As crianças não sabem mais se comportar em restaurantes; e a culpa é nossa!
Falta de paciência coletiva, pais cansados, telas e espaços kids podem ser os motivos por trás dessa mudança social

Todo pai e toda mãe sabem que basta alguns minutos em um restaurante para que as crianças começarem a “existir demais” e os olhares tortos atravessarem o salão (antes mesmo do pedido chegar!).
Crianças são assim: elas falam alto, se mexem muito, dão risadas e derrubam coisas. Principalmente, quando estão em bandos. E dá muito trabalho ensinar a regular esse comportamento.
Quem tem filhos sabe, mas quem não tem, julga. E todos suspiram com o mesmo pensamento: “essas crianças não sabem mais se comportar”.
Mas será mesmo que elas desaprenderam? Ou fomos ‘nós pais’ que deixamos de ensiná-las ou ‘nós sociedade’ que deixamos de ser rede de apoio?
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De acordo o com Ana Carolina Dávila Sodré, psicóloga clínica especializada em família, infância, adolescência e trauma, é uma conjunção de fatores.
“Se uma criança está chorando, a mãe já fica nervosa. Ela fica mal com ela mesma e fica ainda mais difícil acalmar essa criança. Mas quando ela é surpreendida, por exemplo, por um garçom ou outro cliente com um olhar de compreensão e empatia, isso já traz conforto e a criança e a mãe se autoregulam”, explica Ana Carolina.
A falta de paciência coletiva
A sociedade parece ter desaprendido a conviver com crianças. Não há mais tolerância para o choro, para o tédio, para a inquietação infantil.
Crianças são bem-vindas desde que se comportem como adultos: sentadas, caladas, discretas. Qualquer desvio vira “falta de educação”, quando muitas vezes é apenas infância acontecendo.
Mas sabe como as crianças aprendem a se comportar nos lugares? Indo neles.
A gente só aprende fazendo e vendo a reação do outro. Elaborar isso com as crianças é uma tarefa importantíssima para seu desenvolvimento cognitivo e social.
O papel das telas
Criar filhos sem telas em espaços públicos virou quase um ato de resistência. O celular virou ferramenta de sobrevivência (entre os adultos também). Ele silencia, entretém, anestesia. Funciona — e talvez funcione até bem demais.
Mas o preço desse silêncio é alto: menos treino de espera, menos conversa, menos frustração vivida e elaborada. Ou seja, zero aprendizagem social e familiar.
O efeito colateral do espaço kids
Tinha um tempo que restaurante era apenas restaurante. O intuito era comer e, no máximo, conversar. Até que aparecerem os restaurantes com espaços kids.
Um conforto, não é mesmo? Ali, eles podem correr, gritar, existir, sem limites, e você pode “relaxar”. Mas é preciso ficar claro que em espaços assim as crianças não vão para comer, eles vão para brincar e, de quebra, às vezes, comem algo.
Neles, nós não treinamos convivência social, apenas confinamos a infância em áreas delimitadas por escorregadores e piscinas de bolinhas.
O resultado? Crianças que não sabem se portar em restaurantes (normais porque quase nunca estiveram realmente neles). Pais tensos, julgados, exaustos. Adultos impacientes. Um ciclo que se retroalimenta.
E agora?
Essa não é uma coluna para demonizar as telas e espaços kids, nem culpar pais individualmente — estamos todos tentando dar conta o tempo todo. Mas, talvez, seja hora de assumir a nossa parte coletiva. Refletir e buscar equilíbrio, sempre!
Ensinar crianças a se comportar em restaurantes (e na vida) exige tempo, repetição, erros públicos e, sobretudo, uma sociedade disposta a lembrar que criança não é um problema a ser resolvido, mas uma pessoa em formação.
Essa crianças serão adultos um dia e precisam entender como o mundo realmente funciona.
Como diz o proverbio “é preciso uma aldeia para criar uma criança” essa é uma responsabilidade de todos nós!
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