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Confronte seu passado colonial, diz Conselho da Europa a Portugal

PORTUGAL-PASSADO-COLONIAL:Confronte seu passado colonial, diz Conselho da Europa a Portugal

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Por Victoria Waldersee e Catarina Demony

LISBOA (Reuters) - O principal grupo de direitos humanos da Europa disse nesta quarta-feira que Portugal precisa fazer mais para confrontar seu passado colonial e seu papel no tráfico de escravos transatlântico para poder combater o racismo e a discriminação no país hoje.

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Os comentários do Conselho da Europa coincidem com o acirramento de um debate dos últimos meses sobre como lembrar a história portuguesa no momento em que o país se prepara para inaugurar seu primeiro memorial às vítimas da escravidão em Lisboa.

O memorial – fileiras de palmeiras pintadas de preto – foi projetado pelo artista angolano Kiluanji Kia Henda e financiado pelo conselho de Lisboa e ficará no centro da cidade.

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Entre os séculos 15 e 19, embarcações portuguesas transportaram quase seis milhões de escravos africanos através do Atlântico, mais do que qualquer outra nação, mas até hoje Portugal só comentou raramente suas ações passadas, e pouco é ensinado sobre seu papel na escravidão nas escolas.

Ao invés disso, a era colonial de Portugal, durante a qual países como Angola, Moçambique, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste e partes da Índia foram sujeitados ao controle português, é percebida muitas vezes como um motivo de orgulho.

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"Esforços adicionais são necessários para Portugal reconhecer violações de direitos humanos passadas para confrontar propensões racistas contra pessoas de ascendência africana herdadas de um passado colonial e do comércio de escravos histórico", disse o Conselho da Europa em seu relatório anual sobre Portugal, exortando Lisboa a repensar como ensina sua história colonial.

As queixas de discriminação racial aumentaram 50% e chegaram a 655 em 2020, mas a cifra provavelmente é muito inferior à verdadeira taxa de incidentes racistas, disse a secretária de Estado para a Igualdade, Rosa Monteiro.

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"Nossa narrativa histórica é como uma ferida muito grave que não foi devidamente tratada. E para curá-la, temos que conversar sobre o que aconteceu", disse Monteiro à Reuters, acrescentando que o governo está preparando um plano nacional para combater o racismo.

Crimes de motivação racial recentes incluem uma manifestação com tochas ao estilo da Ku Klux Klan, a morte a tiros de um ator negro cometida por um homem branco em plena rua e ameaças a parlamentares negros por email.

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