Antonio Banderas protagoniza filme sobre destruição do planeta e afirma: "O homem não tem consciência"
Ator acredita que é preciso encontrar uma nova maneira de lidar com a Terra
Pop|Alicia G. Arribas, da EFE

Antonio Banderas entrou para o mundo da ficção científica do cinema com uma história profunda sobre a decomposição do ser humano, algo não tão impensável assim para o ator, que duvida que o homem moderno tenha a capacidade de parar para pensar, instigado pelo ritmo frenético das novas tecnologias. "O homem atual não tem consciência para melhorar o mundo para os que vierem depois dele e isso pode, eventualmente, levar à destruição do planeta e de nossa forma de viver", refletiu o ator e produtor de "Autómata" (ainda sem título no Brasil), filme dirigido por Gabe Ibáñez, em entrevista à Agência Efe em Madri.
Mesmo assim, Banderas afirmou estar otimista, porque está convencido de que precisa existir uma forma de se conscientizar.
— Precisa existir uma maneira das pessoas se organizarem e melhorarem a forma de gestão, para que ela seja mais justa e com mais sentido. Acontece que, vendo as notícias, me contradigo totalmente, porque o que vivemos é o oposto, e as novas tecnologias só aceleraram esses momentos, inclusive os maus, que vão a uma velocidade vertiginosa e fogem ao nosso controle: já não sabemos se poderemos controlar o monstrinho que criamos.
A conversa é nesse tom porque "Autómata" se enquadra na classificação de ficção científica mais tradicional.
— Diria que é ao estilo da ficção literária de Orson Welles ou Isaac Asimov. É uma provocação para a reflexão sobre o futuro. É um espelho que reflete as sociedades modernas.
O filme se desenvolve em um futuro no qual o que restou da humanidade vive intramuros em um mundo sem oceanos e se apoia em robôs domésticos para sobreviver. Banderas é Jacq Vaucan, um obscuro e triste agente de seguros que acaba por trair o gênero humano.
É uma co-produção com a Bulgária, onde foi rodado e que custou US$ 5,7 milhões, conseguidos através de contatos pessoais do ator: desde a produtora Millenium, passando pela voz de Javier Bardem para o primeiro robô que se dá conta que já não tem nada mais a aprender com os humanos, à sua ex-mulher, Melanie Griffith.
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