‘Vingadora’ tenta equilibrar crítica social e ação, mas falha nos dois casos
Filme, que estreou no Brasil na última semana, esbanja cenas sangrentas, mas é raso na denúncia
Cine R7|Bianca Altero*
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Vingadora, novo filme de ação de Milla Jovovich que chegou aos cinemas brasileiros na última semana, acerta em tratar um tema atual: o tráfico de pessoas. Mas o longa falha nas duas coisas a que se propõe: as cenas de ação e a profundidade da sua crítica social.
No filme, acompanhamos a jornada desesperada de Nikki (Milla Jovovich), uma ex-militar que retorna ao lar após a morte do marido para cuidar da filha, Chloe (Isabel Myers). O que deveria ser um recomeço familiar transforma-se em um pesadelo quando a jovem é sequestrada pelo ‘Sindicato’ — uma organização obscura voltada ao tráfico humano.
O crime é usado como pano de fundo para a ação, deixando a violência escancarada. A obra se propõe a ser uma denúncia, mas é totalmente apagada por cenas sangrentas e até sem sentido.
Ao abordar o tema de tráfico de pessoas, Vingadora passa a ter um tom mais sério. Mas ele é tratado de uma forma muito rasa. O que deveria ter sido uma grande crítica social se torna clichê ao mostrar o sequestro de mulheres com uma visão essencialmente masculina, devido à direção de Adrian Grunberg.
O diretor é o mesmo de Rambo: Até o Fim, o que já mostra o apreço pelo excesso de violência e a mão pesada nas cenas de ação. Claramente falta sensibilidade para Grunberg. As vítimas em Vingadora são negligenciadas. Em nenhum momento o filme se preocupa em transmitir o terror que as mulheres sequestradas estão sentindo.
Já as sequências de ação se apoiam no estilo gore, com muitas cenas agonizantes. Os momentos de tensão e adrenalina são apagados por uma “chuva de sangue”, o que acaba desumanizando ainda mais a história.
Vingadora também tem um problema com os seus vilões. O homem que deveria ser o “chefão” do tráfico é tratado como se fosse só mais um. Enquanto um antagonista secundário tem muito mais presença de tela e traz aquela sensação de medo que esse tipo de personagem deveria ter.
Para piorar, o filme força no final um plot twist mal construído e sem criatividade. Talvez pela pressa de rodar a história em pouco mais de 1h30, tempo insuficiente para abraçar a complexidade do tema. O resultado é uma narrativa corrida, com tópicos mal explicados e uma finalização que parece ter sido esquecida.
Entretanto, Vingadora não é um desastre completo. A presença de Milla Jovovich é um acerto em cheio. A estrela da franquia Resident Evil brilha tanto nas cenas de ação quanto no drama. É possível sentir a mistura de sentimentos — raiva, tristeza e vingança — que a personagem está passando.
Vingadora também vai bem quando usa uma estética de documentário, principalmente no início, trazendo uma proximidade maior com o público. Seria um bom caminho a ser seguido.
Com uma ótima protagonista e um tema atual e preocupante, o filme deveria ter um contato mais direto com o telespectador, trazendo essa pauta como uma forma de denúncia, mas preferiu se perder em sua própria violência, sem entregar a ação que parte do público queria.
*Sob supervisão de Lello Lopes
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