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Celebrando sucesso, Projota lança álbum de ousadia e alegria

A Milenar Arte de Meter o Louco avança na proposta de misturar vários estilos

Música|Juca Guimarães, do R7

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Projota lança o terceiro álbum contando a receita do sucesso
Projota lança o terceiro álbum contando a receita do sucesso

"Quando você é preto, de periferia e tem lá seus 15 anos, se você não tiver um posicionamento [de autoafirmação], o mundo te engole, tio, te pisoteia e passa por cima. A mensangem que eu quero passar pros moleques nesse disco é que ele tem que bater no peito mesmo. Tem que ser o Neymar, o Neymar naquilo que ele quiser ser na vida. Tem que ir pra cima. Alegria e ousadia sempre. Foi o que eu fiz", disse o rapper Projota, no evento fechado de lançamento do álbum "A Milenar Arte de Meter o Louco" para jornalistas em um bar na badalada e chique Oscar Freire, região nobre da capital Paulista.

A filosofia neymariana de vida encontra vários exemplos na carreira recente do cantor que, em 2013, decidiu dar uma guinada nos planos e buscar um público mais amplo fora na zona de conforto do rap. De lá pra cá, foram três lançamentos, dois álbums de estúdio e um DVD ao vivo. 


"Eu decidi que queria viver de música até ficar velhinho, tocar nas rádios. Ter uma carreira sólida. E a gente foi de pouquinho em pouquinho e já estamos no nono single radiofônico em três anos. É difícil, mas é isso. Foi meter o louco, foi uma metida de louco nervosa", relembra.

Antes do estouro no mundo pop e essa afirmação na cena com o "A Milenar Arte de Meter o Louco", pela Universal Music, a mesma gravadora da Ivete Sangalo, identificada por Projota como um exemplo de sucesso a ser seguido, o rapper havia estabelecido uma carreira de destaque no rap indenpendente brasileiro com cinco mixtapes de qualidade. A primeira foi gravada em 2009.


"Era se manter no nível que a gente estava ou ir para as cabeças, que é ser tão grande quanto a Ivete. Meu esforço é para me tornar um grande artista e não apenas um grande nome dentro do rap", pondera Projota.

No novo álbum, para fugir do estigma do segundo álbum, que normalmente é o mais carregado de pressão e cobranças, Projota apostou nas misturas e também no resgate das influências de rap que tem desde os tempos das mixtapes. 


O álbum abre com um prefácio sonoro resultado de uma conversa gravada com o amigo e ídolo Mano Brown (Racionais MCs), que durou mais de uma hora e meia. No extrato do bate-papo que está no álbum, Brown explica a sua própria filosofia milenar de meter o louco "Eu investi sempre um pouco a mais que todo mundo [...] Cada vez que eles começavam a entender o som, eu fazia outro que não dava para entender nada. Saia do rótulo".

Escapando de qualquer rotulagem, Projota chamou a dupla Anavitória para a participação especial na faixa Linda. "Quando eu faço as misturas é isso. Eu não tenho que cantar uma coisa só. Ser uma coisa só", pontuou o rapper. Por sinal, o videoclipe com a dupla folk pop foi lançado há menos de um mês e tem mais de 7,5 milhões de visualizações no Youtube.


Projota também divide espaço no álbum com a Karol Conká (Mais Like), o grupo Haikais (Pique Pablo) e o rapper Rashid (Segura seu BO). A meta é que todas as faixas do álbum ganhem videoclipe, o que já aconteceu com seis delas desde dezembro.]

Projota quer ampliar carreira e sair da zona de conforto do rap
Projota quer ampliar carreira e sair da zona de conforto do rap

A interação com o público e o interesse pelos fãs é um dos focos do artista e também do empreendedor Projota. "Eu ainda ouço os caras que eu escutava quando tinha 16 anos e começava a ouvir música. Hoje tem uma galera de 11 anos que vai no meu show e canta todas as músicas. Eu sei a responsabilidade que é isso". No site do artista, entre os produtos vendidos com a marca Projota estão itens típicos do universo teen como ursinhos de pelúcia. 

"Quando você vai abrir uma loja, precisa entender a demanda. Eu sei que eu tenho uma demanda para ursinho. Elas [fãs] me dão vários ursinhos. Elas adoras e eu vou vender. Mas aí a gente não tá falando de arte, tá falando de negócios e eu quero vender, porém, com um preço acessível. A gente conversa muito sobre isso. Tem lá no site vários produtos a preços acessíveis.Nessa fase da adolescência, a galera adora ter o nome do que gosta estampado. Quando eu comecei a ouvir rap também usava as camisetas o tempo todo. Para mostrar para todo mundo que eu era do hip hop", disse Projota.

No momento atual, o cantor quer curtir com orgulho e sem falsa humildade as conquistas. "Estou testando coisas novas em várias áreas. Aprendi a dançar forró para fazer uma participação especial no filme "Sequestro Relâmpago", dirigido pela Tata Amaral", disse. No filme, que chega às telas no ano que vem e tem como destaques a atriz Marina Ruy Barbosa e o ator Sidney Santiago, Projota é o marido da Linn da Quebrada e está em um bar numa madrugada de São Paulo. "A personagem da Marina que está fungindo dos sequestradores entra no bar e vem dançar comigo para despistar, mas daí chega a minha mulher, que é a Linn, mas o que acontece depois eu não posso contar", disse o rapper que se animou com a experiência na atuação.

Na lista de motivos para se orgulhar, Projota também inclui a conquista do terceiro disco de ouro, de ter feito o show com o maior público no boulevard olímpico, em agosto de 2016, quando em convidou os amigos Rico Dalassam e Marechal. 

"Tenho que ter orgulho das coisas que conquistei. Esse orgulho é que vai mostrar para o moleque que um negro que veio do mesmo lugar que ele também pode ser o personagem da novela que ele assiste, e que normalmente é branco. Mas isso na vida real, porque lá na novela ainda é difícil, né, não tem. Na vida real existem negros que conseguem isso. Por isso, ele tem que encontrar essa referência no Projota, no Emicida e no Brown. Que chegaram lá sem a falsa humildade", disse.

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