Como elefantes africanos usam plantas medicinais para tratar doenças, segundo estudo
Fêmeas oferecem diferentes tipos de plantas para aumentar o apetite e melhorar a imunização dos filhotes
Bichos|Do R7
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Um estudo publicado na revista Scientific Reports revelou que elefantes africanos podem ter aprendido a usar plantas medicinais para tratar doenças e ferimentos.
A pesquisa foi baseada em relatos de especialistas locais da comunidade Sabaot, que acompanham os animais da região do Monte Elgon, no Quênia, há mais de 20 anos. Os entrevistados alegam que os animais usam recursos naturais de maneira intencional para cuidar da própria saúde e de familiares.
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“Os participantes deste estudo basearam-se tanto na observação direta quanto em sua familiaridade com o uso de plantas medicinais dentro dos sistemas de conhecimento cultural e médico locais”, diz um trecho do estudo.
Os entrevistados citaram 35 espécies de plantas que os elefantes consomem. Vinte e cinco delas são conhecidas por propriedades medicinais. “No total, oito espécies de plantas foram classificadas como Modo 4 (medicamentos procurados por elefantes visivelmente doentes para fins terapêuticos percebidos ou administrados a seus filhotes para benefício de sua saúde).”
Entre os exemplos está a Aloe arborescens, que teria sido oferecida por fêmeas aos filhotes para aumentar o apetite. Também foram observadas elefantas que misturavam três plantas ao leite antes de alimentar os filhotes. Os entrevistados acreditam que essa prática funcionaria como uma espécie de imunização.
Outras três plantas do gênero Dombeya foram associadas ao cuidado com a digestão e amolecimento de fezes. Já a Kuloa usambarensis foi relacionada a animais que apresentavam sinais visíveis de doença, como falta de movimento e letargia.
Os especialistas ainda relataram que os elefantes costumam percorrer longas distâncias até determinadas plantas, o que pode comprovar que o consumo não é simplesmente por fome. “Por exemplo, [se o recurso] estiver a 20 km de distância, eles vão direto para lá sem comer nada para chegar lá rapidamente”, disse um entrevistado.
Para os pesquisadores, “os conhecimentos adquiridos com a medicina tradicional dos elefantes podem inspirar novas abordagens para a medicina humana, oferecendo pistas potenciais para pesquisas farmacêuticas baseadas nos remédios da própria natureza.”

















