Xande de Pilares relembra saída do Revelação e início de carreira solo: ‘Dormia chorando’
Cantor volta a se apresentar com o grupo de pagode na turnê ‘Tava Escrito: O Reencontro Histórico’
Blog da Thaís Sant'Anna|Carol Malheiro, do R7*
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Após 12 anos da saída do Revelação, Xande de Pilares vai voltar a integrar um projeto especial com o grupo. A turnê Tava Escrito: O Reencontro Histórico vai cruzar o país em celebração aos 30 anos do conjunto, que foi um dos precursores do samba e do pagode no Brasil.
Em entrevista exclusiva ao blog, o cantor relembrou as dificuldades na decisão de seguir carreira solo e de recomeçar na música após ser o vocalista do grupo por 20 anos.
“Eu me preparei para enfrentar o caminho que eu escolhi para traçar. É como se você estivesse caminhando e chegasse a um lugar que tem um precipício, e lá do outro lado tem mais chão para andar. Passei por coisas que você não imagina. Quando eu cantava num botequim para 30 pessoas era comum no início. No reinício, não era comum. Porque a gente já tinha passado por aquele processo ali.”
Era desesperador. Eu sempre saía chorando, eu dormia chorando, acordava chorando, mas, ao mesmo tempo, eu lembrava do botequim lá do Varandão, eu lembrava da tendinha do Bilíco lá na Águia de Ouro, falei: ‘Espera aí, eu já toquei na tendinha do Varandão’. Então, não tem problema não, eu já tenho aquilo como referência.
Para o Revelação também não foi fácil a separação de Xande. Integrante remanescente do conjunto, Mauro Júnior contou que o recomeço foi uma confusão, mas que, com o tempo, o grupo conseguiu uma maturidade para lidar com a situação.
“Convivência é difícil, seis pessoas no Revelação. Mas nunca houve quem manda, quem desmanda. Sempre foi uma democracia. Houve a separação do Xande, mas, no primeiro momento, é aquela confusão mesmo de qualquer separação. Mas o importante é que o Revelação decidiu não parar, o Xande decidiu não parar. Todo mundo seguiu para um lado, e chegamos até aqui, onde estamos hoje, o Xande com um Grammy Latino nas costas, onde ninguém acreditava em nada disso. Esse reencontro é mais uma comemoração de termos conseguido vencer todas as dificuldades que nós passamos depois de ter tanto sucesso.”
Xande e o sobrinho dividem os vocais
A turnê também vai celebrar a nova geração do samba e contará com a parceria de Xande de Pilares e o sobrinho, Jonathan Alexandre, conhecido como Mamute, ao lado da formação original do conjunto — Mauro Júnior (banjo), Rogerinho (tantã), Beto Lima (violão), Sérgio Rufino (pandeiro) e Artur Luis (reco-reco). Mamute assumiu os vocais do Revelação no final de 2018 e está seguindo os passos do tio.
“Meu sobrinho está podendo dar a contribuição dele de uma forma maior. O Revelação merece esse momento que vai viver, porque teve muita coisa que a gente poderia ter vivido que a gente vai poder viver agora”, disse Xande.
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Influência das redes na música: ‘Não cabe na nossa cabeça’
Fundado na década de 1990, o Grupo Revelação passou por várias fases da música, mas ainda assim não abandonou a essência principal das rodas de samba e as composições densas sobre superação, otimismo e cultura de rua.
Com um novo estilo musical se popularizando por influência das redes sociais e da alta demanda de produção, Mauro Júnior explica que as plataformas digitais ainda continuam sendo uma novidade para o Revelação, apesar das exigências do mercado.
“A gente não consegue lidar com isso. É uma parada que não cabe na nossa cabeça. Mesmo com essa dificuldade que a gente tem com a rede social, a gente consegue se manter aí no mercado porque a galera curte o nosso som mesmo, tanto a galera da antiga quanto os jovens que estão descobrindo o Revelação pelas plataformas e por ouvir pai, mãe, avó falarem da gente. Mas a gente está tentando se adaptar, só não dá para fazer dancinha no TikTok”, comentou entre risos.
Xande ressaltou que agora, com o imediatismo do sucesso e pressão por novas músicas, o peso acaba recaindo na desvalorização do trabalho do artista.
“As pessoas não conseguem mais ouvir uma playlist inteira, não têm mais paciência. Por mais real que seja para a época, não é legal para o artista, porque o cara é conhecido mais pelo número [de ouvintes] do que pelo trabalho dele. E vai chegar uma hora em que você vai frustrar o artista. Eu gostaria muito e sonho ainda que a música seja o ponto alto da coisa toda. Porque o que sustenta uma carreira é o trabalho. Mas não é um trabalho com pressa, é um trabalho com calma, para a gente mostrar por que aquela música foi feita, o que a mensagem ela música diz.”
*Sob supervisão de Thaís Sant’Anna
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