Muito pior do que crianças sem limites são pais que não fazem nada — e eles são muitos!
É muito comum ver pais no celular ou conversando perante situações de mau comportamento sem tomar atitudes reais

Esses dias estávamos voltando da aula e meu filho disse que eu era a mãe mais chata da escola. Quando eu ia argumentar o porquê, ele emendou: “Mas você também é a mãe mais legal e divertida. Como pode isso?”.
Na hora, só consegui dizer que, quando ele crescesse e entendesse por que eu sou tão chata, ele ia me achar ainda mais legal.
Aliás, fica essa dica: ser chata não te deixa menos legal — e eles sabem disso. Ser “chata” é intervir, repreender e explicar toda vez que for preciso pela segurança e pelo desenvolvimento deles.
Já escrevi em outra coluna sobre a importância de dizer “não” quantas vezes for preciso, porque educar é repetir várias vezes o limite até onde a criança pode ir.
Pais que veem uma situação socialmente inaceitável, como destruir coisas gratuitamente ou ter atitudes de violência, e não fazem nada atrapalham o desenvolvimento dos próprios filhos.
A equação é simples: omissão agora, preço alto depois.
O que dizem os especialistas?
De acordo com a neuropsicóloga infantil Cristina Mendes Gigliotti Borsari, coordenadora do Setor de Psicologia do Sabará Hospital Infantil, “a construção de limites na infância não está relacionada à rigidez ou ao autoritarismo, mas à oferta de contorno emocional e segurança psíquica”.
Limites não são barreiras afetivas — são instrumentos de cuidado. Do ponto de vista do desenvolvimento infantil, limites funcionam como estruturas organizadoras. A criança não nasce com a capacidade plena de autocontrole; essa habilidade é construída progressivamente a partir da educação, da orientação e da mediação do adulto.
Segundo Jean Piaget (1896-1980), pai da teoria sobre desenvolvimento cognitivo, o desenvolvimento moral ocorre em etapas, e, inicialmente, a criança depende de referências externas para compreender regras e consequências.
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Os pais perderam o controle?
A verdade é que o mundo mudou e, com isso, pais e filhos precisam se adaptar de forma muito rápida. Muita informação, tecnologia agressiva e rotinas exaustivas afetaram as relações e têm suas consequências:
Mudanças nos modelos parentais: gerações anteriores frequentemente associaram limites à rigidez excessiva. Muitos pais atuais, desejando não repetir experiências autoritárias, que muitas vezes vivenciaram de maneira mais punitiva e traumática, acabam migrando para um modelo de parentalidade permissivo.
Culpa e sobrecarga emocional: rotinas intensas de trabalho, pouco tempo disponível para brincar e cuidar do filho, e exaustão física favorecem a flexibilização de regras por cansaço ou compensação afetiva.
Cultura da validação constante: vivemos um momento histórico em que há maior valorização da escuta emocional (o que é positivo), mas que, por vezes, é confundida com ausência de frustração, ou de ensinamento sobre comando de uma parentalidade consciente. No entanto, validar sentimentos não significa validar todos os comportamentos.
Dificuldades na tolerância ao conflito: impor limites gera desconforto imediato — choro, oposição, birras. Muitos adultos têm dificuldade em sustentar essa tensão, especialmente quando desejam ser percebidos como “bons pais”.
Ainda segundo a neuropsicóloga infantil Cristina Mendes Gigliotti Borsar, educar com limites claros, consistentes e acompanhados de afeto é oferecer à criança não apenas regras, mas referências internas que a acompanharão por toda a vida.
Mas como eu faço isso?
Eu costumo seguir quatro diretrizes importantes e que ajudam a me posicionar em situações de conflito. Divido elas com vocês:
- Esteja realmente presente quando acompanhar o seu filho. É importante observá-los em grupo e entender as dinâmicas das amizades;
- Tente repreendê-lo na hora do problema e explique os limites e consequências dos seus atos;
- Não faça ameaças que não irá cumprir. Se você disse que na próxima vez irão embora, por exemplo, e acontecer algum problema de novo, vá. Não cumprir afeta a sua autoridade e passa a mensagem errada para a criança;
- Às vezes, é realmente difícil, mas lembre-se de que ter tônus paternal é fundamental para a educação dos pequenos. Se você não fizer, outros farão de forma menos cautelosa.
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