Das vinícolas ao turismo de aventura. Conheça Mendoza
Província argentina famosa pelos vinhos da uva Malbec reconhecidos mundialmente oferece lazer, contato com a natureza e boa gastronomia
Viagens|Fernando Mellis, do R7*

Lua de mel, em família ou com amigos... Mendoza, na Argentina, é daqueles destinos turísticos que tem opções para todos os tipos de viajantes. Conhecida mundialmente pelos vinhos de excelente qualidade, a região recebeu mais de 800 mil visitantes estrangeiros no ano passado, sendo 100 mil brasileiros — segunda nacionalidade, atrás apenas do Chile.
Alguns motivos explicam o sucesso de Mendoza entre os brasileiros. A promoção do destino turístico começou intensamente em 2005, mas inicialmente atraía viajantes em busca de montanha e neve.
Hoje isso mudou, a maior parte dos brasileiros que viaja para a região vai atrás do enoturismo (visitas a vinícolas, incluindo degustações e gastronomia). Isso graças à "onda gourmet" que chegou também ao Brasil nos últimos tempos.
Além das vinícolas, a região oferece turismo de aventura, como rafting, rapel, escalada, trekking, passeios de balão e outras dezenas de programas que agitam a viagem de qualquer um.
Mendoza está localizada no pé da cordilheira dos Andes, a pouco mais de 700 m acima do nível do mar e a aproximadamente 1.000 km de Buenos Aires (de avião, em torno de 1 hora e 20 minutos).
O clima desértico é praticamente uma garantia de que os turistas facilmente terão tempo ensolarado durante a viagem, já que chove apenas 200 mm por ano.
O clima é temperado, com invernos gelados e verões quentes. O outono e a primavera costumam ter temperaturas amenas.
Vinícolas

A região de Mendoza tem cerca de 1.100 vinícolas (chamadas em espanhol de bodegas). Mais ou menos 170 delas aceitam receber turistas.
A melhor época para quem vai visitar as vinícolas é entre fevereiro e maio. Depois disso, as plantas ficam secas e toda a parte industrial da produção já foi concluída. É um período sem muita graça para quem quer tirar fotos em meio aos cachos de uva.
A colheita se inicia em fevereiro, mas é no primeiro fim de semana que acontece a Festa Nacional da Vindima, um dos maiores eventos populares a céu aberto do mundo. Se sua intenção for visitar Mendoza nessa época, planeje-se com bastante antecedência.
As vinícolas mais próximas do centro de Mendoza estão a cerca de 15 km de distância. Para evitar beber e dirigir, há opções baratas e fáceis a quem deseja fazer um tour pelas bodegas.
Uma delas é o Bus Vitivinícola, que passa pelos hotéis e leva às principais vinícolas. É possível escolher bilhetes de um dia inteiro (visita a até quatro vinícolas) ou de metade do dia (visita a até duas vinícolas). Os preços variam de 800 a 1.350 pesos (R$ 72 a R$ 120) por pessoa.
Além disso, o visitante paga também as entradas nas bodegas que desejar visitar. As visitas com degustações custam a partir de 200 pesos por pessoa (cerca de R$ 18).

Uma das vinícolas que estão na rota do ônibus é a Ruca Malén, na cidade de Luján de Cuyo. Fundada em 1998 pelo ex-presidente da Chandon Argentina Jean Pierre Thibaud e por Jacques Louis de Montalembert.
A propriedade tem 21 hectares, onde são plantadas uvas como Malbec, Cabernet Sauvignon e Chardonnay. O destaque é o restaurante, com vista para os vinhedos e para as montanhas e reconhecido pelo guia Michelin Voyage em 2018.
Na cozinha do chefe Juan Ventureyra entram ingredientes de uma horta orgânica junto aos vinhedos. O cardápio muda de acordo com a disponibilidade dos alimentos.
Um menu degustação de sete passos harmonizado com vinhos custa 2.800 pesos por pessoa (cerca de R$ 250). É preciso reservar com antecedência.
Outra opção no roteiro do ônibus é a vinícola Trapiche, também recomendada pelo guia Michelin. O menu de três passos com vinhos sai por 1.250 pesos (R$ 112).
Fora da rota do ônibus, na cidade de Maipú (a 38 km do centro de Mendoza) está outra vinícola que vale a pena ser visitada.
São 205 hectares com videiras das variedades Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Petit Verdot, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Algumas dessas plantas possuem mais de 60 anos de idade.
O grande destaque da vinícola é um deck que permite ver uma grande parte do vinhedo e a cordilheira dos Andes no horizonte.
Apesar de uma área de videiras grande, a produção própria da vinícola é modesta: 1,5 milhão de litros por ano — muitas uvas são vendidas para outras vinícolas, como Chandon, por exemplo.
O restaurante oferece menu degustação de três e cinco passos a 1.150 pesos e e 1.600 pesos (R$ 104 - R$ 145) por pessoa, respectivamente. Tudo acompanhado de muito vinho.
A visita à vinicola com degustação sai por 350 pesos (cerca de R$ 31). Também são oferecidos passeios de cavalo (R$ 210) e aula de culinária (R$ 250 a R$ 270). Todos os programas precisam ser reservados com antecedência no site da Finca Agostino.

Aventura e belas paisagens
A cordilheira dos Andes é cenário para lindas fotos. Se for do alto, então, melhor. Há cerca de um ano, a Mendoza Balloons começou a oferecer passeios de balão que sobrevoam vinícolas e áreas rurais da região. O custo de um voo de 45 minutos é de R$ 465 por pessoa.

Também há em Mendoza diversas agências que oferecem atividades para os aventureiros, isso inclui trekking pelas montanhas (é possível ir caminhando até o Chile), rafting em rios que são formado com água de degelo dos Andes, canoagem e passeios de caiaque.
Depois disso, quem quiser relaxar com uma vista deslumbrante pode recorrer às águas termais da TermasCacheuta, localizada no meio das montanhas, a cerca de 50 minutos de carro do centro de Mendoza.

O dia inteiro por lá, com almoço incluído, sai por R$ 163. Caso queira incluir o traslado, R$ 190. Também há pacotes com massoterapia, a R$ 280.
Não dá para ir a Mendoza e não visitar o parque General San Martín, que ocupa cerca de um terço da área total da cidade e foi projetado pelo paisagista francês Carlos Thays.
Toda a flora foi trazida de fora e precisa ser regada por meio de um esquema de rodízio que utiliza água de um lago artificial no meio do parque. Vale ressaltar que a cidade tem apenas 200 mm de chuva por ano.

Onde ficar
Hospedar-se no centro de Mendoza pode ser uma opção interessante para turistas que não querem alugar carro. É possível percorrer restaurantes e lojas a pé com segurança a qualquer hora.
Também é o ponto de partida dos trens e ônibus que levam a locais turísticos, incluindo as vinícolas. As diárias em hotéis como Ibis custam a partir de R$ 177 (quarto duplo).
Se quiser um hotel com piscina e spa, uma alternativa é o Hotel Esplendor, em Maipú, cidade vizinha. Está localizado em um complexo com restaurantes, cassino e fácil acesso às vinícolas da região. As diárias custam em torno de R$ 300.
Visitantes dispostos a gastar um pouco mais podem optar pelo Park Hyatt, que fica em um prédio histórico no centro de Mendoza. O local possui wine bar e restaurantes, além de spa, piscina e academia. As diárias para um casal custam em torno de R$ 900 e incluem café da manhã com direito a espumante.

Como chegar
As companhias aéreas Latam e Gol oferecem voos diretos entre São Paulo-Guarulhos e Mendoza. No entanto, esses bilhetes costumam ter preços elevados.
Uma alternativa é voar do Brasil para Buenos Aires e ficar pelo menos um dia na cidade. De lá, há companhias aéreas locais que fazem diversos voos diários para Mendoza.
Em uma pesquisa feita para o mês de maio, a reportagem encontrou passagens de ida e volta a partir de R$ 180 na Norwegian Air Argentina; R$ 174, na Aerolíneas Argentinas e na Latam.
*O jornalista viajou a convite da Norwegian Air Argentina e da Ente Mendoza Turismo.














