‘Michael’ é espetáculo visual e musical, mas erra ao passar pano para o Rei do Pop
Cinebiografia de Michael Jackson estreia nos cinemas nesta quinta-feira (23) em meio a polêmicas e brigas na família
Cine R7|Larissa Lopes

Michael Jackson é insubstituível. Mas o sobrinho, Jaafar Jackson, conseguiu evocar o Rei do Pop na cinebiografia Michael, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (23). O filme, no entanto, é mais uma homenagem do que qualquer outra coisa, porque passa muito pano para o astro e mostra tudo o que já sabíamos sobre ele.
Michael chega em meio a polêmicas sobre o roteiro, que precisou ser mudado às pressas para regravar cenas, disputa pela herança e brigas entre a família, já que alguns membros, como Janet Jackson, criticaram duramente a produção. O lançamento do filme também foi adiado três vezes.
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O diretor Antoine Fuqua (Dia de Treinamento), o roteirista John Logan (Gladiador) e o produtor Graham King (Bohemian Rhapsody) optaram por não mostrar a carreira toda do astro e focar somente na infância, na formação do The Jackson 5 — grupo com os irmãos — e na ascensão do Rei do Pop à carreira solo.
Eles deixaram de fora tudo que veio depois do quarto álbum, Bad (1987): a criação da Neverland, os filhos, o vício em analgésicos e a morte dele, em 25 de junho de 2009.
Mas não é por esse motivo que o longa deixa de ser um verdadeiro show e um deleite para os olhos, especialmente para quem já é fã de Michael Jackson.

Jaafar se entrega à performance e faz com paixão o famoso moonwalk, e os momentos no palco são hipnotizantes. Se você se pergunta como seria estar em um show do dono dos hits Thriller, Billie Jean e Beat It, o filme vai fazer o público se sentir parte da plateia, como acontece em Elvis e Bohemian Rhapsody.
Mas, ao contrário da cinebiografia do Queen, Michael dá tempo para cada cena assentar na mente e tem diálogos bem melhores. E a surpresa no final — que não são cenas pós-crédito — vai agradar muita gente.
Muitos “altos” e nem tantos “baixos”
Mesmo com os acertos estéticos, o elenco afinado e a boa energia, o longa perde força por abordar muito brevemente o vitiligo de Michael e por nem citar os escândalos que envolveram a vida do artista e outras curiosidades que enriqueceriam a memória dele — e que se encaixam perfeitamente em cinebiografias.

O filme não revela, por exemplo, se ele se relacionou com alguém durante esse período ou o que pensava de outros artistas da sua época. São camadas de uma persona que não vemos.
Michael mostra, sim, um pouco da intimidade do Rei do Pop e faz o espectador visualizar a solidão que ele sentia dentro da própria família e a relação com os animais que substituíram amizades humanas. Mas o roteiro se torna superficial, porque aborda temas que estamos cansados de saber.
Cercado de polêmicas
Para se afastar dos escândalos e das acusações de abuso infantil, o filme Michael termina estrategicamente antes dos anos 90. Segundo os administradores do patrimônio do astro, John Branca e John McClain, uma cláusula no acordo assinado em 1994 com uma suposta vítima impede qualquer citação ao que possa ter acontecido.
Foi por isso que o espólio precisou bancar R$ 77 milhões para refazer todo o terceiro ato e retirar o que já tinha sido gravado.
E a opinião da família de Michael não foi unânime: além de Janet Jackson, a filha do Rei do Pop, Paris Jackson, se posicionou contra o filme. A herdeira disse à mídia que fez sugestões ao roteiro, mas não foi ouvida. Ela não compareceu aos eventos de divulgação da cinebiografia do pai, ao contrário dos irmãos.
Elenco de peso
Imitação por imitação é só olhar para Rami Malek em Bohemian Rhapsody, dando vida a Freddie Mercury. Mas evocar a energia, os traços, trejeitos e a presença de Michael parecia ser uma missão que só a família poderia cumprir. Não dá para imaginar outro ator, que não Jaafar Jackson, na pele do Rei do Pop.
Em uma das últimas cenas, por uma fração de segundo, Jaafar conseguiu imprimir Michael tão perfeitamente que foi como se o artista estivesse ali. Só por esse instante, já vale a pena dar uma chance ao novo lançamento da Universal Pictures.

Quem também merece destaque é Colman Domingo (Euphoria), que interpreta Joe, o pai de Michael, que toma conta do filme e vira uma espécie de vilão. Joe Jackson confirmou após a morte do filho que o agredia na infância e era bastante rigoroso nos tempos do The Jackson 5. Fora a pressão psicológica.
Com Michael solitário nessa fase de sua vida, são os carismáticos KeiLyn Durrel Jones, como segurança pessoal, e Miles Teller (Top Gun: Maverick), como John Branca, que preenchem a tela.
E, na pele do pequeno Michael, Juliano Valdi é um encanto.
No final, o espectador sai da sala de cinema inebriado e encantado, mas muito mais pela lembrança do artista, e menos pela qualidade do filme.
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