gêmeas siamesas após separação e impressionam
As gêmeas siamesas passaram pela separação há um ano e os pais mostraram como elas estão.
Bebê Mamãe|Do R7

As gêmeas siamesas Mercy e Goodness comoveram ao surgirem um ano depois de terem sido separadas. As pequenas nasceram unidas pela cabeça em junho de 2023 no estado de Ekiti na Nigéria.
As gêmeas nasceram com os crânios fundidos e compartilhando tecido cerebral e vasos sanguíneos. Casos como este são raríssimos, com ocorrência de uma vez a cada 2,5 milhões de pessoas.
Infelizmente, casos como este têm perspectivas muito ruins. Cerca de 40% dos gêmeos craniópagos (nome dado aos gêmeos que nascem unidos pela cabeça) já nascem sem vida ou partem durante o nascimento. Além disso, um terço adicional morre nas primeiras 24 horas após o nascimento.
Mas, felizmente, as pequenas Mercy e Goodness conseguiram superar todas as estatísticas! Aos seis meses de idade, elas foram encaminhas para a Instituição de Caridade Britânica Gemini Untwined, que é especializada em gêmeos craniópagos.
Gêmeas siamesas passaram por procedimentos durante quatro meses
As gêmeas siamesas viajaram no ano passado para Abu Dhabi, nos Emirados, onde passaram por diversos procedimentos no SEHA Sheikh Khalifa Medical City ao longo de quatro meses, de acordo com a Instituição Gemini Untwined.
A separação das meninas contou com a participação de mais de 60 profissionais de saúde, incluindo brasileiros. Também participaram profissionais dos Emirados, Reino Unido e Nigéria. Esta é apenas a nona separação de gêmeos craniópagos já realizada no mundo! No total, as cirurgias de separação levaram mais de 40 horas, sendo que a última cirurgia durou 12 horas.
As gêmeas Mercy e Goodness foram separadas completamente com um ano e sete meses de vida. Felizmente, elas se recuperaram completamente! As meninas, inclusive, já retornaram para a Nigéria com os seus pais.
De acordo com a Instituição Gemini Untwined, o que diferenciou esta cirurgia de separação e ajudou a garantir o seu sucesso foi o uso de diversas técnicas novas e aprimoradas, desenvolvidas por meio do trabalho global da própria Instituição.
Entre estas técnicas, destaca-se a abordagem “Open Book”, que usa a gravidade para sustentar os cérebros durante a cirurgia, em vez dos retratores tradicionais. Assim, é possível reduzir a pressão e o potencial trauma.
A equipe também introduziu a expansão tecidual mais precoce e gradual, baseada em modelagem e análise, assim foi eliminada a necessidade de enxertos de pele durante a recuperação.
Além disso, pela primeira vez, os implantes foram projetados utilizando tecnologia de realidade mista. Desta forma, ao sobrepor dados de tomografia computadorizada em modelos 3D detalhados, os cirurgiões puderam planejar a reconstrução com maior clareza antes de entrarem no centro cirúrgico.
Nos meses anteriores ao procedimento final, a equipe usou uma combinação de imagens 3D, simulação de realidade virtual, sobreposições de realidade aumentada e expansão guiada por ultrassom para mapear detalhadamente a anatomia das gêmeas, colaborando em diversos países em um ambiente virtual compartilhado.
De acordo com a Gemini Untwined: “O sucesso deste caso reflete quase duas décadas de experiência, com cada separação contribuindo para uma abordagem mais refinada e consistente do que continua sendo um dos procedimentos mais complexos em neurocirurgia pediátrica”.
O Professor Noor ul Owase Jeelani, médico neurocirurgião que liderou a separação: “As técnicas que desenvolvemos nesses casos continuam a evoluir, ajudando a tornar as cirurgias mais seguras e eficazes. Com o tempo, esse trabalho contribui não apenas para melhores resultados para gêmeos craniópagos, mas também para avanços mais amplos na cirurgia pediátrica”.



















