Marjane Satrapi, artista franco-iraniana e autora de ‘Persépolis’, morre aos 56 anos
Obra foi adaptada para o cinema em 2007 e ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes
Cinema|Mustafa Qadri, Elina Baudier Kim e Ivana Kottasová, da CNN Internacional
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A artista e ativista franco-iraniana Marjane Satrapi, cuja graphic novel “Persépolis” levou a luta do povo iraniano a milhões de pessoas em todo o mundo, morreu. Ela tinha 56 anos.
Um comunicado do Palácio do Eliseu anunciando sua morte nesta quinta-feira (4) elogiou o trabalho de Satrapi, dizendo que sua obra “cativou o público global”.
“Seu falecimento representa a perda de uma figura de destaque na cultura francesa e de uma artista profundamente comprometida com a liberdade, cuja obra transmitia uma mensagem universal e lhe rendeu imenso reconhecimento internacional”, declarou o Palácio do Eliseu.
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Satrapi nasceu em 22 de novembro de 1969, em Rasht, no norte do Irã, em uma família de esquerda politicamente ativa. Ela tinha apenas 10 anos quando o rumo de sua vida mudou após um levante popular derrubar a monarquia iraniana e estabelecer a República Islâmica.
Mudança radical
Os direitos das mulheres e meninas foram restringidos quase que imediatamente após 1979 e, para Satrapi, isso significou ter que usar o véu, ser separada de seus colegas de escola do sexo masculino e ver os adultos em sua vida sofrerem com a repressão.
Anos mais tarde, ela se lembrou de como ela e suas colegas de classe tiravam os véus durante o recreio para amarrá-los e fazer uma corda de pular. Ela retratou essa cena – e inúmeras outras – em “Persépolis”, sua graphic novel autobiográfica de grande sucesso, lançada em 2000, que mostrou a revolução pelos olhos de uma criança.
O espírito rebelde de Satrapi – retratado em “Persépolis” com honestidade e humor comoventes – inspirou seus pais, que temiam que ela se metesse em problemas com o regime, a enviá-la para o exterior em 1984.
Ela passou alguns anos turbulentos na Áustria, chegando a ficar sem-teto e a ser hospitalizada com bronquite, antes de retornar a Teerã para estudar arte. Concluiu seus estudos e casou-se brevemente, mas deixou o Irã definitivamente rumo à França em 1994.
Sucessos
“Persépolis” foi adaptado para o cinema em 2007, com direção de Satrapi e Vincent Paronnaud, e ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2007, além de ter sido indicado ao Oscar.
A obra de Satrapi abrangeu inúmeras graphic novels – que ela preferia chamar de “histórias em quadrinhos” – e filmes. Em 2019, ela dirigiu “Radioactive”, um drama biográfico britânico estrelado por Rosamund Pike como Marie Curie.
Mas ela também era uma crítica ferrenha do governo iraniano e uma importante apoiadora do movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, que surgiu após a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia policial em 2022.
A organização iraniana de direitos humanos das mulheres, Fundação Narges, descreveu Satrapi como “uma defensora destemida do feminismo e dos direitos das mulheres” e como alguém que “defendeu as lutas e a resiliência das mulheres iranianas”.
No ano passado, ela anunciou que recusou a Legião de Honra francesa, a mais alta condecoração nacional da França, devido ao que chamou de “atitude hipócrita do país em relação ao Irã”.
Satrapi era casada com Mattias Ripa, que ajudou a traduzir “Persépolis” para o inglês e esteve intimamente envolvido em muitos de seus projetos. Ripa morreu no ano passado, aos 52 anos.















