“Sim, estamos fazendo vibe coding”: Epic confirma uso de IA para programar Unreal Engine 6 e Fortnite
A Epic Games confirmou que usa ferramentas de inteligência artificial para escrever código e criar recursos para o Unreal Engine,...
Outer Space|Do R7

A Epic Games confirmou que usa ferramentas de inteligência artificial para escrever código e criar recursos para o Unreal Engine, incluindo o futuro Unreal Engine 6, o Unreal Editor for Fortnite (UEFN) e o próprio Fortnite. A confirmação veio de Marcus Wassmer, vice-presidente executivo de desenvolvimento da empresa, em
respostas enviadas ao site This Week in Videogames
.
"Como mencionamos na Unreal Fest de Chicago, no palco e em entrevistas, estamos definitivamente usando IA para desenvolver código e recursos para o Unreal Engine", afirmou Wassmer. Segundo ele, quase todo o desenvolvimento atual acontece nas linhas de trabalho ligadas a Fortnite, UEFN e UE6. O executivo disse que existe a "possibilidade" de uma versão 5.9 do Unreal Engine 5, que seria uma atualização "relativamente modesta" para sistemas específicos e também incluiria mudanças feitas com IA.
Questionado se a Epic faz "vibe coding", termo usado para a programação feita com ferramentas de IA a partir de instruções em linguagem natural, Wassmer foi direto: "Sim, estamos fazendo vibe coding. Isso significa que nossos engenheiros não estão mais escrevendo a maior parte do código, mas ainda estão guiando as ferramentas para chegar ao resultado de arquitetura que queremos. Não estamos criando o motor 'de uma só vez'; estamos iterando com a IA para entregar os recursos que os desenvolvedores querem e manter o motor dentro dos limites de memória, desempenho e escalabilidade."
As ferramentas mais usadas, de acordo com o executivo, são o Claude Code, da Anthropic, e o Codex, da OpenAI, com seus respectivos modelos. Wassmer listou o que considera ganhos recentes: a eliminação quase completa de bugs não determinísticos no processo de "cooking" (a preparação dos arquivos do jogo para cada plataforma), que a Epic combatia havia uma década, e a aceleração do trabalho de compressão de shaders. Segundo ele, as duas mudanças reduzem significativamente o tamanho das atualizações.
Ele também citou a reescrita de uma parte significativa da camada de renderização em D3D12. "Estimei que precisaria de três a seis semanas de trabalho de um único engenheiro, mas o trabalho foi concluído em cerca de uma semana, com um bom ganho de tempo de CPU e menos bugs", disse. A IA também estaria ajudando a manter e ampliar os testes internos do motor.
Outra frente é a estabilidade no PC. A Epic começou a monitorar automaticamente a estabilidade de Fortnite no PC, o que, segundo Wassmer, já detecta problemas ligados a combinações específicas de driver e hardware que antes levariam meses para ter a causa identificada. O sistema inclui análise automática da causa dos problemas e geração automática de correções, que "começaram a melhorar de forma mensurável" os problemas mais raros e difíceis de Fortnite e do Unreal Engine no PC.
O executivo afirmou ainda que a IA permite grandes refatorações de arquitetura que a equipe queria fazer havia tempo, mas que exigiam mudar milhares de arquivos de forma pequena e repetitiva e eram grandes demais para serem feitas à mão. A promessa é um motor "significativamente mais modular", com iteração mais rápida e a possibilidade de remover do Unreal Engine o que um jogo não precisa.
Sobre a reação de quem desconfia do uso de IA, Wassmer disse que a Epic está "mais preocupada com os riscos de avançar devagar do que com o ceticismo em relação à IA". Para ele, o desenvolvimento com IA "vai ser onipresente" em basicamente todo software, e a empresa não considera "viável adotar uma abordagem pela metade". A melhor forma de responder ao ceticismo, disse, é "pela qualidade dos jogos e das ferramentas".
Em uma
na terça-feira, Wassmer resumiu as respostas: "Sim, estamos usando IA no desenvolvimento do UE, e isso está ajudando em praticamente tudo". Em respostas posteriores a um usuário, disse esperar que o ritmo de entregas aumente "de forma perceptível" no começo do ano que vem, quando a equipe concluir parte do trabalho de base.
A discussão ganhou força no domingo (25), quando Tim Sweeney, CEO da Epic,
ao desenvolvedor Benji: "Sim, agora estamos usando ferramentas de IA para desenvolver código para o Unreal Engine". Benji havia perguntado se a IA já era usada no motor e lembrado que, no ano passado, Sweeney tinha respondido "não é verdade" quando ele sugeriu que jogos feitos em motores modernos teriam de declarar código gerado por IA na Steam.
A confirmação segue a guinada da Epic para a IA. Em outubro, a
que a empresa pediu às suas equipes um modelo de produção "AI first", e dias depois a Epic
lançou a prévia de um novo launcher
que ela própria descreveu como feito com vibe coding. Em junho, ao
, Wassmer já tinha escrito no
que a Epic havia liberado um uso amplo de geração de código e análise por IA nas equipes de engenharia. O UE6 deve unificar o UE5 e o UEFN em um único produto ao longo de dois anos.
O tema divide a indústria. Sweeney
na semana passada o aviso de uso de IA generativa exigido pela Valve na Steam. Já Peter Molyneux, criador de Fable,
que a indústria finge não usar IA, mas que hoje é "quase impossível" programar sem ela.















