TV afegã dá exemplo de como proteger a imprensa

No último fim de semana, um grupo de homens amigáveis e fortemente armados acompanhou a transmissão de um telejornal no Afeganistão

Jornalista cercado por talibãs

Jornalista cercado por talibãs

Reprodução

O âncora de um telejornal da rede de televisão Afghanistan pode se considerar o jornalista mais sortudo do mundo. Marwan Swandoo apresentou a edição desde fim de semana desfrutando da escolta de um grupo de talibãs armados com fuzis. Apesar de que em um primeiro momento pareciam ser apenas dois homens, em um plano mais aberto é possível ver outros seis dentro do estúdio também fortemente armados.

Swandoo pode ler as notícias – previamente aprovadas – com toda segurança, dizendo ao mundo que ninguém deveria temer a presença do Talibã no país, afinal de contas, até a CNN Internacional declarou o quanto eles são amigáveis. O problema é que o vídeo viralizou na internet e muitos jornalistas ao redor do mundo criticaram as emissoras onde trabalham por não darem o mesmo tratamento a seus funcionários.

“Com o aumento da violência todos nós deveríamos ter direito a uma segurança assim”, declarou Manuel Codicioso, jornalista da TV Espanhola, enquanto Marie Envieux, da TV Paris, postou em suas redes sociais que só voltará a apresentar o famoso noticiário Actualités Parisiennes se tiver uma escolta semelhante.

A jornalista Mafalda Rakin, da BBC de Londres também criticou: “O âncora da TV Afghanistan tem condições de dizer que o povo afegão pode viver sem medo, mas e quanto a nós? Onde está a nossa segurança? Até quando nossas escoltas usarão apenas cassetetes?” Emissoras de televisão do mundo todo estão sendo questionadas por sindicatos locais que reivindicam um plano para que o benefício seja estendido a todos, sem distinção.

Aqui no Brasil um projeto já está sendo desenvolvido e deverá ser colocado em prática por etapas: primeiramente por meio de uma regulamentação que determinará o que o os jornalistas poderão ou não falar (para sua própria segurança, claro). Porém, caso esse requisito não seja suficiente para inibir a violência, as verbas governamentais para as tevês serão cortadas e, se ainda assim as coisas não entrarem nos trilhos, aí sim, não haverá outra alternativa senão colocar homens armados nos estúdios, seguindo o exemplo dos afegãos.

Não fosse a internet nem sequer saberíamos que coisas tão maravilhosas estão acontecendo do outro lado do mundo. Agora é torcer para que nós também possamos desfrutar dessas medidas tão importantes que asseguram a verdade para o bem de todos nós.

Esta crônica é uma ficção, mas poderia não ser...

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