Uma única sessão de exercício físico já pode ser aliada contra o câncer de mama
Ela já ativa, no sangue, substâncias associadas à redução do crescimento de células do câncer de mama, mostra pesquisa recente
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Seja bem-vinda ao Conversa de Mulher! Esse é o primeiro texto de um espaço que nasceu de um desejo simples: aproximar a ciência do dia a dia das mulheres.
Sou a Dra. Samantha Rizzi, fisioterapeuta, professora universitária e pesquisadora, com mestrado e doutorado pela Unifesp. Há anos dedico minha prática e minha pesquisa à fisioterapia em oncologia e à saúde da mulher, acompanhando de perto os desafios físicos e emocionais que atravessam o câncer de mama, a reabilitação e a busca por qualidade de vida.
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Ao longo desse tempo, uma certeza só cresceu: informação de qualidade transforma a forma como cuidamos de nós mesmas. E é exatamente esse o propósito do Conversa de Mulher.
Aqui, você vai encontrar temas como menopausa, câncer, saúde óssea, sono, saúde pélvica, gravidez e envelhecimento explicados com rigor científico, mas também com acolhimento — sem alarmismo, sem promessas milagrosas e sem jargões que afastam quem não é da área.
Este espaço não substitui uma consulta médica, fisioterapêutica ou com qualquer profissional de saúde. Ele existe para que você chegue mais informada e mais confiante a essas conversas. Seja bem-vinda: este é só o começo de muitas trocas.
E para estrear, escolhi um tema que resume bem o espírito deste blog — porque aqui, movimento é saúde.
O que o novo estudo descobriu
Um estudo conduzido por pesquisadores da Edith Cowan University, na Austrália, e publicado na revista científica Breast Cancer Research and Treatment, trouxe um achado animador para quem já passou por tratamento de câncer de mama: uma única sessão de exercício físico já é capaz de provocar mudanças no sangue associadas à inibição do crescimento de células tumorais.
Os pesquisadores acompanharam um grupo de 32 mulheres que já haviam concluído o tratamento do câncer de mama e pediram que elas praticassem um treino de musculação ou um treino intervalado — o conhecido HIIT, que alterna momentos de esforço mais intenso com pausas. Antes e depois do exercício, foi coletada uma amostra de sangue para observar como o corpo reagia.
Os resultados mostraram um aumento significativo de proteínas anticâncer liberadas pelos músculos durante a atividade física e redução de fatores que estimulam o crescimento tumoral, logo após o exercício, em comparação com o sangue coletado antes da atividade física. Vale destacar: o estudo foi feito com um número pequeno de mulheres e em ambiente de laboratório, e não acompanhou, por exemplo, se isso realmente reduz o risco de o câncer voltar a longo prazo.
Por que isso não é uma surpresa completa
Esse estudo se soma a um conjunto crescente de pesquisas que associam a atividade física regular a menor risco de o câncer voltar e a uma melhor resposta ao tratamento em mulheres com câncer de mama.
Diretrizes de sociedades internacionais de oncologia já recomendam, há anos, a prática regular de exercícios como parte do cuidado durante e após o tratamento — não só por esse possível efeito protetor, mas também pelos benefícios já bem conhecidos sobre fadiga, força muscular, saúde óssea, humor e qualidade de vida.
O que esse novo estudo acrescenta é uma pista sobre o “como”: ele sugere que o corpo já responde ao exercício de forma quase imediata, e não apenas depois de semanas ou meses de treino.
Orientações práticas: o que fazer com essa informação
As evidências atuais sugerem que a combinação de exercícios aeróbicos (como caminhada rápida, bicicleta ou natação) com treinamento de força (musculação ou exercícios com o peso do corpo) traz os melhores resultados para mulheres em tratamento ou após o tratamento do câncer de mama.
Sociedades de oncologia costumam recomendar, quando não há contraindicações, cerca de 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada somados a duas sessões de fortalecimento muscular.
Alguns pontos merecem atenção especial:
- O início ou retorno à atividade física após o diagnóstico de câncer de mama deve ser sempre conversado com a equipe de saúde, considerando o tipo de cirurgia realizada, a presença de sequelas, a realização de tratamentos adjuvantes - como radioterapia ou quimioterapia, por exemplo - o estágio do tratamento e a condição física individual.
- A supervisão de um fisioterapeuta ou profissional de educação física com experiência em oncologia pode fazer diferença. O fisioterapeuta atua na reabilitação, na prevenção e no manejo de complicações, enquanto o profissional de Educação Física direciona o condicionamento e a progressão dos treinos com segurança.
- Não é preciso treinar em alta intensidade para obter resultados positivos. Evidências científicas demonstram que sessões de intensidade moderada já trazem benefícios significativos, o que reforça que qualquer movimento orientado tem grande valor, inclusive para quem está começando do zero.
Quando buscar orientação profissional
Se você está em tratamento ou já concluiu o tratamento de câncer de mama e sente insegurança para retomar a atividade física, ou se apresenta sintomas como dor, inchaço no braço, fadiga persistente ou limitação de movimento, é importante conversar com seu médico ou fisioterapeuta antes de iniciar um programa de exercícios.
Enquanto o médico avalia as condições clínicas gerais, o fisioterapeuta pode adaptar as amplitudes, tratar limitações e preparar seu corpo para que você possa evoluir na prática de exercícios com segurança e autonomia.
Uma mensagem para levar com você
A prática regular de exercícios físicos já é reconhecida, há muito tempo, como um pilar essencial da nossa saúde — inclusive no contexto do câncer de mama, contribuindo para menos fadiga, mais força, ossos mais saudáveis e mais qualidade de vida ao longo de todo o tratamento.
O que esse novo estudo acrescenta é um estímulo a mais: ele sugere que os benefícios do movimento já começam a aparecer desde a primeira sessão de treino, e não somente depois de meses de rotina.
Essa pode ser uma ótima notícia para quem ainda não começou a se exercitar ou está insegura para dar o primeiro passo — porque mostra que cada sessão já vale a pena, desde o início.
Se este foi o seu primeiro contato com o Conversa de Mulher, fico feliz em recebê-la. Que este espaço seja, daqui em diante, um lugar de informação segura e de conversas sinceras sobre a sua saúde.
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