Reverberando Jimi Hendrix e música africana, Rincon Sapiência lança o álbum "Galanga Livre"
Álbum inovador já está nas plataformas digitais e chega às lojas no dia 15 de junho
Música|Juca Guimarães e Peu Araújo, do R7

James Marshall Hendrix, mais conhecido como Jimi Hendrix, reinventou o rock'n'roll adicionando uma dose extra de rebeldia, criatividade e selvageria que fazem parte da essência do ritmo. O mérito do Jimi foi fazer da guitarra, o instrumento símbolo do rock e da juventude ansiosa por novas experiências, quase uma extensão do seu corpo. Sua guitarra pegava fogo, às vezes literalmente.
Esta é uma das referências do rapper da zona leste de São Paulo Rincon Sapiência. Centrando forças nas guitarras (digitais e orgânicas) ele tempera o seu álbum de estreia, Galanga Livre, pelo selo Boia Fria Produções.
A referência ao Jimi Hendrix aparece na primeira faixa, quase como uma pegadinha. A introdução, que tem pouco mais de 20 segundos, e “Crime Bárbaro”, a canção número 1, são marcadas por uma referência à “Jimmy, Renda-se”, do baiano Tom Zé.
Outra referência pulsante no álbum são os tambores. Rincon Sapiência foi, metaforicamente, à África para aprimorar ainda mais suas referências. Esse flerte não é uma novidade para quem acompanha a trajetória do MC, em julho de 2009, quando lançou a faixa “Elegância” o rapper já apontava para este caminho. Trilha que ele apurou, evoluiu e nos entrega oito anos depois.
O nome do disco remete a lenda, adaptada por Danilo Ambrósio (alter ego do Rincon), sobre a história do escravo Galanga que foge após assassinar o senhor do Engenho. O negro vingador se torna o herói da fazenda. " Arrependimento eu não tenho/O meu movimento eu sempre mantenho/escravos apoiam o meu desempenho/Fui eu que matei o Senhor de Engenho/"O nego fujão, alguém viu"/ "Neguim passou a mil (sample do Racionais MC’s)"/ Canela fina é pra correr/ Se me pegarem vai doer/Mesmo estando em desvantagem/A sensação é de poder", canta o rapper na faixa Crime Bárbaro.
Rincon Sapiência faz rap da vida adulta. Ele fala sobre os perrengues do trabalhador em “Volta pra Casa”, fala de racismo com um discurso bem corajoso e apresenta músicas que já nasceram clássicas como “Meu Bloco”, “A Coisa tá Preta”, “Ponta de Lança (Verso Livre)” e “Ostentação à Pobreza”.
Entre as participações, Rincon também traz novidade. Ele canta “Moça Namoradeira” ao lado de Lia de Itamaracá, uma das vozes mais importantes da música regional pernambucana. Produzido pelo próprio Rincon, coproduzido e dirigido por William Magalhães e masterizado por Arthur Joly, “Galanga Livre” é uma das gratas surpresas de 2017.
O Rincon Sapiência fala um pouco mais sobre a obra:
R7: O Galanga Livre tem uma certa inspiração em Django Livre; qual a relação que você faz entre essas duas faixas do disco ( "Crime Bárbaro" e "Galanga Livre") com o filme do Quentin Tarantino?
Rincon Sapiência: A semelhança entre o meu "Galanga Livre" e o Django Livre é que ambos saem de uma posição de hostilizados para uma posição de ponta de lança, de protagonismo. Foi meio inconsciente, mas houve sim uma certa influência. Até porque o Tarantino é um diretor que eu admiro muito. Mas o contexto do Galanga é mais focado na liberdade. O Galanga trabalha para ele mesmo e não prestando serviço a alguém.
R7: Quais sons e ritmos você quis trazer? Quais as principais fontes de pesquisa para chegar num som tão peculiar?
Rincon Sapiência: Por mais que eu tenha misturado com ciranda, com afrobeat, percussões, berimbau, música eletrônica e por aí vai... talvez a mistura mais interessante do disco é uma mistura que não é novidade, que seria o rap com o rock, porém, tem todo um significado do rock, porque originalmente ele faz parte da música preta e houve todo um processo onde se perdeu essa referência. De certa forma, é um ritmo que foi tomado dos pretos. Isso, no disco, tem esse teor de retomada também,
R7: Como foi o processo de escolha das músicas que entrariam no álbum? Você tinha quantas faixas prontas e como decidiu quais entrariam no álbum?
Rincon Sapiência: O processo de escolha foi bem difícil, porque o processo de audição das músicas, eram 17, partiu de um material que eu já tinha há um tempo. Porém, o plano era fazer um álbum e tudo tinha que fazer um sentido. Então para arrumar o equilibrio certo desse mix de músicas mais antigas e outras mais novas foi difícil. Quando eu chegava com as músicas para o William Magalhães, eu já levava umas coisas novas, recém compostas. Na hora dele mixar e produzir, ele perguntava. 'Qual é essa? não lembro dela'. Eu respondia: 'é nova e tem que estar no disco'.
R7:Quais as suas canções preferidas no álbum e por quê?
Rincon Sapiência: Gosto de todas, obviamente, mas a mais interessante é a "Bênção", porque reproduzir de forma digital algo na linha do rock, da ciranda, como eu fiz, é tudo mais tranquilo, não sai do campo da normalidade. Mas, agora, você reproduzir digitalmente o afrobeat, a rítmica da bateria, das percussões, as guitarras, os arranjos. O equilibrio do digital com o orgânico, porque tem algumas guitarras digitais e algumas orgânicas, tocadas pelo Robson Heloyn. Tem os metais também, que não são metais de verdade, mas com uma sonoridade que resolve. Então é a música que eu mais tenho orgulho de ter produzido.
Assista ao clipe de "Ponta de Lança (Verso Livre)":















