‘Exit 8’ aposta na imersão e prende como o jogo, mas decepciona na hora de escapar
Longa japonês desafia a percepção, joga com o público, porém se perde na conclusão da trama
Cine R7|Guilherme Lins*
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Exit 8 parte de uma ideia simples, mas extremamente eficiente: um homem preso em um looping dentro de um corredor de metrô, que só consegue sair caso identifique pequenas anomalias no ambiente, como um “jogo dos sete erros” mesclado com “jogo da memória”, entretanto levado a sério com consequências reais.
O filme, que chegou aos cinemas brasileiros nessa quinta-feira (30), é baseado em um game lançado em 2023. E ele conversa muito bem com a proposta. A grande sacada está na forma como transporta a lógica do jogo para a experiência do espectador. Em vários momentos, a sensação não é apenas de assistir, mas de participar ativamente.
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O olhar fica mais atento, desconfiado, tenta captar qualquer detalhe fora do lugar. É uma imersão que funciona de verdade, principalmente pelo cuidado com o ambiente e com a repetição sutil das cenas.
Em certos momentos, o filme confunde a percepção a ponto de fazer o espectador questionar até sons ao seu redor.
Há momentos em que essa construção sensorial se destaca bastante, criando um tipo de tensão que nasce mais da dúvida do que do susto. E é justamente aí que o filme acerta.
O ator Kazunari Ninomiya sustenta bem a narrativa como o homem perdido no ciclo. Sua atuação é contida, mas eficaz; mostra cansaço, confusão e um desespero silencioso que cresce aos poucos.

Referências e expansão do game
As referências também são muito claras. Em alguns momentos, o filme flerta com Interestelar, principalmente na forma como trabalha a percepção e o tempo. Já a tensão construída a partir de brincadeiras de criança que ganham peso real lembra propostas como Round 6.
Outro ponto positivo é como o filme amplia o universo do jogo. Em vez de apenas reproduzir a experiência original, ele adiciona novas camadas, traz mais contexto, dinâmica e dá profundidade para que personagens não explorados no game ganhem maior relevância dentro da trama.
Por outro lado, nem tudo funciona com a mesma precisão...
Terror psicológico e apelo para trilhas alta
Apesar de ser essencialmente psicológico, o longa recorre em alguns momentos a soluções mais óbvias, como jumpscares e uso exagerado de trilha sonora alta para criar tensão.
Esses recursos acabaram sendo menos eficazes do que o desconforto construído de forma mais sutil, que é justamente o ponto forte da proposta. O principal problema, no entanto, está no desfecho.
Desfecho confuso
Depois de uma construção envolvente, o filme perde força na reta final. Algumas decisões narrativas soam repetitivas e certas ideias, que tinham potencial para um impacto maior, acabam sendo executadas de forma confusa. Além disso, a sensação é de que elementos importantes da história não recebem o desenvolvimento que mereciam.
Ainda assim, Exit 8 é uma experiência imersiva e inteligente, que prende pela proposta e pela forma como envolve o espectador no jogo psicológico que propõe. No fim, é um filme que acerta ao construir o labirinto, mas hesita justamente na hora de encontrar a saída.
*Sob supervisão de Lello Lopes
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