Melhor Não Ler Pai gasta fortuna para educar filho depois de gastar fortuna para educar filho

Pai gasta fortuna para educar filho depois de gastar fortuna para educar filho

Depois de formado, filho não sabe lidar com dinheiro, não consegue emprego na área e não sabe o que fazer da vida

Karolina Grabowska/Pexels

O empresário José Maria de Alcântara nunca mediu esforços para que Júnior, seu primogênito, tivesse a melhor educação. Desde o maternal até o cursinho pré-vestibular, Alcântara fez questão de matricular Júnior nas melhores instituições de ensino da cidade.

Mas, nos últimos anos, o empresário – que sempre acompanhou de perto os estudos do filho – passou a perceber que as matérias estavam um pouco diferentes do que havia imaginado. Os livros adotados falavam sobre questões que nadam tinham a ver com a profissão a ser exercida e, além disso, vários assuntos abordados colocavam o empresário em uma situação complicada. De repente, o homem que havia trabalhado desde os dez anos de idade para dar o melhor para sua família estava sendo chamado de explorador dos pobres, capitalista malvadão, burguês e por aí vai.

Talvez por isso Júnior estivesse cada vez mais distante, evitando o pai e se dirigindo a ele apenas para pedir a mesada e trocar de iPhone cada vez que o anterior completava um ano de uso. Definitivamente Júnior estava mudado, querendo invadir a propriedade dos vizinhos ricos do bairro ao lado, tentando convencer os funcionários do pai a fazerem greve e falando em acabar com a polícia, classificando-a como símbolo de opressão.

A cada ano que passava, Júnior apresentava piora e tornava-se mais radical. Até que, depois de formado, percebeu que começar uma carreira na área não era uma tarefa fácil, que não tinha noção de como lidar com dinheiro e que não fazia ideia do que fazer para se sustentar, afinal de contas, o combinado era ter mesada somente até a formatura.

Foi aí que Alcântara concluiu que era necessário investir ainda mais para que seu filho passasse por dois estágios: desaprender o que lhe fora ensinado e aprender o que realmente era preciso. O empresário terá de trabalhar dobrado para dar conta da nova empreitada, enquanto o filho ainda tenta entender porque a ditadura do proletariado não entra em vigor de uma vez.

Esta crônica é uma ficção, mas poderia não ser.

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