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Regina Casé volta ao cinema e faz o público rir em comédia sobre invasão chinesa ao mercado do Saara

Com Juliana Alves, filme mostra dia a dia em região de lojas populares

Pop|Nathalia Ilovatte, do R7

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Regina interpreta Francis, vendedora em uma loja do Saara
Regina interpreta Francis, vendedora em uma loja do Saara

Toda grande cidade do Brasil tem uma região de comércio popular meio tumultuada, com vendedores gritando as ofertas na rua, música alta e preços bem acessíveis. Em São Paulo esse lugar é a rua 25 de Março, e no Rio de Janeiro é o Saara, que virou o cenário principal da comédia nacional Made in China.

Protagonizado por Regina Casé e com Xande de Pilares, Juliana Alves e Otávio Augusto no elenco, o filme conta a história de uma vendedora da Casa São Jorge, loja de presentes do árabe Seu Nazir, que vê seu trabalho ameaçado quando, do outro lado da rua, uma família chinesa abre uma loja que vende os mesmos produtos, por preços muito mais baixos. Vivida por Regina Casé, Francis fica incomodada com a concorrência e decide investigar como é possível que uma caixa de lâmpadas de Natal custe apenas R$ 1,99.


Para desvendar o mistério, conta com a ajuda de Carlos Eduardo, um vendedor interpretado por Xande de Pilares com quem Francis tem um rolo, mas não quer saber de relacionamento sério. Independente e dona do próprio nariz, ela curte um samba depois do expediente, paga as próprias contas e não quer saber de homem assaltando a geladeira e roubando o último iogurte.

Em entrevista, Regina Casé explicou que Francis faz parte de uma nova geração de mulheres que não querem saber da vida de rainha do lar.


— A minha personagem é a velha guarda de uma nova geração que não quer ficar em casa lavando cueca de marido, não quer casar, quer se divertir, ir para o samba e ser a dona do controle remoto.

Em Made in China, Xande mostra suas habilidades como ator pela primeira vez, e convence no papel do vendedor que mexe com as meninas que passam na calçada e está sempre duro, fingindo que esqueceu a carteira na hora de pagar a conta do bar. O músico se identificou com o personagem Carlos Eduardo porque, antes da fama, também trabalhou no comércio.


— Tive que fazer uma viagem no tempo e resgatar o Alexandre que saía para trabalhar para botar um tênis no pé.

O diretor, Estevão Ciavatta, começou a planejar o filme há dez anos, e a ideia inicial era mostrar o Saara como um lugar em que judeus e árabes vivem em perfeita harmonia. Mas, cada vez que a equipe voltava ao local, a região tinha ganhado novos comerciantes chineses. A primeira reação da equipe, segundo Regina, foi negativa.


— A gente pensava ‘poxa, estragaram o filme’.

Depois, perceberam que para mostrar como é o Saara, era preciso incluir os comerciantes chineses na história. E foi aí que o projeto virou Made in China.

— Eu falo mal deles o tempo todo no filme. Pode ser encarado como um preconceito, mas acho que é uma reação infantil ao que é novo e desconhecido. E a partir da metade do filme isso se reverte em interesse mútuo.

Mesmo com o desentendimento entre os comerciantes e o risco da loja de seu Nazir fechar, o filme tem um clima descontraído e faz piada com todo mundo: árabes, judeus, chineses e os frequentadores das regiões de comércio popular do Brasil. Regina Casé ficou até com medo de ofender.

— Vocês acham que a gente pegou muito pesado com os chineses?

Mas Ciavatta explicou que essa gozação com diferentes povos e culturas faz parte do humor, e o que poderia haver de mais pesado na história, eles optaram por deixar de fora do filme.

— Acho que, dentro dessa história, o assunto mais delicado seria a origem dos produtos chineses. Mas falar disso não caberia ali, seria para um suspense, um drama ou um filme policial.

Made in China é um longa leve e passa longe de questões densas como a mão de obra barata oriental. O roteiro é simples e lembra os núcleos populares e suburbanos das novelas. A morena gostosona, a cervejinha no bar e o malandro de origem humilde que leva tudo no bom humor e sempre dá o “jeitinho brasileiro” estão presentes, compondo uma comédia para toda a família.

Mesmo quem nunca esteve no Saara vai se identificar com as situações cotidianas que permeiam a trama, como a loucura da ruas de comércio em datas comemorativas, as festas de rua que reúnem as classes sociais mais diversas e a mistura de culturas e origens que compõe a população brasileira.

Luís Lobianco interpreta Peri, filho de seu Nazir, e Juliana Alves é Andressa, a periguete colega de trabalho de Francis. Made in China também tem Tony Lee, Yili Wang e Liú Wang no elenco, e chega aos cinemas nesta quinta-feira (06).

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