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Imposto de Renda teria surgido em festa à fantasia regada a álcool e sabe-se lá mais o quê

Uma fábula moderna sobre como algo absurdo pode virar consenso (e até ser defendido com entusiasmo)

Melhor Não Ler|Do R7

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O leão é portador de cleptoparasitismo: apropriação da caça dos outros animais

Em 1922, segundo as vozes de nossas cabeças, o então presidente da Brazucolândia, Artur Bernardes deu uma grande festa à fantasia no Palácio. O tema era livre, mas foi proibido que qualquer convidado fosse vestido de leão, pois essa era a fantasia do presidente. Não porque fosse o rei da selva, mas por seu cleptoparasitismo: sua mania de se apropriar da caça dos outros animais.

Ele mandou fechar as janelas (para concentrar a fumaceira dos cigarros e de sabe-se lá mais o quê), botar o volume do foxtrot no talo e decretou: bebida ilimitada para todos! Conhaque, uísque, vinho, o que houvesse. Menos para ele, que ficou na aguinha com gás.


Em pouco tempo, ministros, juristas e demais funcionários públicos já discutiam filosofias nonsense, caídos pelos cantos. Percebendo que era o momento perfeito, o leão subiu numa cadeira, pigarreou e discursou:

“Queridos amigos, tive uma ideia para incrementar os cofres públicos! Vamos tomar um pedaço do salário de todo trabalhador deste país antes mesmo que ele o receba. Faremos isso todos os meses, indefinidamente. E faremos o mesmo com os empresários tomando uma fatia de seu faturamento. Legalmente, claro!”


O salão explodiu em gargalhadas! O primeiro a protestar foi um convidado fantasiado de mágico: “Impossível! Ninguém aceitará perder algo que nem verá como saiu de suas mãos!” O leão sorriu e respondeu: “Justamente! O que os olhos não veem, o coração não sente!”

Então, veio o palhaço, cambaleante e tropeçando no próprio sapato: “Isso vai quebrar as pernas das empresas... Vão produzir menos e tudo vai ficar mais caro!” Novamente o leão rebateu: “Quem se importa? Chamaremos isso de ‘contribuição’ e ainda diremos que é pelo bem comum!”


O pirata aproximou-se e sentenciou: “O trabalhador vai se revoltar e jogar todos nós aos tubarões!” Uma vez mais o leão deu a resposta perfeita: “Exigiremos declarações tão complicadas que qualquer revolta vai se perder na papelada!”

Por fim, um rei medieval disse em tom solene: “Isso só funcionará se pegarmos o reino distraído para que todos aceitem ao mesmo tempo sem nem entender o que é!” O leão levantou sua taça de água e finalizou com um brado retumbante: “Exatamente! Faremos tudo na calada da noite, enquanto eles pulam Carnaval como se não houvesse amanhã!”


Foi então que o leão introduziu uma dúzia de vedetes do teatro de revista para colher as assinaturas dos ministros em pranchetas cuidadosamente posicionadas abaixo de seus decotes.

Apesar de quase nenhum convidado se lembrar do que havia acontecido na festa, em 1923 o Imposto de Renda tornou-se realidade e, até hoje, há quem defenda com entusiasmo que essa ideia fez da Brazucolândia um país melhor.

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