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Direto dos Data Centers para os streamings: A inteligência artificial entrou no K-pop de vez?

O lançamento do boygroup muuo:23 reacende o debate sobre o espaço da IA no entretenimento

Aqui na Coreia|Marina BarrosOpens in new window e Milena AraujoOpens in new window

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muuo:23 Divulgação/muuo:23

O K-pop acaba de dar mais um passo rumo ao futuro com a chegada do muuo:23. Produzido pela sul-coreana Creation Zipup com ferramentas de IA generativa - que utiliza aprendizado profundo (deep learning) para produzir conteúdo - o quinteto fez seu pré-debut com a faixa-título “OVERSHOOT” e o B-side “Nectar”.

A novidade traz um detalhe revolucionário: o grupo é formado por cinco “integrantes” (TAEWON, HAMIN, YEONWOO, I-HYUN e SEI) totalmente virtuais. O videoclipe de “OVERSHOOT” foi desenvolvido do zero por IA, sem cenários reais, atores em estúdio ou câmeras gravando.

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Para sustentar a proposta, a empresa apostou em um conceito denso de ficção científica: os membros são “observadores” do século 23 enviados a 2026 para estudar e resgatar sentimentos humanos perdidos no futuro, utilizando a música e o universo dos idols como laboratório.

Além do lançamento nas plataformas de streaming, o projeto inclui um ecossistema transmídia completo, com webnovel, photocards digitais e um aplicativo proprietário que promete chats interativos via IA para que os fãs “conversem” com os integrantes.

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O ecossistema dos avatares no Pop Coreano

Mas o muuo:23 não surgiu do absoluto nada. A indústria musical sul-coreana já vinha experimentando modelos virtuais há anos, aperfeiçoando a integração entre seres humanos, tecnologia 3D e inteligência artificial:

MAVE: (2023)

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Criado pela Metaverse Entertainment, o girlgroup hiper-realista alcançou milhões de ouvintes no Spotify e dezenas de milhões de visualizações no YouTube com “Pandora”. Suas integrantes chegaram a se “apresentar” em programas de TV tradicionais e participar de desafios de dança no TikTok, combinando síntese de voz por IA e dubladoras humanas.

SUPERKIND (2022)

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Adotou um formato híbrido, colocando integrantes de carne e osso dividindo palco, ensaios fotográficos e coreografias sincronizadas com membros computadorizados (SAEJiN e Seung).

aespa (2020)

Sim, por incrível que pareça. O aespa foi pioneiro em escala global no uso do conceito de multiverso, onde quatro integrantes humanas performaram ao lado de seus avatares digitais (ae-Aespa).

PLAVE (2023)

Um dos maiores sucessos de vendas recentes no segmento virtual. Diferente dos grupos criados exclusivamente de IA, o PLAVE utiliza tecnologia de captura de movimento (motion capture) em tempo real, onde artistas humanos performam por trás das identidades digitais.

A pergunta que não quer calar: Inovação sem limites ou ameaça à essência artística?

A ascensão de grupos criados por computador escancara as duas faces de uma transformação inevitável no mercado de entretenimento:

As vantagens para a indústria

Para os estúdios e agências, ídolos virtuais eliminam barreiras físicas operacionais. Não há desgaste por agendas exaustivas, problemas de saúde mental, fadiga por treinamentos contínuos ou riscos contratuais decorrentes de escândalos pessoais. Além disso, um grupo virtual pode, em teoria, “realizar” apresentações simultâneas em fusos horários opostos e interagir em múltiplos idiomas sem limitações físicas.

A divisão do público e a busca pela autenticidade

No entanto, a recepção entre os ouvintes continua profundamente dividida. Nas redes sociais e no YouTube, o lançamento do muuo:23 acumulou reações opostas: enquanto parte dos fãs elogia a qualidade da produção e as possibilidades narrativas, outra parcela critica a falta de calor humano e o distanciamento emocional.

O grande motor do K-pop sempre foi a conexão parassocial, a identificação com o esforço, a vulnerabilidade e a trajetória dos trainees até o topo das paradas. Quando o talento é sintetizado por algoritmo, a música se torna um produto impecável, mas corre o risco de perder a imperfeição orgânica, a identidade própria que gera empatia real.

À medida que plataformas digitais passam a exigir sinalizações para faixas 100% sintetizadas e testam filtros para bloquear conteúdo gerado por IA, o mercado se prepara para uma coexistência inevitável.

Artistas de IA vão continuar ocupando espaço e abrindo novas vertentes no entretenimento digital, mas a verdadeira prova de fogo será entender se um algoritmo consegue transmitir algo que a tecnologia ainda não aprendeu a emular por completo: a alma humana.

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