Em O Vendedor de Passados, Lázaro Ramos reescreve a história das pessoas e se apaixona por Alinne Moraes
Vicente constrói novas memórias para pessoas frustradas em filme de suspense
Pop|Ana Paula de Freitas, do R7


Você já pensou em apagar o seu passado e construir outra história da maneira que quiser? Vicente, sim. O personagem de Lázaro Ramos é O Vendedor de Passados, no filme dirigido por Lula Buarque de Hollanda.
Inspirado no livro homônimo do angolano José Eduardo Agualusa, o longa-metragem conta a história de Vicente, cuja profissão é construir novas e gloriosas histórias para pessoas frustradas, com a ajuda de fotos antigas e programas de edição de imagem. Após completar o serviço, o cliente ganha uma caixa com novas memórias e até um vídeo com seu passado reconstruído.
O Vendedor de Passados, que estreia na próxima quinta-feira (21), mistura drama, suspense, romance e comédia em uma só produção. O diretor Lula Buarque de Hollanda, inclusive, vê o filme como sua obra mais autoral, principalmente por fazer uma livre-adaptação do livro de Agualusa.
— Conversei com o Agualusa e expliquei que não seria um filme igual ao livro, mas sim uma adaptação da realidade de Angola para a do Brasil, com dramas que tenham relação com a gente, para aproximar ao brasileiro.
O protagonista de Agualusa se chama Félix e é albino — no Brasil, se chama Vicente e é negro. Contrapontos equivalentes em países com histórias diferentes.
Lázaro Ramos foi o primeiro a entrar no projeto com Lula Buarque de Hollanda. Leu o livro, se apaixonou pela história e ressaltou a importância das mudanças no filme.
— Tinham elementos impossíveis de reproduzir e trazer para a nossa realidade. E tentar corresponder às expectivas do livro no filme não dá certo. É bom assim porque a pessoa tem dois sabores diferentes: um ao ler o livro e outro, ao ver o filme.
Na história, Vicente se apaixona pela personagem de Alinne Moraes, que bate em sua porta com um pedido inusitado: quer ser uma mulher que tenha cometido um crime. A partir dali, a figura misteriosa — que não revela nem seu nome verdadeiro — intriga o vendedor de passados, que acaba se apaixonando por Clara ou quem quer que seja aquela pessoa.
Ao mesmo tempo, ele luta com questionamentos internos para descobrir o próprio passado, já que os pais adotivos nunca falaram a verdade sobre suas origens, como explica Lázaro.
— Eu tive que criar uma história que não está no filme. E trabalhar com a Alinne também era muito bom, porque ela me surpreendia todas as vezes no set. Às vezes, eu lia a fala dela de uma maneira no roteiro e, em cena, ela fazia de uma maneira completamente diferente. Eu pensava: "Quem é essa pessoa?".
Para Lázaro Ramos, o filme também é um reflexo da insatisfação das pessoas com suas vidas.
— É um questionamento: "Onde mora a verdade?". É um tema muito contemporâneo, que provoca uma reflexão sobre identidade, passagem do tempo, a vontade de viver outra vida. O Brasil, por exemplo, é um dos países com maior índice de cirurgias plásticas. E isso quer dizer alguma coisa, as pessoas não estão satisfeitas com quem elas são.
Ao propor a reconstrução da história de qualquer pessoa, O Vendedor de Passados promove uma reflexão sobre a sociedade atual, na qual o "parecer" sobrepõe o "ser". E também levanta a questão: onde mora a verdade? E, como diz a misteriosa Clara, você acredita em tudo que te dizem?
Assista a um trecho exclusivo do filme O Vendedor de Passados:

