Xixi de foliões em BH vai virar adubo para flores
Projeto inédito da UFMG irá separar o fósforo da urina e transformar em fertilizante para Jardim Botânico da cidade
Carnaval 2018|Paulo Henrique Lobato, Do R7

Um projeto piloto transformará em adubo a urina despejada pelos foliões em banheiros químicos de Belo Horizonte durante o carnaval deste ano. Parte do fertilizante irá ajudar no cultivo das flores do Jardim Botânico da capital.
Na prática, profissionais e estudantes do departamento de química da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) desenvolveram uma tecnologia para separar o fósforo presente no xixi e reaproveitá-lo na agricultura.
O P4Tree, como o projeto foi batizado, usará a urina em seis banheiros químicos que foram equipados com recipientes próprios para o processo de filtragem. O projeto conta com a participação ou apoio da Belotur, braço da prefeitura responsável pelo carnaval. O diretor de Planejamento e Inovação do órgão, Marcos Boffa, está animado com o projeto:
— A ação piloto busca dar espaço e promover projetos inovadores e sustentáveis produzidos no campo do conhecimento cientifico, demonstrando a importância destas instituições acadêmicas no desenvolvimento econômico da capital mineira.
As cabines serão colocadas em pontos estratégicos da capital mineira. Quatro delas serão móveis e duas fixas, próximas ao palco da avenida Brasil. Já os equipamentos volantes estarão na praça da Liberdade nos dias 10 e 11. No dia seguinte, serão colocadas no bairro Santa Tereza, na região Leste. No dia 13, no Santa Efigênia.
E você sabe qual a importância do fósforo como adubo? Quem explica é Arthur Silva, químico responsável pelo projeto e doutorando em inovação tecnológica:
— O fósforo é um dos elementos químicos essenciais para o crescimento de plantas e tem papel fundamental na agricultura e em diferentes culturas. Também tem ampla utilização na indústria alimentícia como conservante. Esgotos e estações de tratamento são verdadeiros depósitos desse tipo de elemento.
Segundo ele, boa parte do fósforo não obtido através da mineração está presente em efluentes sanitários, devido principalmente à presença da urina humana. Ainda de acordo com Silva, o material pode ser inserido em um recipiente próprio para uso em banheiros e mictórios, também desenvolvidos na UFMG.
E como o P4Tree funciona?
Coletores instalados nos banheiros químicos recebem e filtram a urina, separando o fósforo. Depois do carnaval, as amostras serão enviadas para o laboratório de química da UFMG e passarão por processo de desinfecção. Em seguida, o material é combinado a outros elementos para que possa ser usado em áreas verdes. Em Belo Horizonte, o material irá adubar o Jardim Botânico.
Curiosidades:
• Um banheiro químico = 220 litros de dejetos
• 150 litros de dejetos líquidos. Pode chegar a 100 gramas de fósforo por banheiro
• 300 miligramas por litro é a quantidade de fósforo por litro de urina humana
• Desperdiçamos hoje 650 quilos por dia de fósforo nos banheiros, só em Belo Horizonte
• Se a urina não tiver contato nenhum com as fezes, ela pode ser utilizada como fertilizante por conter água misturada a fósforo e nitrogênio, além de outros nutrientes que podem ser absorvidos rápida e facilmente pelas plantas.
O projeto é coordenado pelo pesquisador Rochel Lago. Também participam da equipe, além dele e de Silva, Jéssica Carvalho (projetos educacionais), Raphael Capruni (mestrando em química /protótipos e projetos), Fernando Augusto (professor e doutorando em química) e a graduanda em química Marina Guedes. Ottavio Carmignano, doutorando em Inovação Tecnológica, também participa da equipe do projeto, fornecendo a matéria prima necessária.
