Por que os elefantes ajustam os sons para se comunicar em grupo, segundo pesquisa
Fenômenos semelhantes já foram observados em outros animais, como papagaios e golfinhos
Bichos|Do R7
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Um estudo realizado com elefantes-africanos no Quênia identificou mudanças nas vocalizações dos animais durante diferentes situações sociais. A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, utilizou aprendizado de máquina para analisar centenas de registros sonoros e investigar a relação entre os chamados e o comportamento dos grupos.
A pesquisa analisou 902 gravações de 84 elefantes selvagens, pertencentes a 39 famílias, no Parque Nacional de Amboseli, no Quênia. Os registros foram coletados ao longo de 36 anos, entre 1986 e 2022. Entre os sons avaliados estavam diferentes tipos de “rumbles”, vocalizações graves que podem lembrar o ruído de um motor em marcha lenta e são distintas dos conhecidos sons de trombeta emitidos pelos animais.
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Os pesquisadores identificaram vocalizações associadas a situações específicas. Alguns chamados eram direcionados aos filhotes, enquanto outros eram emitidos à distância para manter contato com integrantes do grupo. Também foram registrados sons antes de deslocamentos coletivos, durante momentos de descanso ou alimentação e em encontros entre os animais.
Em diversas gravações, vários elefantes vocalizavam ao mesmo tempo. Os cientistas chamaram essas sobreposições de “coros” e utilizaram um algoritmo para tentar identificar o comportamento dos animais a partir dos sons registrados.
O modelo, no entanto, não conseguiu determinar todas as situações com precisão, mas apresentou resultados superiores aos esperados pelo acaso. Para os pesquisadores, isso indica que vocalizações produzidas em determinados contextos podem compartilhar características acústicas.
Elefantes podem aproximar seus sons
Uma das descobertas que chamou a atenção dos pesquisadores foi um fenômeno chamado de convergência vocal. Em algumas situações, vocalizações inicialmente diferentes tornavam-se progressivamente mais semelhantes.
Segundo os cientistas, esse processo apareceu principalmente nos momentos em que os elefantes pareciam estar coordenando alguma ação coletiva. Uma possibilidade é que a aproximação entre os sons esteja relacionada à coordenação ou até a uma forma de sinalizar concordância entre os integrantes do grupo, mas essa hipótese ainda precisa ser testada.
Fenômenos semelhantes de convergência vocal já foram observados em outros animais capazes de produzir diferentes tipos de sons, como papagaios e golfinhos. Humanos também podem adaptar padrões de linguagem durante interações sociais.
O estudo reforça a importância de analisar a comunicação animal junto ao comportamento observado na natureza. Para os pesquisadores, ouvir os sons isoladamente não é suficiente para compreender sua função, já que as vocalizações fazem parte de interações nas quais os animais também modificam suas ações.
A equipe pretende aplicar métodos semelhantes ao estudo da comunicação de outras espécies que produzem vocalizações coletivas, incluindo orcas e corvos, já que a combinação entre grandes conjuntos de dados comportamentais e ferramentas de aprendizado de máquina pode ajudar os cientistas a investigar com mais precisão como diferentes animais utilizam os sons para influenciar o comportamento uns dos outros.
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