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Por que os conselhos tradicionais sobre carreira já não funcionam para a Geração Z?

Como os desafios do mercado de trabalho estão transformando as perspectivas de carreira dos jovens graduados

Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A inteligência artificial está automatizando empregos de nível básico, tornando a transição para o mercado de trabalho mais difícil para a Geração Z.
  • Muitos recém-formados estão empregados em funções que não exigem um diploma de bacharel, questionando a utilidade de uma educação superior.
  • Livros de autoajuda oferecem conselhos, sugerindo que se tornem bons em algo que ajude os outros em vez de seguir suas paixões.
  • A automação pode inicialmente aumentar a demanda por certas habilidades, mas eventualmente pode substituir empregos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Entre os recém-formados americanos, 40% estão empregados em funções que não exigem um diploma de bacharel Freepick

O ambiente hostil do mercado de trabalho sempre foi desafiador. Nem todos os graduados sentem o chamado para uma profissão específica. Muitos querem fazer o bem, mas também precisam pagar suas dívidas.

A inteligência artificial está tornando essa transição ainda mais difícil, automatizando empregos de nível básico e ameaçando extinguir carreiras inteiras.


Em 13 de julho, mais de 200 economistas e especialistas em tecnologia alertaram que a IA poderia causar um “deslocamento de empregos em larga escala”. Encontrar a vocação nunca foi tão difícil.

Enquanto vasculham o LinkedIn — enviando currículos aprimorados por IA, apenas para serem rejeitados por departamentos de recursos humanos também equipados com IA —, os recém-formados podem se perguntar por que se deram ao trabalho de fazer faculdade.


Entre os recém-formados americanos, 40% estão empregados em funções que não exigem um diploma de bacharel, de acordo com uma pesquisa recente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York.

Dicas valiosas

Os desafios de carreira da Geração Z inspiraram uma onda de livros de autoajuda. Bill Gurley, ex-capitalista de risco do Vale do Silício, explica “como prosperar em uma carreira que você realmente ame”.


Jodi Kantor, jornalista que ajudou a expor os crimes de Harvey Weinstein, publicou um breve discurso motivacional para estudantes, intitulado “carta de uma aliada mais experiente”.

Benjamin Todd, fundador da organização sem fins lucrativos 80.000 Hours, escreveu um livro com o mesmo nome (80.000 horas é o tempo que você pode passar trabalhando, se trabalhar 40 horas por semana, 50 semanas por ano, durante 40 anos).


Primeiro, talvez não deva seguir suas paixões. Desde o best-seller Que Cor Tem o Seu Paraquedas? (1970), livros sobre carreira aconselham as pessoas a considerarem o que gostam e, em seguida, procurarem empregos que combinem com isso. Mas muitas pessoas não têm certeza do que querem. E, mesmo que tenham um interesse forte, isso pode não levar a um emprego.

Em uma pesquisa de 2003, quase 90% dos estudantes canadenses disseram que amavam música, arte ou esporte — áreas que representavam apenas 3% dos empregos no Canadá.

Em 2020, um teste de personalidade realizado pelo departamento de educação britânico aconselhou muitos candidatos a emprego a se tornarem operadores de eclusas, perdendo por pouco o boom dos canais do século 18.

“‘Siga sua paixão’ é uma visão equivocada”, escreve Todd. Em vez de olhar para dentro, “torne-se bom em algo que ajude os outros, e a paixão virá como consequência”.

Ajudar os outros aumenta a satisfação com a vida. Dominar uma habilidade é gratificante por si só. Se você é bom no que faz, terá mais facilidade para realizar um trabalho prazeroso do que se perseguir uma paixão e for medíocre nela (pense nos músicos que acabam tocando em salas de aula em vez de arenas).

Altruísmo eficaz

Para aconselhar sobre como fazer o bem, Todd se baseia no “altruísmo eficaz“, uma filosofia utilitarista que a organização 80.000 Horas ajudou a lançar há 15 anos.

Doar é uma opção (ele calcula que doar 10% do salário típico de um graduado americano, de US$ 77 mil, para uma instituição de caridade que combate a malária salvará cerca de 20 vezes mais vidas do que trabalhar em tempo integral como médico).

Outra opção é trabalhar em uma área que promova o bem: a regulamentação da inteligência artificial e a prevenção de conflitos entre grandes potências estão entre as áreas que ele sugere como as que poderiam ter o impacto mais positivo.

Sobre o dilema da renda, Todd sugere que mais dinheiro provavelmente não o tornará muito mais feliz: a felicidade autodeclarada se estabiliza depois que a renda familiar atinge cerca de US$ 75 mil por ano.

O documentário 80.000 hours também apresenta ideias contra-intuitivas sobre como a IA pode impactar as carreiras. A automação eventualmente destrói empregos. Mas, inicialmente, ela impulsiona a demanda por certas habilidades.

Os bancos contrataram mais funcionários após a invenção dos caixas eletrônicos, porque eles baratearam a operação das agências, o que levou à abertura de mais delas. Somente com o internet banking os funcionários foram totalmente substituídos.

“O objetivo não é encontrar um único emprego que nunca será automatizado, mas sim surfar na onda, migrando para as habilidades que se tornam mais valiosas a cada momento.”

Isso pode significar empregos em IA relacionados a treinamento de modelos ou segurança cibernética, ou em serviços cuja demanda aumentará à medida que a IA reduzir custos, como na área da saúde.

No entanto, o foco em maximizar o bem implica que apenas uma escolha é verdadeiramente correta. Um médico de emergência poderia salvar mais vidas trabalhando na prevenção de pandemias, o que, por sua vez, poderia ser menos importante do que o desarmamento nuclear, e assim por diante.

Julgar a correção de cada ação pelo seu impacto no bem global pode levar qualquer um à loucura — e às vezes leva. John Stuart Mill, um pioneiro do utilitarismo, entrou em depressão. Sam Bankman-Fried, um empreendedor de criptomoedas e o mais conhecido defensor do altruísmo eficaz, arriscou e perdeu bilhões de seus clientes.

Quem procura emprego pode se tranquilizar sabendo que muitas pessoas levam um tempo para encontrar sua vocação.

Tony Blair era promotor de música rock antes de se tornar primeiro-ministro da Grã-Bretanha. Maya Angelou era cobradora de bonde antes de se tornar uma escritora renomada. O Coronel Sanders fundou o Kentucky Fried Chicken aos 62 anos.

Acertar na escolha leva tempo. Quem estiver preocupado com como gastar suas 80.000 horas pode começar dedicando algumas horas ao livro de Todd.

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