Pesquisa aponta que 54% das mulheres brasileiras já sofreram violência doméstica
Estudo destaca agressão psicológica como a mais frequente e cita medo de represália para evitar denúncias
Vanity Brasil|Do R7

Uma pesquisa divulgada aponta que 54% das mulheres brasileiras que já mantiveram relacionamentos com homens sofreram algum tipo de violência cometida por parceiro ou ex-parceiro. O dado corresponde a aproximadamente 47,7 milhões de mulheres e engloba agressões previstas na Lei Maria da Penha.
De acordo com o levantamento “20 anos da Lei Maria da Penha”, a violência psicológica lidera as ocorrências, sendo mencionada por 42% das entrevistadas. Na sequência, constam a violência física (25%), a violência moral (19%), a violência sexual (10%) e a violência patrimonial (9%). Para 88% das participantes, parceiros e ex-parceiros figuram como os principais autores das agressões.
A diretora-executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira, defendeu a capacitação de profissionais da Justiça e da segurança pública para reconhecer modalidades de violência que não deixam marcas físicas visíveis.
O estudo também consultou o público masculino. Entre os homens que já tiveram relacionamentos com mulheres, 7% declararam ter praticado alguma violência contra parceira ou ex-parceira. Quando questionados sobre modalidades específicas de agressão, o percentual elevou-se para 11%, tendo o levantamento identificado tentativas de justificativa entre os entrevistados.
Ao presenciar uma mulher sendo agredida, 70% das entrevistadas afirmaram que chamariam a polícia ou acionariam autoridades. Entre os homens, esse índice foi de 56%, sendo que 19% deles declararam que tentariam intervir diretamente sem o uso de força.
A Delegacia da Mulher é o canal de apoio mais conhecido, citado por três em cada quatro entrevistadas. O Ligue 180 e o 190 também são conhecidos por mais da metade das mulheres. Já os serviços de assistência social, os juizados especializados e a Casa da Mulher Brasileira apresentaram menor nível de reconhecimento.
Entre as barreiras para formalizar a denúncia, o medo de sofrer represálias foi citado por 68% das mulheres. O receio da impunidade dos agressores atinge 56% das entrevistadas, enquanto 39% mencionaram a lentidão da Justiça. Além disso, 80% das ouvidas avaliaram que a Lei Maria da Penha não funciona como deveria.
Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha entrou em vigor em 22 de setembro do mesmo ano com o objetivo de coibir e prevenir a violência doméstica e familiar. A legislação homenageia a farmacêutica Maria da Penha, sobrevivente de duas tentativas de homicídio cometidas por seu então marido.
Metodologia do levantamento
A pesquisa ouviu 1.000 mulheres e 500 homens com 16 anos ou mais, entre os dias 22 e 30 de abril. A margem de erro do estudo é de 2,8 pontos percentuais.














