Ed Sheeran perde 200 mil seguidores após polêmica com Macklemore
Remoção de rapper da turnê por discurso pró-Palestina gera onda de cancelamentos e reações de outros músicos

O astro britânico Ed Sheeran registrou uma perda de mais de 200 mil seguidores em sua conta no Instagram nas últimas 24 horas, em meio a uma controvérsia que envolve a remoção do rapper Macklemore de sua turnê nos Estados Unidos.
A decisão levou ao cancelamento da participação de outros artistas e gerou diversas reações na comunidade musical.
Macklemore, que faria a abertura de oito das dez datas restantes da turnê de Sheeran, foi excluído dos shows após discursar em apoio à “Palestina livre” durante suas apresentações no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA), nos dias 4 e 5 de setembro.
A Messina Touring Group, promotora da turnê, afirmou que as casas de shows não permitiriam a realização de eventos com Macklemore na programação.
Essa medida, segundo a promotora, visava evitar o cancelamento de toda a turnê. Ed Sheeran, 35 anos, declarou que a decisão de afastar o rapper partiu dos promotores, não dele. Ele ainda ressaltou que seu público é jovem e diverso, não esperando um fórum político em seus shows.
Apesar disso, o número de seguidores no Instagram de Sheeran caiu de 47,6 milhões para 47,3 milhões.
Macklemore, cujo nome é Benjamin Hammond Haggerty, afirmou em seu Instagram que Sheeran o informou que Robert Kraft, CEO do Kraft Group e proprietário do Gillette Stadium, orquestrou a decisão. O rapper disse que Kraft teria “mobilizado outros donos de estádios” para um ultimato: a remoção do rapper ou o cancelamento da turnê.
Em solidariedade a Macklemore, vários artistas cancelaram sua participação na Loop Tour. Entre eles, Finneas, irmão de Billie Eilish, declarou: “Artistas não devem ser silenciados quando se manifestam em defesa dos oprimidos. Decidi cancelar minha participação na turnê com Ed Sheeran. Estou ao lado da Palestina e de seu povo.”
O cantor irlandês Aaron Rowe também se posicionou, afirmando: “como irlandeses, conhecemos muito bem o genocídio, a fome forçada e a ocupação violenta”.
A banda pop dinamarquesa Lukas Graham e a banda folk irlandesa Beoga seguiram o mesmo caminho, expressando apoio à liberdade de expressão e à causa palestina.
Myles Smith, amigo próximo de Sheeran e ex-artista de abertura, também deixou a turnê. Contudo, Smith defendeu Sheeran, afirmando que “Ed não é a vítima aqui. Os palestinos são. Mas não vamos nos confundir: Ed também não é o perpetrador”. Ele reiterou seu apoio aos palestinos sem “trair um amigo”.
A cantora Pink acrescentou outro capítulo à polêmica ao republicar um story do StopAntisemitism, que criticava a apresentação de Macklemore. A postagem alegava que fãs judeus foram “surpreendidos pela propaganda anti-Israel” e que o rapper transformou o evento em um “pesadelo político contra o Estado judeu”.
Macklemore defendeu seu posicionamento, divulgando um vídeo de seu discurso no MetLife Stadium onde afirmou: “Quero que essas palavras sejam ouvidas em alto e bom som, para que as pessoas desde Gaza até a Cisjordânia ocupada saibam que não as esquecemos.”
Ele também lançou a música Hind’s Hall, doando a renda para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina.
Em sua defesa, Robert Kraft declarou que o Gillette Stadium se compromete a “proporcionar um ambiente acolhedor para todos os visitantes e em garantir que os eventos realizados em nossas instalações não sirvam de plataforma para discursos de ódio”.
Ele considerou que as ações de Macklemore, incluindo retórica e imagens, “ultrapassariam esse limite” e seriam ofensivas à comunidade judaica.
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