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Quem foi Zuenir Ventura, jornalista e membro da ABL, que morreu aos 95 anos

Escritor era considerado uma das grandes referências do jornalismo brasileiro

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Zuenir Ventura, renomado escritor e jornalista brasileiro, faleceu aos 95 anos, deixando um legado significativo no jornalismo.
  • Iniciou sua carreira em 1956 e trabalhou em importantes veículos de comunicação, contribuindo para o desenvolvimento do 'Jornalismo Literário' no Brasil.
  • Publicou obras marcantes como '1968 – o ano que não terminou' e 'Cidade partida', abordando temas políticos, culturais e sociais do Brasil.
  • Reconhecido internacionalmente, Zuenir recebeu prêmios por sua defesa dos direitos humanos e foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2014.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Zuenir Ventura era autor de '1968 – o ano que não terminou' Reprodução/ABL

O escritor, jornalista e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22). A morte foi confirmada pela família. Ao longo de quase sete décadas de carreira, ele se tornou uma das referências do jornalismo brasileiro.

Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, no interior de Minas Gerais, Zuenir se mudou aos 11 anos para Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. Ainda adolescente, conciliou os estudos com o trabalho. Foi pintor de parede, office-boy e chegou a jogar basquete.

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A vocação para o ensino também apareceu cedo. Zuenir conseguiu uma bolsa de estudos em troca de dar aulas para crianças do então ensino primário. Aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou Letras Neolatinas na Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Sua relação com o jornalismo começou em 1956, quando passou a trabalhar como arquivista. A função foi o primeiro passo de uma carreira que o levaria a alguns dos principais veículos de comunicação do país.

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Zuenir trabalhou inicialmente como assistente de Carlos Lacerda no jornal Tribuna de Imprensa e posteriormente foi correspondente em Paris. Entre as décadas de 1960 e 1980, passou por veículos como Correio da Manhã, Fatos & Fotos, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil. Também se tornou colunista de O Globo.

Durante esse período, ocupou diferentes funções, entre elas editor internacional, chefe de reportagem, diretor de redação e editor-chefe de sucursal. Em 1960 e 1961, estudou no Centro de Formação dos Jornalistas de Paris, após conquistar uma bolsa de estudos.

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Carreira entre o jornalismo e a literatura

Zuenir ajudou a aproximar a narrativa literária do texto jornalístico no Brasil. Seu estilo acompanhava uma tendência que ganhava força nos Estados Unidos, o chamado New Journalism (“Jornalismo Literário” em português), associado a nomes como Truman Capote, Gay Talese e Tom Wolfe.

Em suas reportagens, buscava ir além do relato dos acontecimentos, dando atenção aos personagens, aos ambientes e ao contexto social. A característica se tornou uma das marcas de sua produção.

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A experiência como editor foi outra parte importante de sua trajetória. Em 1971, voltou para a revista Visão, onde permaneceu até 1977. Depois, assumiu a chefia da sucursal carioca da Veja. Em 1981, passou a dirigir a sucursal da IstoÉ. Quatro anos depois, foi convidado a reformular a revista Domingo, do Jornal do Brasil.

Foi em 1988 que Zuenir lançou a obra que se tornaria uma das mais conhecidas de sua carreira: 1968 – o ano que não terminou. O livro reconstituiu acontecimentos políticos e culturais daquele período e se transformou em uma referência sobre os anos de ditadura militar no Brasil.

Já em 1989, publicou no Jornal do Brasil a série de reportagens O Acre de Chico Mendes, sobre o líder seringueiro assassinado em 1988. O trabalho recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.

Em 1994, lançou Cidade partida, livro-reportagem que abordou a violência e as desigualdades sociais no Rio de Janeiro. A obra foi traduzida para o italiano e recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem.

Nos anos seguintes, Zuenir publicou títulos como O Rio de J. Carlos, Inveja – Mal Secreto, Chico Mendes – Crime e Castigo, Crônicas de um fim de século e 70/80 Cultura em trânsito – da repressão à abertura, em parceria com Heloísa Buarque de Hollanda e Elio Gaspari.

Entre seus trabalhos posteriores, estiveram Minhas histórias dos outros, 1968 – o que fizemos de nós e Conversa sobre o tempo, em parceria com Luis Fernando Verissimo. Seu último livro foi o romance Sagrada Família.

A trajetória de Zuenir na imprensa e na literatura o levou à ABL. Em 30 de outubro de 2014, ele foi eleito para a cadeira nº 32, na sucessão de Ariano Suassuna. Tomou posse em 6 de março de 2015, recebido pela acadêmica Cleonice Berardinelli.

Na área acadêmica, Zuenir manteve uma relação com o ensino. Foi professor da UFRJ e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

No cinema, sua atuação incluiu a codireção do documentário Um dia qualquer e o trabalho como roteirista de Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje, dirigido por Izabel Jaguaribe.

O trabalho jornalístico de Zuenir lhe rendeu reconhecimento internacional. Em 2008, a Organização das Nações Unidas (ONU) concedeu a ele um troféu especial por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no país. Em 2010, foi eleito “Jornalista do Ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.

Sua produção sobre Chico Mendes e a Amazônia também chamou a atenção no exterior. A The New York Review of Books o descreveu como um dos grandes jornalistas brasileiros, enquanto a revista britânica The Economist destacou sua capacidade de observar o país.

Zuenir deixou a esposa, Mary Ventura, e os filhos Elisa e Mauro.

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