Um dos maiores da MPB, Benito di Paula também influenciou o pagode romântico
Cantor, compositor e pianista morreu aos 84 anos e revolucionou o gênero ao unir samba, romantismo e influências latino-americanas
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A música popular brasileira perdeu neste domingo (18), um de seus artistas mais importantes. Benito di Paula, cantor, compositor e pianista que marcou profundamente as décadas de 1970 e 1980, morreu aos 84 anos, em São Paulo, após enfrentar um câncer de próstata.
Sua partida encerra uma trajetória de mais de cinco décadas, construída com sucessos que atravessaram gerações e ajudaram a transformar a sonoridade do samba brasileiro.
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Nascido Uday Vellozo, em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Benito desenvolveu uma identidade musical singular. Autodidata, iniciou sua trajetória profissional como cantor de boates, experiência que seria fundamental para a construção de seu estilo. Foi nesses ambientes que aperfeiçoou sua maneira de tocar piano, transformando o instrumento em uma espécie de extensão da percussão tradicional do samba.
Sua grande contribuição à música brasileira foi justamente a capacidade de aproximar diferentes linguagens musicais. Benito incorporou ao samba elementos do bolero, do romantismo popular e de ritmos latino-americanos, criando uma sonoridade imediatamente reconhecível. Embora frequentemente associado ao chamado samba-joia, classificação que rejeitava, preferia definir sua música de maneira mais abrangente, destacando suas referências cubanas e latino-americanas.
As influências que moldaram a carreira do artista
Entre suas principais influências estava Ataulfo Alves (1909-1969), compositor fundamental da história do samba. Benito reconhecia a importância de sua obra, especialmente pela maneira de combinar melodias populares, narrativas sentimentais e ritmos brasileiros. O bolero e o chá-chá-chá também contribuíram para sua formação, enquanto o contato com diferentes repertórios nas casas noturnas ampliou sua versatilidade.
Sua discografia começou a ganhar consistência com o álbum Benito di Paula, lançado em 1971 pela gravadora Copacabana. O trabalho reunia composições próprias e interpretações de artistas como Roberto Carlos, Tim Maia e Chico Buarque, demonstrando a diversidade musical que caracterizaria sua carreira. Em 1972, lançou Ela, ampliando sua presença no mercado fonográfico.
A consagração nacional chegou em 1973, com Retalhos de Cetim, composição que se transformou em um dos maiores clássicos do samba brasileiro. A canção, marcada pela narrativa de uma desilusão amorosa durante o Carnaval, conquistou enorme popularidade e recebeu interpretações de artistas como Jair Rodrigues (1939-2014), além de versões instrumentais internacionais.
Os clássicos
Nos anos seguintes, Benito estabeleceu uma impressionante sequência de sucessos. Charlie Brown, Mulher Brasileira, Beleza Que É Você, Mulher, Se Não For Amor, Como Dizia o Mestre, Bandeira do Samba, Vai Ficar na Saudade, Tudo Está no Seu Lugar, Do Jeito Que a Vida Quer, Assobiar e Chupar Cana e Proteção às Borboletas consolidaram sua posição entre os grandes vendedores de discos dos anos 1970.
A importância de Benito naquele período ultrapassou as paradas musicais. Seu piano de execução percussiva, acompanhado por arranjos envolventes e interpretações intensas, ajudou a estabelecer uma ponte entre o samba tradicional e uma linguagem romântica que encontraria novos representantes nas décadas seguintes.
Durante os anos 1980, sua presença permaneceu significativa. Em 1981, alcançou novo sucesso com Ah! Como Eu Amei, enquanto Amigo do Sol, Amigo da Lua, lançada em 1984.
Pós auge comercial e trabalho com o filho Rodrigo Vellozo
Mesmo após o auge comercial, Benito continuou gravando. Entre seus trabalhos posteriores destacam-se Baileiro (1996), A Felicidade É Nossa (2017) e O Infalível Zen (2021), este último realizado em parceria com seu filho, o músico Rodrigo Vellozo.
Sua influência também pode ser percebida no desenvolvimento do pagode romântico, especialmente pela valorização dos teclados, das melodias sentimentais e da aproximação entre samba e música popular de grande alcance.
Em 2025, sua trajetória recebeu uma homenagem da escola de samba Águia de Ouro, no Carnaval de São Paulo, reconhecimento à importância de uma obra que permanece viva no imaginário brasileiro.
Benito di Paula deixa muito mais do que uma coleção de sucessos. Seu legado representa a liberdade de reinventar o samba sem abandonar suas raízes, aproximando tradição, romantismo e experimentação.
Sua música continuará presente na memória afetiva de milhões de brasileiros e na história de um gênero que ele ajudou a transformar
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