Família empresta sofá para amigo e perde a casa

Ao acolher amigo desempregado, donos de imóvel perdem espaço pouco a pouco até serem despejados da própria casa

Desempregado pede para dormir no sofá da família e acaba ficando com casa

Desempregado pede para dormir no sofá da família e acaba ficando com casa

Pixabay

A família de Simplício da Hora jamais imaginou que prestar solidariedade a um amigo fosse terminar em um terrível pesadelo. Desempregado e sem ter onde morar, Cômodo Vitalício, de 19 anos, pediu ajuda a Poliana, filha de Simplício, para dormir no sofá da família apenas por duas semanas. Comovida, a menina acabou convencendo o pai de que fazer um sacrifício por apenas 15 dias valeria a pena.

Nas primeiras duas semanas, Cômodo se comportou muito bem. Saía pela manhã para buscar emprego e só voltada à noitinha, recusando os convites para jantar e assistir televisão com a família. “Fiquem tranquilos e finjam que eu nem estou aqui!”, dizia ele. Porém, ao final do período, o rapaz avisa a família que vai ficar por mais uma quinzena. É que o mercado está difícil e ele não conseguiu emprego. Simplício não concorda, mas sua esposa, Maria Auxiliadora, acalma os ânimos: “É só um mês, homem! O que é que custa? Passa rapidinho!”

Findado o prazo, Cômodo informa que recebeu uma proposta e, desta vez, o emprego é certo. Só será necessário ficar por mais duas semanas e tudo voltará ao normal. A essa altura, o rapaz já se sente um membro da família da Hora e passa a jantar e assistir televisão todas as noites.

Mas, infelizmente, a proposta de emprego não vinga e a estadia de Cômodo sobe para três meses, quatro, cinco... No sexto mês Simplício dá um ultimato: “Arranje um emprego ou não tem mais sofá pra você!” Diante disso, Cômodo responde: “Tudo bem, vou para o quarto de Poliana e ela passa a dormir com vocês. Aliás, era muito ruim todo mundo usando o meu sofá. Eu querendo dormir e vocês lá, emendando uma série chata na outra... Está decidido: hoje mesmo me mudo para o quarto da Poli!” 

Depois de um ano, Cômodo já domina toda rotina da família e Simplício resolve enfrentá-lo mais uma vez: “Agora você vai sair! Chega de promessas, isso não vai acabar nunca!” Mas Cômodo não se abala e faz outra proposta: “Se você pagar duas parcelas de 500 reais para o seu João, me mudo para a casa dele.” Simplício não concorda, mas esposa e filha o convencem: “Só duas parcelas e teremos nossa vida de volta. É certeza de que vai funcionar, vale a pena!”

Simplício paga a primeira, porém, Cômodo não se muda. Ele  alega que seu João só vai liberar a casa após o pagamento da segunda. Simplício paga, mas agora seu João quer um reforço e exige uma terceira parcela. Simplício paga e Cômodo continua lá, dizendo que o pagamento das parcelas não garante sua saída, mas apenas que não tomará a casa inteira. Simplício e sua família ainda podem ficar lá, mas se quiserem que Cômodo saia para sempre, basta pagar uma quarta e última parcela. Enquanto isso, a família deve deixar o imóvel, pois Vitalício está constrangido com o tratamento que vem recebendo por parte da família.

Simplício, Maria Auxiliadora e Poliana estão morando na casa de parentes, pois suas economias acabaram. Eles estão fazendo renda extra e tentando um empréstimo para arcar com o quarto pagamento e, quem sabe, voltar à vida normal. Mas Simplício se pergunta se pode haver quinta e até sexta parcela, ou se terá de pagar aluguel para sempre para viver na própria casa. Daqui alguns meses voltaremos com mais informações.

Esta crônica é uma ficção, mas poderia não ser...

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