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Obesidade no Brasil já atinge mais de 25% dos adultos

No Dia Mundial da Obesidade, dados mostram o avanço da doença. E fica o alerta: tratar é possível — ignorar, não

Obesidade sem Tabu|Mariana VerdelhoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • No Dia Mundial da Obesidade, dados mostram que a obesidade no Brasil supera 25% entre adultos.
  • A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, não apenas um problema estético.
  • O governo lançou a estratégia Viva Mais Brasil para promover a saúde e investir R$ 340 milhões em prevenção.
  • É essencial tratar a obesidade como uma questão de saúde pública, com políticas consistentes e reconhecimento da doença.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um ano e 34 kg depois da cirurgia bariátrica ARQUIVO PESSOAL

Quatro de março, Dia Mundial da Obesidade. Uma data que não é apenas simbólica — é necessária. Precisamos falar, repetir, reforçar: obesidade é doença. Crônica. Multifatorial. Progressiva.

Coincidentemente (ou não), amanhã faz um ano que fiz a cirurgia bariátrica. Uma decisão tomada para tratar a obesidade. E eu faço questão de repetir: não foi estética. Foi saúde.


Há 365 dias, eu pesava 101,5 kg, tinha 51,9% de gordura corporal, 27 kg de massa muscular e meu IMC era 36. Hoje estou com 67,5 kg, 27% de gordura corporal, 27,3 kg de massa muscular e IMC de 24,1.

Mas esses números não são milagre. São consequência de mudança de estilo de vida. Alimentação regrada. Treino de quatro a cinco vezes por semana. Segunda-feira não é opcional.


Esses números me devolveram algo que a obesidade tinha tirado: liberdade.

A obesidade tira a liberdade de vestir o que se quer, de sentar na poltrona do avião sem precisar “murchar” a barriga para o cinto fechar, de ir à praia sem sentir que estão julgando o seu corpo.


Durante anos, eu adiei uma viagem para o Nordeste dizendo que tinha medo de chuva. A verdade é que eu tinha medo de ser observada de biquíni, julgada a cada petisco, medo de admitir que eu não estava apenas “acima do peso” — eu era obesa.

Hoje celebro minhas últimas férias: 15 dias de sol, mar e piscina ao lado do meu marido e do meu filho. Foram dias em que colecionei memórias que, por muito tempo, eu mesma evitava viver.


Durante anos, eu fugi dessa foto. Hoje, eu sorrio para ela. ARQUIVO PESSOAL

E, enquanto eu escrevo isso, os números do país mostram que a minha história não é exceção. Ela é parte de um cenário preocupante.

Dados do Ministério da Saúde, por meio do inquérito anual Vigitel Brasil, mostram que a frequência de adultos com obesidade passou de 11,8% em 2006 para 24,3% em 2023. Entre as mulheres, o índice saiu de 12,1% para 24,8% no mesmo período.

No recorte mais recente, entre 2018 e 2023, o avanço foi ainda mais acelerado. A obesidade mais que dobrou em menos de duas décadas.

A pesquisa também revela que o número de adultos com diabetes aumentou 135% entre 2006 e 2024. A hipertensão cresceu 31%. O excesso de peso, 47%. Pela primeira vez, o levantamento trouxe dados nacionais sobre sono: 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e 31,7% apresentam sintomas de insônia — um fator que impacta diretamente o peso e o metabolismo.

Diante desse cenário, o governo federal lançou a estratégia Viva Mais Brasil, uma mobilização nacional voltada à promoção da saúde, prevenção de doenças crônicas e fortalecimento da atenção primária, com investimento anunciado de R$ 340 milhões.

É um passo importante. Mas o enfrentamento da obesidade exige mais: políticas públicas consistentes, acesso a tratamento, combate ao estigma e reconhecimento de que estamos falando de uma doença — não de falta de força de vontade.

No Dia Mundial da Obesidade, reforço o que sempre digo aqui no Obesidade Sem Tabu: informação salva. Acolhimento transforma. Tratamento existe.

A obesidade é uma crise de saúde pública. E, para quem vive a doença, é também uma crise silenciosa de liberdade.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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