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‘Susi – O Musical’ tem boas ideias, mas tropeça na execução e deixa Barbie roubar a cena

Com elenco talentoso, espetáculo inspirado na boneca da Estrela esbarra em problemas de roteiro e cenografia

R7 Teatro|Larissa Lopes e Maria Cunha

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O musical 'Susi' apresenta boas ideias, mas falha na execução.
  • O elenco é talentoso, porém problemas de roteiro e cenografia se destacam.
  • Espetáculo é inspirado na famosa boneca da Estrela.
  • Barbie acaba roubando a cena durante as apresentações.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Susi e Barbie aparecem como rivais no musical inspirado na boneca brasileira Divulgação/Abílio Gil e Márcio Ribas

Transformar um ícone da infância em musical original é uma ideia instigante — e arriscada. Em Susi – O Musical, a atriz e autora Mara Carvalho aposta justamente nisso: levar aos palcos a boneca criada pela Estrela em 1966 e marcada na memória afetiva de gerações de brasileiros.

A proposta tem potencial e reúne bons talentos em cena, mas a montagem acaba tropeçando em escolhas de execução, especialmente no roteiro, na iluminação e na cenografia.


O Portal R7 assistiu ao espetáculo em duas sessões: uma com Priscilla no papel da Susi Original, e outra com Clara Verdier como a protagonista.

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Com músicas de Thiago Gimenes e direção de Ulysses Cruz, o musical acompanha Victor, um menino de imaginação fértil que, imerso no cotidiano das telas, embarca em uma jornada fantástica ao lado da boneca Susi e de outros personagens.


A trama propõe discutir temas contemporâneos como identidade, autoestima, consumismo e pertencimento, enquanto o garoto descobre sua vocação e enfrenta as transformações da infância.

A premissa é interessante, sobretudo por apostar em um musical brasileiro original — e não em uma biografia ou adaptação já conhecida. Ainda assim, a encenação parece seguir na direção oposta do que a própria ideia sugere.


Visualmente, o espetáculo deixa escapar uma oportunidade evidente: explorar a nostalgia ligada à boneca. Em vez disso, a estética aposta em um visual futurista que raramente dialoga com o universo lúdico proposto pela história.

A cenografia e, principalmente, a iluminação criam uma atmosfera fria que afasta o público da memória afetiva associada à personagem. Em alguns momentos, essa escolha chega a causar estranhamento — como no quarto de Victor, cuja cama lembra mais uma maca hospitalar do que o espaço imaginativo de uma criança.


Além disso, a produção escolheu colocar pessoas vestidas de preto e com um capacete na cabeça para mover os cenários entre as cenas e, em uma delas, carregar as bonecas em sacos de lixo. Eles não se encaixam em nenhum momento com o musical e geram dúvidas se faltou orçamento ou se a ideia futurista se perdeu pelo caminho.

História de Victor, que deveria servir como eixo emocional da narrativa, carece de maior construção Divulgação/Abílio Gil e Márcio Ribas

O roteiro também enfrenta dificuldades para sustentar sua proposta. A narrativa se divide entre duas linhas principais: a jornada de Victor e a disputa simbólica entre Susi e Bárbara, personagem que representa a boneca Barbie, os padrões importados e a concorrência internacional. O problema é que essas histórias acontecem paralelamente, sem realmente se conectarem.

Ao mesmo tempo, o texto parece excessivamente preocupado em inserir frases de efeito e piadas. Muitas funcionam e provocam risos, mas o excesso acaba diluindo a força dramática da história.

Um exemplo disso ocorre quando a Susi parece caminhar para um momento de maior intensidade emocional. Quando a cena finalmente começa a atingir um possível ápice, a entrada do boneco Beto transforma tudo novamente em gag, interrompendo a construção dramática.

Entre os destaques do elenco está Bruna Guerin, que interpreta Bárbara. Carismática e com excelente timing cômico, a atriz cria alguns dos momentos mais divertidos do espetáculo, ao lado de Kevin — referência ao Ken —, vivido por Paulinho Ocanha, e demonstra grande presença de palco.

Nas suas poucas cenas, Barbie toma conta do espaço com o figurino rosa-choque, a voz e a irreverência, e faz o público se questionar se a protagonista, na verdade, não deveria ser ela.

Quem assiste à peça se pega torcendo para que a boneca da Mattel apareça mais vezes. O mesmo que acontece em Meninas Malvadas - O Musical com Cady (Laura Castro) e Regina George (Anna Akisue).

Mesmo assim, o roteiro limita o potencial dos personagens, que ficam caricatos, ainda que formem uma boa dupla.

Na sessão com Priscilla, a cantora mostra segurança vocal e presença cênica ao interpretar a Susi Original. Com mais de duas décadas de carreira na música e no audiovisual, a artista encara o espetáculo como um novo passo no teatro musical e sustenta bem o protagonismo.

Clara Verdier, por sua vez, já é veterana e integrou o elenco de Les Misérables, O Fantasma da Ópera e Beetlejuice - O Musical. Como Susi, ela entrega o máximo que consegue dentro do roteiro fraco da peça.

Atmosfera fria afasta o público da memória afetiva associada à personagem Divulgação/Adriano Escanhuela

A história de Victor, que deveria servir como eixo emocional da narrativa, também carece de maior construção. A ideia de que o menino precisa seguir seu próprio dom surge de forma abrupta, especialmente na fala de Olga, sua mãe, interpretada por Mara Carvalho. A atriz compõe bem a personagem, mas o texto oferece pouco contexto para que o arco do garoto se desenvolva plenamente.

O espetáculo encontra um final agradável, e o figurino apresentado nesse momento chama atenção pelo cuidado visual. Ainda assim, fica a sensação de que faltou encontrar um equilíbrio entre restauração e inovação — algo que dialogasse mais diretamente com o universo das bonecas que inspiram a história.

Susi – O Musical reúne boas ideias, músicas competentes, momentos eficazes de humor e um elenco talentoso. No entanto, escolhas de roteiro e de concepção visual impedem que o espetáculo alcance todo o potencial de sua premissa.

Se a proposta era criticar a perda de espaço e importância da Susi depois que a Barbie foi lançada, o musical faz exatamente a mesma coisa que o mercado: apaga a boneca brasileira. A história não sustenta a força do nosso produto e deixa a estrangeira roubar a cena.

No fim, permanece a impressão de que a montagem tinha nas mãos uma excelente ideia — mas a boneca acabou saindo da caixa da maneira errada.

Serviço:

Susi - O Musical

  • Local: Teatro Sérgio Cardoso
  • Datas: até 12/04
  • Horários: sextas, 20h; sábados, 16h e 20h; domingos, 16h e 20h.
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