Obesidade no Brasil já atinge mais de 25% dos adultos
No Dia Mundial da Obesidade, dados mostram o avanço da doença. E fica o alerta: tratar é possível — ignorar, não
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Quatro de março, Dia Mundial da Obesidade. Uma data que não é apenas simbólica — é necessária. Precisamos falar, repetir, reforçar: obesidade é doença. Crônica. Multifatorial. Progressiva.
Coincidentemente (ou não), amanhã faz um ano que fiz a cirurgia bariátrica. Uma decisão tomada para tratar a obesidade. E eu faço questão de repetir: não foi estética. Foi saúde.
Há 365 dias, eu pesava 101,5 kg, tinha 51,9% de gordura corporal, 27 kg de massa muscular e meu IMC era 36. Hoje estou com 67,5 kg, 27% de gordura corporal, 27,3 kg de massa muscular e IMC de 24,1.
Mas esses números não são milagre. São consequência de mudança de estilo de vida. Alimentação regrada. Treino de quatro a cinco vezes por semana. Segunda-feira não é opcional.
Esses números me devolveram algo que a obesidade tinha tirado: liberdade.
A obesidade tira a liberdade de vestir o que se quer, de sentar na poltrona do avião sem precisar “murchar” a barriga para o cinto fechar, de ir à praia sem sentir que estão julgando o seu corpo.
Durante anos, eu adiei uma viagem para o Nordeste dizendo que tinha medo de chuva. A verdade é que eu tinha medo de ser observada de biquíni, julgada a cada petisco, medo de admitir que eu não estava apenas “acima do peso” — eu era obesa.
Hoje celebro minhas últimas férias: 15 dias de sol, mar e piscina ao lado do meu marido e do meu filho. Foram dias em que colecionei memórias que, por muito tempo, eu mesma evitava viver.

E, enquanto eu escrevo isso, os números do país mostram que a minha história não é exceção. Ela é parte de um cenário preocupante.
Dados do Ministério da Saúde, por meio do inquérito anual Vigitel Brasil, mostram que a frequência de adultos com obesidade passou de 11,8% em 2006 para 24,3% em 2023. Entre as mulheres, o índice saiu de 12,1% para 24,8% no mesmo período.
No recorte mais recente, entre 2018 e 2023, o avanço foi ainda mais acelerado. A obesidade mais que dobrou em menos de duas décadas.
A pesquisa também revela que o número de adultos com diabetes aumentou 135% entre 2006 e 2024. A hipertensão cresceu 31%. O excesso de peso, 47%. Pela primeira vez, o levantamento trouxe dados nacionais sobre sono: 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e 31,7% apresentam sintomas de insônia — um fator que impacta diretamente o peso e o metabolismo.
Diante desse cenário, o governo federal lançou a estratégia Viva Mais Brasil, uma mobilização nacional voltada à promoção da saúde, prevenção de doenças crônicas e fortalecimento da atenção primária, com investimento anunciado de R$ 340 milhões.
É um passo importante. Mas o enfrentamento da obesidade exige mais: políticas públicas consistentes, acesso a tratamento, combate ao estigma e reconhecimento de que estamos falando de uma doença — não de falta de força de vontade.
No Dia Mundial da Obesidade, reforço o que sempre digo aqui no Obesidade Sem Tabu: informação salva. Acolhimento transforma. Tratamento existe.
A obesidade é uma crise de saúde pública. E, para quem vive a doença, é também uma crise silenciosa de liberdade.
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