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Produtores avaliam propostas de mudanças da Lei Rouanet

Desburocratização é ponto forte, mas recursos podem continuar centralizados

Pop|Helder Maldonado, do R7

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Sérgio Sá Leitão: Rouanet deverá ser menos burocrática
Sérgio Sá Leitão: Rouanet deverá ser menos burocrática

O Ministério da Cultura divulgou uma nova Instrução Normativa que prevê mudanças relevantes nas regras da Lei Rouanet. O principal foco do texto é a desburocratização e promoção de dinamismo em todas as fases do processo, da captação à prestação de contas.

Em entrevista coletiva, o Ministro Sérgio Sá Leitão ressaltou também que um dos interesses é impulsionar a lei em regiões com baixo histórico de projetos culturais (basicamente, quase toda localização fora do eixo Rio-São Paulo).

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— A ideia é induzir e dialogar com empresas sem histórico na área para ajudar a promover a cultura local. Isso não vai gerar equilíbrio imediato, claro, mas no futuro pode fazer diferença.

Além disso, as novas instruções tem como meta aumentar o teto de captação (para R$ 7,5 milhões para MEIs e R$ 60 milhões para empresas), tornar mais liberal a ativação de marcas em projetos culturais, admitir empreendedores iniciantes, medir o impacto econômico dos projetos, possibilitar transferência de recursos e inclusão de familiares como parceiros de captação.

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Até 2018, um projeto com sugestões de alterações no texto da Rouanet será votado pelo Congresso, que precisará de aprovação da maioria para que as regras entrem em vigor.

A classe de produtores artísticos recebeu com entusiasmo e algumas ressalvas a publicação da Instrução normativa.

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O ponto mais festejado é a redução de 136 para 73 artigos. Para a advogada Deborah Sztajnberg, especializada na área de entretenimento, existe uma distância entre teoria e prática, no entanto, e só será possível analisar se houve dinamismo no processo quando a lei entrar em vigor. E isso só será analisado a sério em 2018.

"A ideia é induzir e dialogar com empresas sem histórico na área para ajudar a promover a cultura local"

(Sérgio Sá Leitão)

Exploração da marca do investidor

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Geraldinho Magalhães, produtor da empresa Diversão e Arte, acredita que esse é um grande avanço da Instrução Normativa. Esse novo artigo propõe realização de ações de marketing e de reforço na promoção dos projetos apoiados pelas empresas.

— Se você quiser olhar pelo lado não romântico, essa ideia é quase uma tábua de salvação, pois estimula uma injeção recursos que não estariam envolvidos numa operação que não dê garantia de exposição da empresa em campanhas.

Rodrigo Linhares, da J.Leiva - Cultura e Esporte, concorda, mas faz uma ressalva.

— Por outro lado, como ponto de atenção, essa medida tende a beneficiar mais e estimular o investimento principalmente em projetos com maior potencial de exploração comercial para visibilidade e relacionamento. Isso puxa a tomada de decisão do patrocínio para a área de marketing das empresas.

"Temos muitas ideias que vão além da arte e cultura mais tradicionais. O mercado evolui e o país tem muito potencial"

(Geraldinho Magalhães)

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Geraldinho Magalhães: "Falta da inclusão de projetos de economia criativa"
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Admissão de empreendedores culturais iniciantes

Essa iniciativa é vista como maneira de ampliar ainda mais a cadeia produtiva da música no Brasil.

A ideia do MinC é fortalecer a formação e capacitação de empreendedores culturais iniciantes. Para o Ministro, essa é uma maneira de continuar a fazer a indústria cultural um dos segmentos mais atraentes e importantes do setor econômico brasileiro.

— Hoje o mercado inclui 1 milhão de pessoas, o que representa 2,64% do PIB nacional. E tem como crescer ainda mais.

Deborah Sztajnberg complementa essa visão de Leitão.

— Isso na verdade terá um efeito cascata, pois aos poucos os iniciantes serão desafiados também a se profissionalizar.

Fora do eixo

Um dos tópicos tem como meta aumentar em 50% o limite de projetos e valores em regiões fora de Rio e São Paulo. Geraldinho Magalhães aprova a capilaridade em estados do País todo. Porém, ele sente falta da inclusão de projetos de economia criativa no novo texto.

— Temos muitas ideias que vão além da arte e cultura mais tradicionais. O mercado evolui e o País tem muito potencial. Porém, sem incentivos, muitas ideias morrem antes de ter a chance de desenvolvimento.

Rodrigo Linhares alerta que a concentração de recursos em São Paulo e Rio de Janeiro sempre foi um dos pontos críticos da lei.

Linhares: medidas podem beneficiar projetos com maior potencial de exposição
Linhares: medidas podem beneficiar projetos com maior potencial de exposição

— As medidas da nova IN [instrução normativa] para estimular maior investimento [aumento do valor do projeto e do percentual para remuneração de captação] são interessantes, mas não serão suficientes para alterar significativamente o quadro de concentração. Essas medidas interferem muito pouco na tomada de decisão do patrocinador.

Lei Rouanet

Criada em 1991 pelo então secretário Nacional de Cultura, Sérgio Paulo Rouanet, a Lei 8.313/91 estabelece o Pronac (Programa Nacional de Apoio à Cultura), que destina recursos federais para a realização de projetos artísticos e culturais por meio da iniciativa privada.

O governo federal abre mão do recolhimento de impostos das empresas que investirem esses valores em projetos culturais. As propostas são apresentadas ao Ministério da Cultura e passam por uma avaliação técnica. Se for aprovada, a proposta fica autorizada a captar recursos junto a empresas.

A quantia designada pela empresa ao projeto pode ser declarada no Imposto de Renda, para ser deduzido pela Receita Federal. O dinheiro, em vez de ir para o cofre da União, é repassado ao projeto indicado.

Projetos de música, de teatro, de dança, de literatura, de artes plásticas e gráficas, patrimônio cultural (como museus) e de audiovisual (programas de rádio e de TV) são liberados a captar.

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