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Quase 40% das músicas lançadas neste ano já contam com o uso de inteligência artificial

Levantamento realizado pela SubmitHub analisou um grande volume de lançamentos em 2026

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Quase 40% das músicas lançadas neste ano já contam com o uso de Inteligência Artificial Foto: Domínio Público

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma possibilidade para o futuro da indústria musical. Ferramentas capazes de criar vozes, instrumentos, arranjos e até músicas completas já fazem parte da rotina de uma parcela dos produtores e artistas, criando um cenário no qual identificar os limites entre produção humana e conteúdo gerado por algoritmos se tornou cada vez mais complexo.

Um recentemente levantamento realizado pela SubmitHub, plataforma conhecida por conectar artistas independentes a curadores, analisou um grande volume de lançamentos e identificou uma presença significativa de inteligência artificial nas músicas verificadas por seu sistema.


Segundo os dados apresentados pela plataforma, 38,5% das faixas analisadas em determinado período apresentaram algum nível de envolvimento de IA. O resultado chama atenção para a velocidade com que essas tecnologias estão sendo incorporadas à produção musical.

IA aparece em diferentes etapas da produção

Os dados da SubmitHub também ajudam a demonstrar que falar simplesmente em “música feita por IA” pode ser insuficiente para descrever o fenômeno.


De acordo com a análise, 23,2% das músicas verificadas foram classificadas como integralmente geradas por inteligência artificial. Outros 15,3% dos conteúdos apresentaram indícios de áudio originado por IA, mas posteriormente trabalhado por pessoas.

Essa segunda categoria evidencia um modelo híbrido de produção que pode se tornar cada vez mais frequente. Um músico pode, por exemplo, utilizar inteligência artificial para criar determinado elemento e posteriormente modificar, reorganizar, mixar ou incorporar esse material a uma composição convencional.


A tecnologia, portanto, não aparece necessariamente como substituta do músico. Em muitos casos, ela funciona como mais uma ferramenta dentro de um processo criativo conduzido por pessoas.

Plataforma cria ferramenta para detectar IA

Para acompanhar o crescimento desse tipo de conteúdo, a SubmitHub desenvolveu o SH Labs, ferramenta destinada à identificação de possíveis elementos produzidos por inteligência artificial em gravações musicais.


A iniciativa demonstra como o crescimento da música gerada por algoritmos está criando também um mercado para tecnologias capazes de identificar sua utilização.

Esse movimento pode se tornar particularmente importante para plataformas de streaming, curadores, distribuidoras e gravadoras. Conforme aumenta a quantidade de conteúdos produzidos ou modificados com inteligência artificial, cresce também a discussão sobre transparência.

O ouvinte precisa saber quando uma música utiliza IA?

Jason Grishkoff, fundador da SubmitHub, defende que o público deveria ter condições de decidir se deseja consumir músicas geradas por inteligência artificial.

“As pessoas devem poder decidir por si mesmas se querem ou não interagir com músicas geradas por IA”, declarou ele, conforme reportado pela MixMag.Net.

Essa discussão pode ganhar importância semelhante àquela observada em outras áreas da indústria digital. Assim como consumidores querem conhecer determinadas características dos produtos que compram, parte do público poderá exigir informações sobre a origem das músicas que escuta.

Artistas negam o uso de IA nas músicas

Um dos dados divulgados pela SubmitHub torna esse debate ainda mais complexo. Segundo a plataforma, 31% dos artistas cujas músicas foram identificadas pelo sistema como contendo elementos de inteligência artificial negaram ter utilizado a tecnologia.

Existem diferentes explicações possíveis para essa divergência. Ferramentas de detecção podem apresentar limitações, enquanto determinados softwares utilizados durante a produção musical podem incorporar recursos de inteligência artificial sem que o usuário tenha plena consciência da extensão dessa participação.

O futuro poderá ser de produção híbrida

A discussão sobre inteligência artificial na música provavelmente não será resumida a uma disputa entre humanos e máquinas.

A tendência é que existam diferentes níveis de participação tecnológica. Algumas músicas poderão ser integralmente criadas por sistemas generativos, enquanto outras utilizarão IA apenas em etapas específicas, como restauração de áudio, separação de instrumentos, masterização, criação de efeitos ou desenvolvimento de ideias.

Nesse cenário, autoria e transparência se tornam questões centrais.

A indústria precisará estabelecer maneiras de diferenciar uma obra inteiramente criada por algoritmos de uma gravação na qual um artista utilizou inteligência artificial apenas como ferramenta complementar.

O avanço identificado pela SubmitHub demonstra que essa discussão já deixou o campo das previsões. A inteligência artificial está presente na produção musical e deverá ocupar um espaço cada vez maior. Contudo, o desafio agora será estabelecer regras que permitam aproveitar as possibilidades criativas da tecnologia sem eliminar a transparência sobre como determinada obra foi produzida.

Para artistas, gravadoras, plataformas e ouvintes, a pergunta deixa de ser se a inteligência artificial fará parte do futuro da música. A questão passa a ser qual será o papel reservado a ela — e como a participação humana continuará sendo reconhecida dentro dessa nova realidade.

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