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Marjane Satrapi: quem é artista que ‘morreu de tristeza’ aos 56 anos em Paris

Criadora de ‘Persépolis’ virou referência mundial ao retratar a vida sob o regime iraniano e defender direitos das mulheres

Famosos e TV|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Marjane Satrapi, autora de "Persépolis", faleceu aos 56 anos em Paris, após a morte de seu marido, Mattias Ripa.
  • Satrapi cresceu no Irã durante a Revolução Islâmica e suas experiências foram retratadas em sua obra autobiográfica "Persépolis".
  • Além de "Persépolis", Satrapi dirigiu filmes e foi uma ativista política, apoiando o movimento "Mulher, Vida, Liberdade".
  • Pouco antes de falecer, fundou a Fundação Mattias e Marjane Ripa-Satrapi para ajudar estudantes de cinema em Paris.

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A artista franco-iraniana Marjane Satrapi tinha 56 anos e vivia em Paris Benoit Tessier/Reuters - 12.03.2024

Marjane Satrapi, artista franco-iraniana conhecida mundialmente pela graphic novel “Persépolis”, morreu aos 56 anos em Paris, na França. Segundo pessoas próximas à escritora e cineasta, ela teria “morrido de tristeza” pouco mais de um ano após a morte do marido, o produtor e roteirista sueco Mattias Ripa, que faleceu em abril de 2025.

Nascida em Rasht, no Irã, em 22 de novembro de 1969, Satrapi cresceu em uma família politicamente ativa e viveu ainda criança a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia iraniana e instaurou o regime liderado pelo aiatolá Khomeini.


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As mudanças impostas pelo novo governo marcaram profundamente sua vida. Ela passou a conviver com restrições às mulheres, como o uso obrigatório do véu e a separação entre meninos e meninas nas escolas. Mais tarde, transformaria essas experiências em “Persépolis”, obra autobiográfica lançada em 2000.

O livro, desenhado em preto e branco, mostra sua infância e adolescência em Teerã durante os anos de repressão no Irã. A história também retrata o período em que foi enviada pelos pais para estudar em Viena, na Áustria, em meio ao avanço do extremismo no país.


Depois de alguns anos na Europa, Satrapi voltou ao Irã em 1989 para estudar comunicação visual na Universidade de Teerã. No entanto, decidiu deixar o país definitivamente em 1994 e se mudou para a França, onde construiu a maior parte da carreira artística.

“Persépolis” foi adaptado para o cinema em 2007, em um filme dirigido por Satrapi e Vincent Paronnaud. A animação venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, recebeu o César de melhor roteiro adaptado e foi indicada ao Oscar de melhor animação.


Ao longo da carreira, Satrapi também lançou obras como “Bordados” e “Frango com Ameixas”, além de dirigir filmes como “A Gangue dos Jotas” e “Radioactive”, cinebiografia de Marie Curie estrelada por Rosamund Pike.

Além do trabalho artístico, Satrapi ganhou projeção internacional pelo ativismo político. Crítica do regime iraniano, ela apoiou publicamente o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, criado após a morte da jovem Mahsa Amini sob custódia da chamada “polícia da moralidade” em 2022.


Em 2023, coordenou o livro “Mulher, Vida, Liberdade”, reunindo artistas e acadêmicos para denunciar a repressão e as violações de direitos humanos no Irã. No ano seguinte, foi eleita membro da Academia Francesa de Belas Artes.

Também em 2024, recusou a Ordem Nacional da Legião de Honra, principal condecoração da França, acusando o país de hipocrisia na relação com o Irã e criticando políticas migratórias que dificultavam a saída de dissidentes iranianos.

Pouco antes da morte, Satrapi criou a Fundação Mattias e Marjane Ripa-Satrapi, destinada a ajudar estudantes estrangeiros interessados em estudar cinema em Paris. Em suas redes sociais, após a morte do marido, ela publicou uma sequência de mensagens com a frase: “Porque perdi o amor da minha vida”.

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