Travel Next Minas mostra como o turismo está mudando — e o que isso pode significar para a próxima viagem
Em Belo Horizonte, feira revela um viajante cada vez mais interessado em experiências que vão além do roteiro tradicional

Uma viagem começa muito antes do embarque. Às vezes, ela começa em uma conversa, em uma descoberta ou até mesmo em uma feira de turismo. Foi esse o clima encontrado na Travel Next Minas, que reuniu no Expominas, em Belo Horizonte, profissionais, destinos, companhias aéreas, hotéis, operadoras e empresas de diferentes segmentos ligados ao setor.
Mais do que apresentar lugares para conhecer, o encontro ajuda a entender para onde caminha o mercado de viagens no Brasil. A mensagem que ficou desta edição é clara: o turismo está deixando de vender apenas destinos e passando a vender significado, personalização e transformação.
A quarta edição da Travel Next Minas reuniu cerca de 8 mil profissionais do turismo e cerca de 900 marcas, segundo números divulgados pela organização. O evento também ampliou sua presença internacional, com 24 expositores estrangeiros e representantes de mais de 18 estados brasileiros. A projeção apresentada pela organização é de R$ 102 milhões em negócios, acima dos R$ 85 milhões estimados na edição anterior.

Para o viajante, números de uma feira de negócios podem parecer distantes. Mas eles ajudam a explicar algo que chega diretamente ao consumidor: quanto maior a conexão entre destinos, empresas e agentes de viagens, maior tende a ser a variedade de produtos disponíveis para quem está planejando as próximas férias.
Uma viagem que começa antes de chegar ao destino
Um dos conceitos defendidos por Rubia Coser, CEO da Travel Next, chama atenção justamente por propor uma mudança na maneira de pensar o turismo.
Segundo ela, o mercado está avançando da chamada “economia da experiência” para uma “economia da transformação”. A diferença está na relação do viajante com o lugar visitado.
Na experiência, o turista conhece, consome e registra. Na transformação, a viagem pode provocar uma mudança em quem viaja e, ao mesmo tempo, gerar impacto positivo no destino.
É uma visão que combina com um consumidor que está cada vez mais interessado em viagens personalizadas, cultura local, gastronomia, bem-estar, natureza e experiências que não podem ser simplesmente reproduzidas em qualquer lugar.
A própria proposta da Travel Next Minas para esta edição foi construída em torno da conexão entre origem e inovação. No discurso da feira, tradição e tecnologia não aparecem como opostos, mas como elementos que podem caminhar juntos na construção de novos produtos turísticos.
Do turismo de luxo às novas rotas internacionais
Um dos espaços que mais evidenciaram a diversidade do mercado foi a área dedicada ao turismo de luxo.
O segmento vem deixando de ser associado apenas a hotéis cinco estrelas e serviços exclusivos. Hoje, luxo também pode significar tempo, privacidade, atendimento personalizado, acesso a experiências especiais e roteiros construídos de acordo com os interesses de cada viajante.
Na feira, representantes de destinos e empresas voltadas a esse público dividiram espaço com produtos mais tradicionais do turismo. Entre os participantes internacionais estavam representantes da África do Sul e da TAP Air Portugal.
Outro destaque foi a presença da Grã-Bretanha, que estreou na feira. A entrada de novos destinos internacionais em eventos desse porte mostra como o mercado brasileiro é estratégico para países e empresas que buscam ampliar sua presença entre os viajantes daqui.

Para quem está do outro lado dessa cadeia — o consumidor — essa movimentação pode significar mais opções de roteiros, conexões aéreas, experiências e combinações de destinos.
O agente de viagens ganhou ainda mais importância
Em um cenário em que o viajante tem acesso a milhares de informações pela internet, pode parecer contraditório que uma feira voltada ao trade turístico continue crescendo. Mas existe uma explicação.
Quanto maior a quantidade de possibilidades, maior também a necessidade de curadoria.
O agente de viagens deixa de ser apenas alguém que emite uma passagem ou reserva um hotel. Ele pode funcionar como um consultor capaz de transformar uma lista de desejos em um roteiro possível, levando em conta orçamento, perfil, tempo disponível, logística e interesses pessoais.
É justamente esse profissional que eventos como a Travel Next procuram aproximar de destinos, companhias aéreas, hotéis, operadoras e fornecedores.
A programação da feira incluiu capacitações, encontros e oportunidades de relacionamento profissional, reforçando o papel do evento como uma plataforma de negócios e qualificação do mercado.
Por que uma feira de turismo interessa a quem vai viajar?
Porque o que acontece nos bastidores do setor acaba chegando ao passageiro.
Uma nova parceria pode resultar em um roteiro diferente. Um destino que ganha espaço entre operadores pode aparecer com mais força nas agências. Uma companhia aérea pode ampliar conexões. Um hotel pode criar um produto específico para determinado perfil de viajante.
O turismo é uma cadeia extensa e envolve muito mais do que transporte e hospedagem. Hotéis, restaurantes, atrativos, guias, agências, receptivos, companhias aéreas, parques, empresas de seguro e diversos outros serviços dependem da circulação de visitantes.
Por isso, encontros profissionais também funcionam como instrumentos de desenvolvimento econômico. A primeira edição da Travel Next Minas, por exemplo, já havia registrado uma projeção de R$ 40 milhões em negócios, segundo o Governo de Minas.
O crescimento observado desde então ajuda a dimensionar a força que o turismo pode ter como gerador de negócios, empregos e movimentação de renda.
Minas Gerais como ponto de encontro
Escolher Belo Horizonte para receber um evento desse porte também reforça o papel de Minas Gerais no mapa do turismo de negócios.
O Expominas, onde a feira foi realizada, recebeu profissionais de diferentes regiões do país e representantes internacionais. A localização transforma a capital mineira não apenas em anfitriã, mas em ponto de conexão entre diferentes mercados.

E existe uma vantagem adicional: enquanto o trade discute negócios dentro da feira, o próprio estado pode apresentar seus destinos, sua gastronomia, sua cultura e sua hospitalidade a profissionais que têm poder de influência sobre as escolhas futuras dos viajantes.
É nesse ponto que a ideia de transformação defendida pela Travel Next ganha outra dimensão.
Uma feira de turismo não termina quando os estandes são desmontados. As conversas continuam nas agências, nos hotéis, nos aeroportos e, principalmente, nas escolhas de quem vai viajar.
No fim das contas, a próxima viagem pode começar muito antes de o viajante escolher a passagem. Pode começar justamente quando alguém descobre um destino que ainda não estava nos planos.
Quer ver um pouco do que encontrei por lá? Publiquei no meu Instagram, @comcria, um Reels com alguns dos destaques da Travel Next Minas e das novidades que chamaram minha atenção durante a feira. Acompanhe por lá.
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