Como a falta de segurança psicológica alimenta o silêncio defensivo
O medo de contrariar ou enfrentar conversas difíceis pode comprometer a comunicação e a confiança nas relações profissionais

Quem nunca deixou de fazer uma pergunta para não parecer despreparado, concordou com o chefe para evitar um conflito ou escondeu uma informação por receio das consequências? O medo de não ser aceito, de perder uma posição conquistada ou de decepcionar alguém pode nos levar ao chamado silêncio defensivo.
Em um estudo com 51 equipes, a professora Amy Edmondson, da Universidade Harvard, identificou a importância da segurança psicológica para a aprendizagem no trabalho.
O conceito se refere à confiança de que podemos fazer perguntas, reconhecer erros e discordar sem medo de humilhação. Isso não significa ausência de cobranças, mas a possibilidade de enfrentar conversas difíceis sem transformá-las em ameaças.

Recentemente, passei algumas semanas no Pantanal, região que frequento desde a infância, e a proximidade com animais selvagens me fez refletir sobre o medo como instinto de proteção.
Nas relações humanas, porém, nem sempre existe um perigo concreto, pois a simples expectativa de rejeição ou julgamento pode nos fazer recuar. Foi nessa reflexão que percebi que o medo também usa crachá.
Por trás de um silêncio pode existir insegurança, despreparo ou até uma paralisia emocional diante da necessidade de comunicar algo difícil.
Algumas pessoas, inclusive líderes, recorrem às mensagens escritas para evitar o desconforto de uma conversa, sem perceber que essa escolha pode despertar no outro a sensação de rejeição ou abandono.
Nem sempre a intenção de não machucar impede que o silêncio provoque uma dor ainda maior. Por mais difícil que seja uma conversa, não precisamos encontrar as palavras certas o tempo todo.
Saber escutar e estar presente, mesmo diante do desconforto, também é uma forma de construir segurança psicológica no ambiente de trabalho.
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