Harry Styles mistura hits, disco e nostalgia e faz quatro anos de espera valerem a pena
Cantor britânico voltou ao Brasil com quatro shows da turnê ‘Together Together’
Música|Otávio Urbinatti, do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Os “Harries” esperaram, contaram os dias e, finalmente, puderam matar a saudade. Harry Styles voltou ao Brasil e transformou o estádio do MorumBIS em uma enorme pista de dança com a turnê Together Together. Os dois primeiros shows, realizados na sexta (17) e no sábado (18) em São Paulo, provaram que quatro anos de espera foram muito bem recompensados. Mais duas apresentações, nos dias 21 e 24 de julho, ainda vão fazer muitos fãs perderem a voz.
Simpático, empolgado e acessível, o cantor britânico, de 32 anos, mostrou por que carrega o título de um dos maiores artistas pop da atualidade. Um palco gigantesco, com dois telões de cada lado, reproduz a estética disco de seu novo álbum, Kiss All The Time. Disco, Occasionally, lançado em março deste ano. Cenário perfeito para quem esperou todos esses anos para dançar, pular e cantar, do início ao fim, os maiores hits da sua carreira.

Na primeira noite de apresentações, o artista entregou tudo o que a legião de fãs aguardava ansiosamente. Antes mesmo de subir no palco, o público se divertiu com a “Respeite Sua Mãe Cam”, uma câmera exclusiva que procurava mães acompanhadas dos filhos na plateia, fazendo referência a um trecho da música Dance No More, em que o cantor sobe o tom dizendo “Respect your mother” - frase que inclusive estampa várias camisetas da nova turnê.
“Um, dois, três, quatro”. Harry começou o show arriscando contar em português e levou os fãs à loucura já na primeira música, Are You Listening Yet?, faixa do último álbum. O esforço para se aproximar do público brasileiro não parou por aí. O cantor interagiu diversas vezes em português e divertiu a plateia até mesmo quando cometeu algumas gafes. A primeira, quando apresentou os instrumentistas da orquestra como “jogadores de corda” (tradução literal de “string players”, do inglês) e depois, quando, gentilmente, cantou parabéns para uma fã da pista de nome “Lalessa” — que, muito provavelmente, se chamava Larissa.
Mas, de volta à apresentação, Harry foi impecável em todos os sentidos. Entregou vocal de verdade, dança contemporânea e batidas clássicas da década de 1980 com eletrônico da atualidade. Hits do álbum Fine Line (2019), como Golden, Adore You e Watermelon Sugar fizeram os fãs matarem a saudade da estética mais colorida do cantor. Nessa nova fase, sem deixar de lado essa essência, o britânico se apresentou com look clássico de alfaiataria misturado com peças despojadas e tons marcantes. Por sinal, isso explica por que muitos fãs estavam com gravatas penduradas no pescoço.
Como todo grande ídolo pop, surpreendeu na performance. Longe de parecer playback ou batidas gravadas, a apresentação contou com uma banda majoritariamente feminina e um jogo de luzes que fez o público ficar vidrado em cada movimento.

Falando em movimento, foi o que o britânico mais fez durante as duas horas de show. Quem acompanha a vida do artista nas redes sociais sabe que ele tem a corrida como um de seus exercícios favoritos – diversos vídeos, inclusive, estão circulando por aí mostrando Harry correndo por ruas e parques da cidade de São Paulo. O curioso foi que ele também adotou esse estilo dentro dos palcos: montou uma gigantesca passarela por todo o gramado e percorreu por ela diversas vezes. Correndo, literalmente.
E não teve só música, interações em português e clima de boate. O astro pop mostrou humildade e carinho ao agradecer os fãs por o acompanharem desde sempre. “Todas as vezes que eu venho para o Brasil é incrível. É um prazer estar de volta. Obrigado por confiarem em mim e na minha música”. E ainda soltou: “Vocês mudaram a minha vida”. Em resposta, o público gritou bem alto: “Harry, eu te amo”.
O sinal era claro. Estava tudo muito planejado para que os fãs delirassem a cada minuto de show. Teve música surpresa (Matilda, do álbum de 2022), bandeira do Brasil com o rosto dele estampado e orquestra tocando trechos de One Direction – boy band britânica que deu nome à Styles e desmanchou há mais de 10 anos.
Uma longa pausa no final parecia que tudo tinha acabado, sem uma despedida à altura. Errado. Harry voltou ao palco para arrepiar e emocionar todo mundo que estava ali. O hit do início da sua carreira solo, Sign of The Times, de 2017, veio acompanhado de uma sequência de fogos e um sentimento bonito de nostalgia. Lágrimas escorreram e abraços apertados tomaram conta.
E, quando tudo já parecia entregue, veio o sobe som: “Come on, Harry, we wanna say goodnight to you” (“Vamos lá, Harry, queremos te dar boa-noite”, em português), frase icônica que inicia As It Was, música que acumula mais de 4,5 bilhões de reproduções no Spotify.
Microfone na mão e bandeira do Brasil amarrada nas costas, Harry se despediu do público, percorrendo todos os lados dos palcos, deixando a energia lá em cima e a sensação de que valeu a pena esperar quatro anos por um espetáculo como esse.
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