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Green Day faz show contido no Super Bowl e desiste de crítica a Trump em música

Banda tocou versão de ‘American Idiot’ sem referência ao MAGA, slogan de Trump, como bancaram em apresentação recente

Essa eh do Rock|Antonio De PauloOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Green Day se apresentou no Super Bowl LX com um medley de quatro canções, incluindo "American Idiot".
  • A banda evitou críticas diretas ao governo Trump durante a apresentação transmitida, embora tivesse feito em eventos anteriores.
  • Donald Trump expressou descontentamento com a escolha da banda e sua apresentação, além de criticar o show de Bad Bunny no intervalo.
  • O Green Day é reconhecido por sua postura política, especialmente desde o lançamento de "American Idiot" em 2004, atacando questões sociais e figuras conservadoras.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Baterista Treé Cool faz careta para a câmera após Billie Joe cantar “The subliminal mind-fuck America”, verso de 'American Idiot' Reprodução/YouTube/@GreenDay

Time of Your Life, Holiday, Boulevard of Broken Dreams e American Idiot. Um medley destas canções foi a escolha do Green Day para a apresentação de abertura da final do Super Bowl, que aconteceu neste domingo (8), em Santa Clara, na Califórnia, nos Estados Unidos.

O Super Bowl é o jogo final do campeonato da NFL, a liga de futebol americano profissional dos EUA (visto lá como um “feriado nacional não oficial”). A apresentação de abertura representa um momento simbólico e patriótico em um evento de audiência massiva e alcance global — com forte senso de comunidade e tradição e alto valor econômico e publicitário.


No término da apresentação da banda de abertura, acontece o cântico do hino nacional americano. Essa tradição de nacionalismo inerente ao Super Bowl posiciona o evento como um dos mais importantes na agenda conservadora patriótica nos EUA.

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Desde 2004, com o lançamento do álbum American Idiot, o Green Day adota uma postura explicitamente política. De uma crítica focada na era Bush, para um ataque mais amplo a questões sociais modernas e figuras do conservadorismo atual.


Nos últimos anos, Billie Joe Armstrong tornou-se um crítico ferrenho de Donald Trump, frequentemente alterando a letra de American Idiot de “redneck agenda” para “MAGA agenda” em shows (MAGA é “Make America Great Again”, slogan de Trump).

Em apresentações recentes, como nos eventos que cercaram o Super Bowl LX (2026), a banda criticou duramente a agência de imigração dos EUA, o ICE, chegando a pedir que os agentes pedissem demissão.


Durante a Super Bowl Weekend, no The FanDuel Party Powered by Spotify, em um evento exclusivo para convidados na noite de sexta-feira (6), em São Francisco, Billie Joe Armstrong interrompeu o show para enviar uma mensagem aos agentes do ICE.

“Peçam demissão desse emprego de merda”, disse o músico. Ele afirmou que políticos como Donald Trump, J.D. Vance e Stephen Miller iriam descartá-los “como um mau hábito” no futuro. A fala foi motivada por operações recentes do órgão em cidades como Minneapolis. E vale lembrar que a FanDuel é uma das parceiras oficiais de apostas esportivas da NFL.


No show em São Francisco, ele cantou abertamente “I’m not a part of the MAGA agenda” em American Idiot e trocou versos de Holiday para referenciar a “ilha de Epstein”.

Donald Trump reclamou publicamente da escolha do Green Day. Em entrevista ao New York Post em janeiro de 2026, Trump classificou a seleção dos artistas como uma “escolha terrível” e afirmou ser “contra eles”.

Trump confirmou que não compareceria ao Super Bowl LX no Levi’s Stadium. Embora tenha citado a longa distância de Washington até a Califórnia como o motivo oficial, ele enfatizou seu descontentamento com as atrações musicais.

Outro foco das críticas de Trump foi a escolha do cantor porto-riquenho Bad Bunny para o show do intervalo. Em sua rede social, descreveu os shows de abertura como “absolutamente terrível” e uma “afronta à grandeza da América”.

O que mais o revoltou foi o show de Bad Bunny ter sido majoritariamente em espanhol. “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo”, reclamou Trump. Inclusive, durante a apresentação, Bad Bunny citou o Brasil e demais países da América Latina.

Por que o Green Day tocou?

O Green Day foi formado em 1987 (inicialmente com o nome Sweet Children) em East Bay, uma região da área da baía de São Francisco, na Califórnia.

Como o jogo foi realizado no Levi’s Stadium, na Califórnia, a NFL escolheu o Green Day para honrar suas raízes na Bay Area (a banda se formou na região de East Bay/Berkeley). Durante a apresentação, Joe Montana, Jerry Rice e Tom Brady, lendas californianas do futebol americano, subiram no palco e ficaram ao lado da banda.

Green Day afinou na final?

Ao contrário do show de sexta (6), no The FanDuel Party Powered by Spotify, a banda optou por uma performance mais contida na transmissão oficial da NBC, evitando alterar letras para atacar o movimento MAGA ou o ICE, como haviam feito em um show privado dois dias antes.

Mesmo “contida”, a banda foi censurada pela transmissão oficial em American Idiot, no trecho “The subliminal mind-fuck America”. A NBC silenciou o áudio da palavra explícita para os espectadores em casa.

No estádio, o público ouviu a letra completa e reagiu com gritos. Na transmissão, “a cena corre” para o baterista Tré Cool, que faz uma careta para a câmera.

Qualquer passo, além dali, seria alvo de cortes. A banda sabia. Tudo foi intencional.

O Green Day também sabia que estar presente em uma agenda que simboliza a mais nata tradição americana já era um duro golpe para o alvo de suas críticas.

Há corridas que vencemos chegando em primeiro lugar. Outras, as completando.

Eu queria que essa apresentação fosse igual ao último show do Textículos de Mary, marcado pelo confronto direto com a autoridade, som cortado durante a apresentação e tentativa de prisão dos músicos por desobediência, ultraje ao pudor e vilipêndio a símbolo religioso.

Mas o Green Day não é isso. Nem é pra isso. É comercial. É tão comercial que é dono do American Idiot (2004), considerado o último “fenômeno global” do rock por ter dominado as paradas, a MTV e o debate político simultaneamente — com 23 milhões de cópias vendidas em todo o mundo até 2024. Comercial e politizado, há vinte anos discursando contra governos do partido republicano.

Então... se é para estar lá... se é para completar o show... que seja como o Nirvana na premiação da VMA em 1992, quando foram terminantemente proibidos pela MTV de tocar Rape Me.

Kurt Cobain concordou tocar Lithium, mas, assim que as câmeras ligaram para o mundo todo, ele começou a dedilhar os acordes de Rape Me e cantou os primeiros versos.

Os diretores da MTV quase cortaram para o comercial, mas, após alguns segundos, Kurt deu uma risadinha e mudou para Lithium. Foi uma “trolagem” épica para mostrar que ele não seguia ordens.

No Super Bowl, tudo foi mais artificial. Para o público, ficou a tensão do “MAGA Agenda”. O discurso de palco ficou na tensão.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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