Melhor Não Ler Grupos feministas não sabem se querem juntar ou dividir

Grupos feministas não sabem se querem juntar ou dividir

Enquanto há feministas lutando por vagões de trens exclusivos para mulheres, outras querem que os banheiros sejam unissex

Uma controvérsia está tomando conta das discussões entre grupos feministas: juntar ou dividir homens e mulheres? As dúvidas são tantas que nem mesmo as principais lideranças do movimento chegaram a um acordo.

Para a presidente da ONG Mulheres Vítimas dos Vagões (MVV), Maria do Socorro, os levantamentos feitos pelo Ibope e a Rede Nossa não podem ser ignorados: “Segundo pesquisas, quatro em cada dez mulheres já foram assediadas em transportes públicos, em São Paulo, por isso, precisamos dar às mulheres que se sentem vulneráveis o direito de terem um vagão exclusivo para elas”, afirma Socorro e acrescenta: “se o assédio acontece em um lugar comum, como um vagão onde há várias pessoas, imagine dentro de um banheiro? Isso é inconcebível”.

Assédio de mulheres no transporte público: entidades feministas não se entendem

Assédio de mulheres no transporte público: entidades feministas não se entendem

Renato Araújo/Agência Brasília

Por outro lado, Janaina Terra, presidente do movimento Todas, Todos e Todes, diz que separar homens e mulheres em vagões ou em banheiros é uma atitude preconceituosa e que é preciso aprendermos a conviver harmoniosamente: “Se um homem se reconhece mulher é claro que ‘elu’, usando aqui a linguagem neutra, não vai assediar outra mulher em nenhum lugar. No máximo, ‘elu’ vai dar em cima de outro homem. E se uma mulher que se reconhece como homem assediar outra mulher, não pega nada, afinal de contas, não seria assédio por parte de um homem”, explica Terra.

Um terceiro posicionamento parte da líder do grupo Sororidade Já, Marcia Bicalho: “De acordo com as estatísticas, 44% das mulheres são assediadas em transporte público e isso é mais do que os assédios nas casas noturnas e nos bares, que acontece só com 11% delas. Então, o que a gente tem que fazer é dividir homens e mulheres nos trens, tendo vagões exclusivamente femininos, mas juntar todo mundo nos banheiros das baladas. Assim a gente vai equilibrar esses números”, declara. 

Como ainda não houve nenhum acordo entre os grupos, a controvérsia continua.

Esta crônica é uma ficção, mas poderia não ser...

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