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Manifesto de francesas incendeia debate sobre o feminismo 

"Defendemos a liberdade de importunar, indispensável à liberdade sexual"

Blog da DB|Deborah Bresser

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Galanteio não é agressão, de acordo com manifesto das francesas
Galanteio não é agressão, de acordo com manifesto das francesas

Por essa, as feministas não esperavam. Um coletivo de 100 mulheres francesas, entre elas nomes de peso como Catherine Millet, Ingrid Caven e Catherine Deneuve, divulgou no jornal Le Monde um manifesto de rejeição a um certo feminismo que expressa "ódio aos homens". Após a eclosão do caso Harvey Weinstein, alegam as manifestantes, o mundo foi tomado por um puritanismo, que em nada colabora para o debate. 

Segundo elas, houve uma consciência legítima da violência sexual contra as mulheres, particularmente no local de trabalho, onde alguns homens abusam de seu poder. Ela era necessária. Mas essa libertação do discurso torna hoje o seu oposto. "Nos obrigam a falar o que acham correto, e aquelas que se recusam a fazê-lo são acusadas de traição e cumplicidade".


Na visão delas, movimentos como o #metoo sem dúvida servem para fomentar na imprensa e nas redes sociais uma campanha de denúncias públicas e impeachment de indivíduos, mas, para as francesas, "o estupro é um crime, mas a paquera insistente ou sem sutileza não é um crime, nem o galanteio é uma agressão machista”. 

Não seria possível, segundo elas, colocar em um mesmo nível os infratores sexuais daqueles que erraram por terem tocado um joelho, tentado roubar um beijo, falado sobre coisas "íntimas" em um jantar de negócios ou enviado mensagens sexualmente explícitas para uma mulher que não correspondeu às investidas. 


Também acreditam que uma coisa é lutar pela igualdade salarial, mas defendem que as mulheres não deveriam se ocupar nem se traumatizar por causa de importunadores no metrô, ainda que seja um delito. As mulheres, segundo o manifesto, deveriam ver isso como a expressão de uma grande miséria sexual. 

"Essa febre para enviar "porcos" ao matadouro, longe de ajudar as mulheres a se capacitarem, serve realmente os interesses dos inimigos da liberdade sexual, dos extremistas religiosos, dos piores reacionários e daqueles que acreditam agir em nome de uma concepção substancial de bem e moralidade". 


É uma abordagem provocativa, sem dúvida. É preciso repensar o código de conduta entre os gêneros, mas que tem havido uma certa histeria, isso não há dúvidas. Talvez porque as mulheres foram vítimas de abusos demais, e resolveram dar um basta. No entanto, as francesas têm toda a razão quando dizem que esse tipo de postura trabalha mais a favor dos extremistas puritanos do que das próprias mulheres. Estamos também virando vítimas deste radicalismo.

O nada pode não serve a ninguém que seja a favor da liberdade, seja ela de que natureza for. Inclusive sexual. É preciso, sim, diferenciar o que é um galanteio babaca do que é um assédio. Caso contrário, as relações humanas vão entrar em extinção. 

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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