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Cinema de Segunda

Brasil já ganhou um Oscar de Melhor Filme Internacional, mas estatueta ficou com a França; entenda

‘Orfeu Negro’ levou o prêmio em 1960, mas franceses ficaram com a glória

Cinema de Segunda|Lello LopesOpens in new window

Breno Mello: jogador do Fluminense e protagonista de 'Orfeu Negro', filme ganhador do Oscar Reprodução

Ainda Estou Aqui pode se tornar neste domingo (02) o primeiro filme brasileiro a conquistar um Oscar de Melhor Filme Internacional. Pelo menos oficialmente. A verdade é que o país já venceu essa categoria, mas a estatueta acabou ficando com a França.

Em 1960, Orfeu Negro ganhou a tradicional Palma de Ouro do Festival de Cannes e o Oscar de Melhor Filme Internacional (que na época ainda se chamava Melhor Filme Estrangeiro). Baseado em uma peça teatral de Vinícius de Moraes, é falado em português e foi gravado no Rio de Janeiro, com elenco brasileiro.

Entretanto, nas premiações ele concorreu pela França, uma vez que foi dirigido por um diretor francês, Marcel Camus, e co-produzido entre o Brasil, a França e a Itália.

A história, que adapta a peça Orfeu da Conceição, de Vinícius, traz o mito grego de Orfeu e Eurídice para uma favela do Rio de Janeiro durante o Carnaval. O protagonista é interpretado por Breno Mello, na época jogador do Fluminense. O atleta também teve passagens por Corinthians e Santos, onde jogou ao lado de Pelé.


O filme também contou com outro atleta no elenco: Adhemar Ferreira da Silva. Bicampeão olímpico, o maior nome do esporte do Brasil na época fez uma participação especial como a Morte no longa.

O grande destaque fica para a trilha sonora, composta por Tom Jobim e Luiz Bonfá. Foram compostas para o filme algumas músicas emblemáticas, como Manhã de Carnaval e A Felicidade.


Se o coração do filme é todo brasileiro, a parte técnica ficou a cargo da França. Camus, além de dirigir, escreveu o roteiro ao lado de Jacques Viot. Fotografia, edição e direção de arte, por exemplo, foram feitos por gringos.

Curiosamente, o maior concorrente de Ainda Estou Aqui no Oscar de 2025 é outro filme da França com jeitão estrangeiro. O longa de Walter Salles disputa a estatueta com Emilia Pérez, dirigido por um francês, Jacques Audiard, mas falado em espanhol, passado no México e com elenco principal formado por duas norte-americanas e uma espanhola.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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